Cristiano Ronaldo comemora contra o Bayern (AP Photo/Kerstin Joensson)

O Real Madrid mostrou que estava pronto para desarmar a bomba Bayern

Se esperava um jogo difícil em Munique. Bayern e Real Madrid são times equivalentes em força, embora de estilos diferentes. A vantagem dos espanhóis, embora pequena, era importante em um confronto tão equilibrado. O que se viu na capital da Baviera foi a vitória de um time que soube aproveitar suas características nas falhas do adversário. O Bayern já tinha suas fragilidades expostas e o Real Madrid parece ter estudado perfeitamente isso. Conseguiu abrir um placar de 3 a 0 ainda no primeiro tempo, o que deixou a tarefa dos bávaros algo hercúleo. Tanto que ainda tomou mais um gol no final e o Bayern se viu eliminado em casa com uma pesada derrota por 4 a 0.

LEIA TAMBÉM: Sergio Ramos e Pepe, os vilões de outras semifinais que colocaram o Real Madrid na final da Champions

Alguém lembrou, no intervalo, que Carlo Ancelotti era o técnico do Milan que tomou o empate do Liverpool na final da Liga dos Campeões de 2005, quando abriu 3 a 0 no primeiro tempo. Também era o técnico do Milan que depois de vencer o Deportivo La Coruña por 4 a 1 no jogo de ida, perdeu por 4 a 0 na volta e foi eliminado. É verdade quer o futebol tem um elemento de imprevisibilidade, mas algumas coisas parecem bem difíceis de acontecer.

Já no começo do jogo, o Bayern dava sinais de nervosismo, afobado nos seus ataques. O time não conseguiu se impor com a posse de bola, como fez tantas e tantas vezes na temporada. Muitas vezes pareceu correr riscos demais com passes no campo de defesa. Em nenhum momento pressionou o adversário a ponto de sufocar o Real Madrid.

O time merengue conseguiu tirar proveito de duas falhas do Bayern que são conhecidas. As bolas paradas, uma preocupação constante, tornaram-se arma mortal do time de Madri. Em um escanteio e uma falta pela direita, o Real Madrid abriu 2 a 0. A exposição a contra-ataques foi explorada em seguida. Em uma bola rápida, o ataque BBC trocou passes em um lance que acabou em gol de Ronaldo. Ali, o Real Madrid já tinha mostrado que sabia o que estava fazendo.

VEJA TAMBÉM: O mosaico da torcida do Bayern antes do jogo contra o Real é sensacional

A derrota acachapante do Bayern não é uma derrota do estilo de Pep Guardiola de dirigir um time. A posse de bola, o envolvimento do adversário, a forma técnica de tentar vencer usando incessantes passes já se mostraram eficientes e não dá para descartar por uma derrota, ainda que uma por goleada tão grande quanto essa. Os 4 a 0 do Real Madrid foram uma sapecada que mostra alguns erros do Bayern de Guardiola, que certamente tentará aperfeiçoar o seu sistema, seu modo de jogo.

Ao Real Madrid, os louros de uma vitória fantástica. Jogando fora de casa, foi um time que conseguiu ter segurança o tempo todo, sem passar sufoco contra aquele que é um dos melhores times do mundo. Teve um desempenho digno de ser aclamado também como um dos grandes times do mundo. Uma força que o time precisará mostrar novamente na final, e contra um time que terá um estilo bem diferente do Bayern. Seja Atlético de Madrid, seja Chelsea, a tarefa merengue será diferente, provavelmente tendo que propor o jogo e se impor. O Real Madrid buscará, depois de 12 anos, a sua tão esperada 10ª taça. Já mostrou que não falta força para erguer esse troféu.

LEIA TAMBÉM: O que Paulo Nobre pode aprender com o Football Manager

Formações iniciais

Bayern x Real Madrid

Destaque do jogo

Pode parecer estranho, mas um dos melhores em campo foi o zagueiro Pepe. Foi muito bem na defesa, sem dar espaços, fazendo poucas faltas. Formou uma dupla de zaga muito eficiente ao lado de Sergio Ramos, não perdeu a cabeça – como já aconteceu outras vezes, como em 2011, por exemplo, contra o Barcelona de Guardiola. Vem fazendo uma grande temporada.

Momento-chave

Se o Bayern já começou o jogo nervoso, o gol de Sergio Ramos fez o time se desesperar de vez. E o Real Madrid foi mortal ao usar isso a ser favor para matar o confronto e golear.

Os gols

16’/1T: GOL DO REAL MADRID! Cobrança de escanteio da direita de Modric que encontra Sergio Ramos no meio da área para cabecear para as redes.

20’/1T: GOL DO REAL MADRID! Cobrança de falta de Di María da direita que encontra Sergio Ramos, novamente, para cabecear e mandar para as redes.

34’/1T: GOL DO REAL MADRID! Contra-ataque mortal! Benzema tocou para Bale sair em disparada pelo meio e o galês só rolou para Cristiano Ronaldo, livre do lado esquerdo, finalizar para marcar.

45’/2T: GOL DO REAL MADRID! Cristiano Ronaldo bateu por baixo da barreira e marcou um gol à lá Ronaldinho Gaúcho. Bela cobrança de falta do português.

Curiosidade

Cristiano Ronaldo chegou a 16 gols nesta edição da Liga dos Campeões, superando José Altafini, o Mazzola do Palmeiras e da seleção brasileira de 1958, que bateu o recorde pelo Milan, e Lionel Messi, do Barcelona – ambos tinham 14. No total, Cristiano Ronaldo chegou a 65 gols na Liga dos Campeões, dois a menos que Messi e a seis de Raúl, recordista.

Ficha técnica

Bayern de Munique 0×4 Real Madrid

Bayern_escudoBayern de Munique
Manuel Neuer; Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Dante e David Alaba; Toni Kroos e Bastian Schweinsteiger; Arjen Robben, Thomas Müller (Claudio Pizarro, 27’/2T) e Franck Ribéry (Mario Götze, 27’/2T); Mario Madzukic (Javier Martínez, intervalo). Técnico: Pep Gardiola

Real Madrid_escudoReal Madrid
Iker Casillas; Daniel Carvajal, Pepe, Sergio Ramos (Raphael Varane, 30’/2T) e Fabio Coentrão; Gareth Bale, Xabi Alonso, Luka Modric e Ángel Di María (Casemiro, 39’/2T); Cristiano Ronaldo e Karim Benzema (Isco, 35′/2T). Técnico: Carlo Ancelotti

Local: Estádio Allianz Arena, em Munique (ALE)
Árbitro: Pedro Proença (POR)
Gols: Sergio Ramos, 16’/1T, 20’/1T, Cristiano Ronaldo, 34’/1T, 45’/2T
Cartões amarelos: Dante, Xabi Alonso
Cartões vermelhos: Nenhum

VOCÊ PODE GOSTAR TAMBÉM:

O futebol e os 20 anos da morte de Ayrton Senna: entenda a relação entre o automobilismo da época e o futebol