Dentro de campo, o Campeonato Brasileiro de 2013 teve seu ponto final. Por mais que insistam em revivê-lo nos tribunais, nada mais acontecerá dentro das quatro linhas. Momento para refletir não só o resultado final, mas também a evolução dos times durante os oito meses de competição.

Para isso, bolamos o Ranking da Frustração do Brasileirão. Analisamos cinco variáveis diferentes, que influenciaram o frenesi sobre os times antes e durante o torneio: cotação no início do campeonato; folha salarial mensal; valor de mercado do time titular; posição média na tabela; e ganhos e perdas de jogadores. A partir deles, criamos uma pontuação para determinar qual era o clube de quem se esperava mais na Série A. Os números detalhados e a avaliação de cada critério podem ser entendidas melhor clicando aqui.

Mas por que tudo isso? Para tentar entender melhor o desenvolvimento de cada time no campeonato. Não é uma fórmula científica precisa, tanto que inclui itens subjetivos (e nossa subjetividade pode ser diferente da sua) e possui suas exceções. Porém, o ranking ajuda a apresentar um panorama geral do Brasileirão, considerando diferentes variáveis para se chegar a uma conclusão.

A partir da posição do nosso ranking, comparamos com a colocação final de cada time na tabela e… voilà! Pudemos traçar um perfil das maiores decepções e superações da Série A em 2013. O Internacional, por exemplo, teve expectativa 14 colocações acima da posição real no Brasileiro, o modestíssimo 15º lugar. Sinal de frustração da torcida colorada. Em contrapartida, o Atlético Paranaense foi dez posições além no mundo real do que na numeralha, ratificando o quão surpreendente foi sua trajetória.

E, ainda que a resposta esteja só nas mãos do STJD, temos nossa conclusão ‘matemática’ na disputa entre Fluminense e Portuguesa: os alvirrubros se superaram muito mais na campanha. Pelas expectativas criadas, o Fluminense teria um sétimo lugar no Brasileirão virtual, mas acabou em 17º. Já a Lusa, saltou de 18º para 12º. Não quer dizer muito sobre o rumo dos dois times, mas representa o valor de cada um dos desempenhos.

Nas linhas abaixo, as análises de cada um dos 20 clubes do Brasileirão, agrupados conforme seus saldos finais entre a colocação na 38ª rodada do campeonato e no Ranking Trivela. Confira:

As grandes decepções: Internacional, Fluminense, Corinthians e Vasco

Damião, sem marcar há dez rodadas, vive má fase junto com Inter

Quatro grandes clubes que ficaram muito aquém de suas camisas no Brasileirão. Ainda assim, o Internacional liderou o ranking de forma absoluta. Afinal, os colorados possuem a segunda maior folha salarial e o segundo time titular mais valioso do Brasil. De equipe candidata à Libertadores, subiu na cotação logo nas primeiras rodadas, com a atuação promissora no mercado de transferências. Fred e Rodrigo Moledo se foram, é verdade, mas os reforços foram bem mais pesados. Alex e Ignacio Scocco, candidatos a craques; Alan Patrick e Jorge Henrique, duas peças para compor o elenco. No entanto, o fato é que os colorados não engrenaram. De um início razoável, o time de Dunga (e, depois, de Clemer) só despencou. Acabou brigando contra o rebaixamento até os últimos instantes, na modestíssima 15ª posição.

O Corinthians era outro que poderia fazer bem mais. Favorito ao título, dono do time titular mais valioso e da terceira maior folha de pagamento. O problema é que a empolgação diminuiu logo nas rodadas iniciais, quando os alvinegros perderam Paulinho, trazendo Ibson para a reposição. Sem engrenar logo de cara, o time de Tite ameaçou uma ascensão ao topo no final do primeiro turno, mas logo foi atrapalhado pela falta de gols. Não à toa, sua posição média ficou em 9,3, justificando seu desfecho.

Da mesma maneira, o Fluminense contava com um elenco valioso e salários altíssimos, além de trazer a honra de defender o título de atual campeão. Não deu. As perdas de Deco, Thiago Neves e Wellington Nem foram vitais, assim como as lesões de Fred. Sem reposição, o time não se manteve. Até registrou uma posição média razoável (12,9), mas despencou na hora H. O Tricolor morreu abraçado ao lado do Vasco. Não que se esperasse uma boa campanha dos cruzmaltinos, donos de uma folha salarial mediana. Todavia, se esperava que a equipe da Colina aparecesse no meio da tabela, especialmente por se movimentar bastante no mercado. Acabaram na antepenúltima colocação, vítimas de sua desorganização.

Decepcionaram um pouco: São Paulo, Flamengo, Ponte Preta e Náutico

Muricy Ramalho no São Paulo, em 2008 (AP Photo/Eraldo Peres)

Ainda que seu primeiro semestre não tenha sido tão bom, o São Paulo pintava como candidato à Libertadores no Brasileirão. O elenco com nomes valorizados e a alta folha salarial ajudam a referendar isso. O problema é que o péssimo início atrapalhou muito as pretensões tricolores. Por mais que Muricy Ramalho tenha resgatado o clube, no geral, os são paulinos ficaram abaixo do que poderiam fazer. O que salvou a percepção final do torcedor é que a primeira parte do campeonato foi tão horrível que escapar do rebaixamento com alguma antecedência deu até uma sensação de alívio. Mas, em relação à expectativa inicial do time, foi uma queda considerável.

O Flamengo segue nessa linha. Não chegou à competição tão bem, mas trouxe reforços pontuais. Só que Mano Menezes não ‘entendeu’ os jogadores e atrapalhou bastante as pretensões. Jayme de Almeida afastou o fantasma do rebaixamento e colocou o time na Libertados com a Copa do Brasil, mas a colocação final poderia ter sido melhor pelas circunstâncias.

O Coritiba, pelos números, esperava inicialmente uma campanha de meio de tabela, passou a sonhar com algo a mais depois da primeira metade do primeiro turno e acabou no meio da tabela. Então, por que decepcionou? Bem, porque a 13ª colocação final não retrata o sufoco que o time passou nas últimas rodadas, distorção criada por um campeonato com equipes tão próximas no pelotão intermediário. Se o Coxa escapasse do rebaixamento com a 16ª posição que manteve na penúltima rodada, seria possível perceber como o time assustou sua torcida.

Já Náutico e Ponte Preta, desde o início, eram grandes candidatos ao rebaixamento. Das menores folhas salariais, dos elencos menos valiosos. Seguiram sua sina. Só não dá para se conformar com o rebaixamento sem nem chegar perto de reverter os prognósticos.

Foram além do esperado: Botafogo, Santos, Bahia e Criciúma

Seedorf orienta o time: camisa 10 jogou muita bola contra o Atlético Paranaense (Foto: Jorge Rodrigues - Eleven)

O Botafogo viveu um misto de sensações. Era candidato à Libertadores, embora não estivesse entre os donos dos elencos mais caros. O acerto da equipe de Oswaldo de Oliveira fez a diferença nas rodadas iniciais, com a briga pela ponta da tabela. Contudo, a perda de nomes importantes no mercado atrapalhou os alvinegros, que deram sinais disso na reta final. O alívio só aconteceu na rodada final, com a consolidação no G-4. E, se dependessem apenas de sua média de posições ao longo das 38 rodadas, os botafoguenses teriam sido vice-campeões.

No Santos, a saída de Neymar era mais do que esperada. E por isso mesmo os alvinegros se movimentaram bastante no mercado, mesmo que não tenham reposto seu craque. Só que, de um time com grande potencial para ficar na metade inferior da tabela, o Peixe se mexeu bem. O sétimo lugar foi um belo lucro para o comando de Claudinei Oliveira. Já Bahia e Criciúma apontavam que não iriam longe no começo do campeonato e acabaram escapando do rebaixamento por algumas posições.

Superaram bastante as expectativas: Atlético-PR, Goiás, Vitória e Portuguesa

Paulo Baier

Sem dúvidas, a maior surpresa do campeonato foi o Atlético Paranaense. Os rubro-negros eram apontados como fortes candidatos ao rebaixamento – até porque não disputar o estadual fez que se perdesse o parâmetro do time em relação aos demais da Série A – e davam indícios disso nas primeiras rodadas, com o início errante. O elenco barato e sem grandes estrelas, no entanto, mostrou ter o gás que os outros não tinham a partir do final do primeiro turno – resultado da preparação especial feita neste ano. Acabou na Libertadores.

Goiás e Vitória seguem nessa linha. Assim como o Furacão, tinham acabado de voltar da Série B, com elencos modestos para os padrões do restante dos adversários. Não se classificaram à Libertadores, ainda que tenham ficado muito próximos disso. Já a Portuguesa, pelas expectativas, seria a antepenúltima na tabela. E o péssimo primeiro turno reforçava essa ideia. Até a recuperação protagonizada por Guto Ferreira, que deixou os alvirrubros cinco posições acima do rebaixamento – algo que pode ser mudado graças ao tapetão.

As exceções: Cruzeiro, Grêmio e Atlético Mineiro

Borges e Dagoberto comemoram (Foto: site oficial do Cruzeiro)

Três casos especiais precisam ser analisados fora dos contextos anteriores. Pelo ranking, o Cruzeiro seria o terceiro de expectativa no Brasileirão. Candidato inicial pelo menos à Libertadores, contava com um elenco caro e se reforçou bem no início da campanha. A partir do segundo turno, não teve mais quem o segurasse. Acabou com o saldo de +2 entre a posição real e a virtual – um número que não poderia ser melhor.

O Grêmio, por sua vez, manteve sua posição. Segundo no ranking, segundo no Brasileirão. Só que as variáveis analisadas acabam maquiando o desempenho dos tricolores. Para quem tem a maior folha salarial do país, não brigar diretamente com o Cruzeiro foi uma decepção, especialmente quando se considera as atuações arrastadas dos gremistas.

Por fim, o Atlético Mineiro acabou com saldo negativo, mas não é bem assim. Uma equipe fortíssima, com potencial de título. Só que se limitou ao que se propôs. Depois de conquistar a Libertadores, o Galo optou por guardar suas forças para o Mundial de Clubes. A opção pode ser discutida. O que os números não mostram é que a sétima colocação foi mais do que confortável ao que os alvinegros pretendiam.

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