Pela seleção, quatro Copas do Mundo e 143 partidas disputadas. Por clubes, sete títulos de ligas nacionais e dois da Champions. Rafa Márquez atingiu um patamar raro, que pouquíssimos de seus compatriotas conseguiram alcançar. Foi um dos maiores nomes do futebol mexicano em sua história, muito provavelmente o melhor defensor que já vestiu a camisa tricolor. E que, aos 39 anos, chega ao fim de sua grande trajetória. Ainda há esperanças entre os torcedores, que pedem o veterano em seu quinto Mundial – algo que o técnico Juan Carlos Osorio diz considerar. Nesta sexta-feira, entretanto, o ídolo despediu-se diante dos seus. Em uma grande homenagem no Estádio Jalisco, justamente no clássico contra o Chivas Guadalajara, disputou seu último jogo em casa.

Formado nas categorias de base do Atlas, Rafa Márquez se profissionalizou por lá, antes de emplacar na Europa. Viveu seu auge por Monaco e Barcelona, até transitar por outras equipes – New York Red Bulls, León e Hellas Verona. Já em 2016, o veterano retornou ao Atlas, para a última fase de sua carreira. Apesar das pretensões modestas de seu clube, continuou convocado à seleção mexicana, participando inclusive da última Copa das Confederações. Mas, mais importante que as ambições, é a idolatria que o defensor continuou sustentando entre os rubro-negros. Adoração que teve seu último ato na penúltima rodada da fase de classificação do Torneio Clausura.

Foi um clássico sem grande ânimo. Tanto Atlas quanto Chivas não têm mais chances de se classificar aos mata-matas da Liga MX, enquanto o Rebaño Sagrado se preocupa com a decisão da Concachampions. Ainda assim, era uma ocasião especial por causa de Rafa Márquez. E o capitão recebeu todas as honras. Na entrada em campo, um enorme bandeirão com seu rosto se ergueu nas tribunas do mítico Jalisco. Torcedores levavam cartazes e faixas em sua homenagem. Já em campo, os demais jogadores do Atlas exibiam o nome do veterano nas camisas, assim como os mascotes. Na sequência da noite, com a vitória dos rubro-negros por 1 a 0, o melhor ficou para os acréscimos do segundo tempo, quando o camisa 4 foi substituído sob enorme ovação da torcida.

“Tudo chega em seu momento, e era o momento de dizer adeus. O tempo passa e não é fácil continuar como jogador. Tomei esta decisão porque há um cansaço físico e mental, gostaria de passar à outra etapa da minha vida. Não imaginei conquistar tantos títulos, ser parte importante de uma grande equipe, estar em quatro Copas. Jamais imaginei. É ir passo a passo, conquistando metas, e graças a Deus cumpri muitas delas”, declarou o mexicano.

Desde agosto de 2017, Rafa Márquez também enfrenta sérios problemas extracampo. O defensor foi acusado pelo governo americano de ligações com o narcotráfico. O jogador seria o responsável por lavar dinheiro para Raúl Flores Hernández, traficante com atuação nos estados de Sinaloa e Jalisco. O veterano nega as alegações.

Durante a noite, nas redes sociais, os mexicanos levantaram a hashtag #RafaEnRusia2018. Até mesmo alguns clubes ajudaram a incentivá-la, demonstrando seu respeito ao jogador. “Não tive nenhuma notícia sobre a convocação. Gostaria de algo mais oficial, da federação, que pudessem se manifestar neste sentido. Sigo com a mesma esperança de estar na Copa e, até o último momento, não deixarei de sonhar”, apontou o veterano. Se for convocado, igualaria o recorde de Antonio Carbajal, Lothar Matthäus e Gianluigi Buffon, únicos jogadores que disputaram cinco Mundiais.