O Pumas é um time complicado. Estranho, pode-se dizer. Um clube dotado de uma imprevisibilidade que vai ao encontro da principal característica da Liga MX: o equilíbrio. Capaz de vexames dantescos frente aos últimos colocado da tabela tanto quanto de impor-se sem dificuldades contra os líderes e favoritos ao título da Primera División.

Logo após a conquista do Clausura 2011, a última taça levantada pelos felinos, as declarações do então presidente Víctor Mahbub serviram de aviso: o foco seria nas categorias de base, com pouco investimento em jogadores estrangeiros. O resultado já era levantando como uma possibilidade pelo então mandatário: sem dinheiro para contratar e com um elenco pouco numeroso os felinos dificilmente iriam repetir o título do Clausura.

As aposentadorias (ou saídas) de alguns veteranos e a venda de alguns destaques dificultaram ainda mais a vida dos de Pedregal. Nos cinco torneios disputados desde então, o Pumas alcançou a Liguilla em apenas uma edição, o Clausura 2013, ainda assim na modesta sétima colocação e sendo eliminado já nas quartas de final para o rival América, sem impor grande resistência com duas derrotas. Até mesmo o antes inimaginável risco de descenso começou a ser considerado no Olímpico, ainda que a sequência de temporadas desastrosas tivesse de se estender por mais algumas edições.

O panorama para o Clausura era desalentador. Com a saída das poucas apostas estrangeiras, como Luis García, Nahuelpán e Ramírez, que pouco renderam no estádio Universitário, a volta de alguns veteranos e a manutenção da aposta na base, a repetição da lanterna do Apertura ressoava forte na capital azteca. Pouco ajudou o desempenho das três primeiras rodadas, com apenas um ponto somado e derrotas para Toluca e Querétaro.

Momento de desespero? Não com os Auriazules. Em uma guinada surpreendente, o clube da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) emendou três vitórias consecutivas, subiu para o quarto lugar e já entrou de vez na briga pelos postos mais altos. E não foram triunfos sobre adversários quaisquer. Tigres, Tijuana e León são três dos últimos cinco campeões nacionais e foram superados de forma categórica, incluindo um sonoro 3 a 0 sobre os Xolos, como é conhecido o Tijuana (a foto do post é de Dario Verón comemorando um dos gols desse jogo).

Para tornar ainda mais intrigante o “renascimento” felino, adivinhe quem foi o principal responsável pela boa fase? Um novo contratado ou uma revelação da base? Nada disso. O atacante argentino Martín Bravo, no clube há mais de cinco anos, vem liderando o Pumas nessa reação inexplicável.

Poucas vezes tido como um goleador nato, “La Rata” teve participação direta em oito dos nove gols marcados pelos universitários, com 6 gols e 2 assistências, tornando impossível dissociá-lo do papel central exercido no bom momento do clube. O que torna ainda mais intrigante a questão é que a solução para sair do buraco na UNAM foi encontrada justamente dentro de casa. Aliás, já estava lá há anos, sem mostrar um desempenho tão satisfatório. Ao menos se comparado à fase atual.

Mesmo outros jogadores que vivem boa fase como o goleiro Palacios ou os experientes Verón e Romagnoli não chegaram à capital mexicana nos últimos tempos. Ou seja, foram soluções buscadas dentro do elenco. E repare bem: não nas categorias de base, necessariamente.

É justamente esse o ponto inexplicável do desempenho do clube azteca. Com um elenco tecnicamente bom, ainda que carente de mais opções, uma torcida fervorosa e longe da pressão sufocante que estrangula Cruz Azul e Chivas, é difícil compreender a razão que levou os felinos a campanhas tão medíocres nos últimos torneios. Da mesma forma, há pouca explicação para uma retomada como essa após um período tão ruim.

Depois de “Memo” Vázquez, campeão em 2011, quatro treinadores passaram pelo comando do clube (Servín em duas oportunidades). E o atual técnico, José Luis Trejo esteve seriamente ameaçado de demissão após o mau início. O que parece deixar claro que esse não é o problema maior do Pumas.

Ainda não é possível ter uma real dimensão da duração da boa fase vivida pelo clube ou se ela irá resultar na vaga para o mata-mata ou mesmo uma boa campanha no Clausura. Pelo contrário, o modo como ela ocorreu e os responsáveis indicam justamente a imprevisibilidade do rendimento felino. E dificultam qualquer prognóstico muito claro. E é nessa gangorra que vive o clube da capital, com seus torcedores rezando para que a boa fase perdure, mesmo sem entender como e por que ela teve início.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo da 6ª rodada do Clausura: Alejandro Palacios (Pumas UNAM), Juan Carlos Núñez (Tijuana), Jair Pereira (Chivas Guadalajara), Yasser Corona (Querétaro) e Miguel Ángel Ponce (Toluca); Diego de Buen (Pachuca), Cristian Pellerano (Tijuana), Isaac Brizuela (Toluca) e Marco Fabián (Cruz Azul); Martín Bravo (Pumas UNAM) e Mauro Formica (Cruz Azul); T: Enriique Meza (Pachuca); 

Costa Rica

- Após um empate sem gols no duelo contra o Cartaginés, o Herediano manteve a ponta do Campeonato de Verano da Primera Divisón, com 13 pontos em 6 jogos. Os rivais, entretanto, aproveitaram o tropeço para encostar. A Alajuelense bateu o Santos e soma 12 pontos, enquanto o Saprissa venceu o Puntarenas a aparece em terceiro, com 11, ao lado do Cartaginés, que fecha o G4;

El Salvador

- Uma boa vitória sobre o Santa Tecla manteve o FAZ no topo do Clausura da Liga Mayor, com 12 pontos em 4 partidas. Na vice-liderança aparece o atual campeão Isidro Metapán, que superou o Alianza por incontestáveis 3×0. O Luis Ángel Firpo levou a melhor sobre o Águila no Derbi Oriental e é o terceiro, com 9, enquanto o Alianza é o sexto e o próprio Águila aparece apenas em oitavo;

Guatemala

- Derrotado no fim de semana pelo Coatepeque, o Comunicaciones deixou a liderança do Clausura da Liga Nacional, estacionando nos 10 pontos. Quem aproveitou a bobeada foi a Universidad SC, que bateu o Halcones e ocupa a primeira posição como único time ainda invicto, com 13 pontos em 5 jogos. O Municipal venceu Suchitepéquez, mas é apenas o nono;

Honduras

- Um show de Roger Rojas fez com que o Olimpia massacrasse o Marathón com um inapelável 4×0, colocando os blancos na vice-liderança do Clausura, com 15 pontos, e afundando os Esmeraldas para o oitavo posto. A ponta é do Real Sociedad, que contou com um hattrick de Rony Martínez para superar o Parrillas One e tem 16 pontos em 7 partidas. Motagua e Real España ficaram no empate no duelo entre ambos e seguem em terceiro e quarto lugares, respectivamente;

Panamá

- Um triunfo pelo placar mínimo sobre o Río Abajo devolveu o Alianza à liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 10 pontos em 5 jogos. Em segundo lugar aparece o Árabe Unido, com 9 pontos após empate sem gols com o Tauro. Já o San Francisco venceu o “Derby de La Chorrera” sobre o CAI e vem em quarto, com 7 pontos, seguido por Plaza Amador e Tauro na tabela de classificação; 

Jamaica

- Líder e atual campeão, o Harbour View perdeu para o Humble Lions, somou sua terceira partida sem vitórias, mas manteve a ponta da National Premier League, com 37 pontos em 19 partidas. O Tivoli Gardens bateu o Portmore United fora de casa e é o sexto, com 24 pontos, enquanto o clube de Portmore caiu para a vice-lanterna, com 21;

Trinidad & Tobago

- De folga na rodada, o líder W Connection viu diminuir sua vantagem no topo da TT Pro League após o triunfo do Point Fortin sobre o San Juan Jabloteh. Mesmo com um jogo a menos, os Savonetta Boys ainda tem nove de distância para os perseguidores. O atual campeão Defence Force é o 7º, com 13 pontos (mas em apenas 8 jogos), enquanto o San Juan Jabloteh é o vice-lanterna, com 10;

Nicarágua

- Duas rodadas de tropeço dos líderes, algumas surpresas e um empate sem gols no Clássico Nacional entre Real Estelí e Diriangén resultaram num inusitado equilíbrio na parte de cima da tabela de classificação do Clausura da Liga Nacional. Quatro times (Managua, Real Estelí, Walter Ferretti e Juventus) dividem a liderança, com 13 pontos, enquanto o Diriangén tem 12 e o Real Madriz aparece na sequência, com 11 pontos.