“Em Portugal, passa-se de uma fase de euforia a uma fase de depressão em poucos segundos.” A frase é do vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Hermínio Loureiro, e reflete bem os sentimentos que tomam conta do país nesta Copa do Mundo.

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A euforia acontecia antes da estreia. Embora sabidamente a equipe enfrentaria uma das seleções favoritas ao título mundial, a Alemanha, o otimismo reinava entre torcedores e críticos. Até mesmo uma eventual derrota perante os alemães não era vista como o fim do mundo, desde que Portugal endurecesse o jogo e desse mostras de que poderia crescer ao longo da competição.

Mas os 4 a 0 trouxeram depressão. O time jogou mal, Pepe foi expulso por uma atitude imperdoável e vários jogadores se machucaram. Fábio Coentrão já foi até embora do Brasil, para se tratar. Hugo Almeida, Rui Patrício e Bruno Alves seguem no departamento médico. E Cristiano Ronaldo, vítima do desgaste natural de final de temporada, é preocupação constante.

O noticiário dos jornais portugueses após a goleada falava em “resultado trágico”, “estrondosa derrota”, “chocante submissão ao poderio germânico” e “demolidora coleção de erros”, entre outros adjetivos que sublinharam a pior derrota da história da seleção portuguesa numa Copa do Mundo.

Problemas técnicos do time de Paulo Bento à parte (e eles são muitos), a questão psicológica pode, sim, influenciar demais a reviravolta da seleção na Copa do Mundo ou no afundamento de vez do time. É incrível como, pelo menos no que diz respeito ao futebol, os portugueses mudam radicalmente de estado de espírito num piscar de olhos. O ex-jogador Rui Costa resumiu o que vem acontecendo ao dizer que já está se fazendo um funeral, mas ainda ninguém morreu.

Exemplo disso são as críticas feitas agora à preparação do time das quinas para o Mundial. A opção pela concentração em Campinas (distante e muito mais fria que as cidades onde o time joga) e a longa parada nos Estados Unidos antes de chegar ao Brasil são duramente criticadas. Há muita razão nisso, afinal a Federação Portuguesa vem mostrando seguidos erros de planejamento que, invariavelmente, refletem no desempenho do time. Mas chama a atenção o fato de que as críticas só começaram para valer depois dos 4 a 0. É um sintoma da depressão citada por Hermínio Loureiro.

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Ninguém sabe ao certo até que ponto o mau humor e o pessimismo que atingiram os portugueses após a goleada sofrida contra a Alemanha invadiram o vestiário. O que se sabe é que Paulo Bento terá trabalho para reverter o estado psicológico do grupo de jogadores que, como brilhantemente classificou o site Expresso, foram “de bestiais a bestas”.

Para vencer os Estados Unidos e se manter vivo na Copa do Mundo, Portugal precisa ser forte psicologicamente e evoluir muito seu futebol. Não será nada fácil. Mas, se isso acontecer, a euforia pode voltar a dominar o país – o que não seria ruim. Afinal, já que é impossível encontrar o equilíbrio entre os sentimentos, é melhor que os torcedores e críticos estejam eufóricos do que deprimidos.

Por outro lado, se a eliminação precoce ocorrer neste domingo, podem colocar os terapeutas de plantão. Especialmente o de Paulo Bento, que além de chorar a derrota, provavelmente aumentará o índice de desempregados do país.