O confronto estava resolvido desde a primeira partida. Depois de vencer o Numancia por 3 a 0 fora de casa, o Real Madrid cumpriria apenas 90 minutos formais para se confirmar nas quartas de final da Copa do Rei. O protocolo, porém, deixa de ser ignorado quando os merengues não vencem. E contra um adversário da segunda divisão, pouco importam os antecedentes, a obrigação da equipe galáctica de Zinedine Zidane é triunfar. Por isso mesmo, o empate por 2 a 2 no Estádio Santiago Bernabéu, com os reservas, sai tão indigestos aos madridistas. De maneira desnecessária, aumenta a pressão (que já é grande) pela sequência de resultados ruins.

Exceção feita a Dani Carvajal, o Real Madrid escalou apenas reservas. E se o “expressinho” foi tão útil na temporada passada, permitindo que o time conciliasse o sucesso na Champions com a conquista do Espanhol, desta vez não vem sendo suficiente. Há talento, que não parece totalmente pronto à fogueira atual. Se o time principal rende abaixo do que pode, os reservas não ajudam a aliviar as críticas. Pior para Zidane, que se torna um Dom Quixote ao defender seu elenco e negar que os merengues necessitam de reforços. O que se vê dentro de campo é bem diferente.

O Real Madrid logo saiu em vantagem no Bernabéu e parecia pronto a construir uma vitória fácil, depois de um cruzamento fantástico de Carvajal para Lucas Vázquez emendar às redes, aos 10. Pouco antes do intervalo, contudo, o Numancia arrancou o empate com Guillermo Fernández, completando ao gol aberto. No segundo tempo, os merengues precisaram correr atrás do prejuízo e conseguiram diminuir de novo com Lucas, arrematando belíssima trama coletiva após contra-ataque puxado por Mateo Kovacic. Mas se os anfitriões pensavam em descanso, o Numancia seguia disposto ao resultado. Pressionou na reta final do duelo. E conquistou a merecida igualdade, graças a cabeçada de Guillermo, aos 36.

O aproveitamento de Zidane na temporada é ruim. O Campeonato Espanhol passa longe da cabeça até dos mais fanáticos, e o clube não pode cochilar se quiser terminar entre os quatro primeiros. Na Champions, há uma dose de preocupação pelo confronto duríssimo com o PSG. E na Copa do Rei, que o sorteio tenha ajudado até o momento, os deslizes superam o aceitável. Os nanicos Fuenlabrada e Numancia conseguiram arrancar empates no Bernabéu, sinal claro do descontentamento atual.

Por menos, outros técnicos do Real Madrid foram demitidos. Zidane é sustentado pela idolatria e pelo currículo vitorioso, assim como pela maneira como transformou o grupo nas duas temporadas anteriores, mas precisa de uma resposta convincente em campo. O rendimento individual é um entrave, embora o coletivo não apresente soluções para transformar a sequência inconsistente dos merengues. Resta um mês para a prova de fogo nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Tropeçar contra o Numancia, no entanto, atrapalha ainda mais a situação em um momento no qual o time precisa de calma para entrar nos eixos.