É hora de uma pausa, um momento para reflexão. Atitude mais do que bem-vinda na atual situação do Chivas Guadalajara. Um dos maiores clubes do futebol mexicano passa por uma crise poucas vezes vista na história do clube. Uma série de erros e situações que culminou no último domingo com uma vergonhosa goleada sofrida perante seu maior rival dentro de casa. Uma crise de grandes proporções, diversas causas e complexas soluções.

É difícil apontar até mesmo qual o maior problema do Rebaño Sagrado. Talvez nem seja a fila de quase oito anos, o ambiente interno conturbado ou a falta de grandes craques. Talvez nem mesmo a frequente ausência na Liguilla e a briga cada vez mais presente contra o rebaixamento, fruto de campanhas medianas que ameaçam seriamente o clube nas próximas temporadas. A atual crise vivida pelo clube mais popular do futebol azteca parece ser, na verdade, um somatório de erros, fracassos e vexames.

Antes que se aponte o dedo para a política nacionalista do Chivas, como é de praxe em fases ruins dos clubes que adotam esse modelo, é bom notar que a ausência de talento não parece ser o maior problema do clube. A orientação de contar apenas com mexicanos é histórica e poucas vezes realmente influenciou a competitividade do clube frente aos seus rivais.

Mesmo em uma liga com tradição na aquisição de jogadores estrangeiros (notadamente sul-americanos), uma eficiente estrutura de base e uma política de contratações de sucesso, aliadas a imagem que sempre fez do clube um pólo de atração para os principais nomes do futebol local sempre fizeram com que o clube competisse em pé de igualdade com os rivais, mantendo em seus quadros os maiores destaques e as principais revelações aztecas, como “Chicharito” Hernández, mexicano de maior destaque no cenário internacional e grande esperança da Tricolor no próximo Mundial.

A crença na infalibilidade desse modelo, contudo, é um dos fatores que levaram o time de Guadalajara ao momento atual. Mesmo apostando forte nas categorias de base, as revelações não aparecem com a mesma frequência de anos atrás. Muito graças às intensas movimentações que transformaram o mercado de transferências no futebol atual, onde mesmo as categorias de base contam com contratações, vendas e trocas de atletas antes mesmo da profissionalização. Além disso, mesmo o mercado interno vem tirando do clube seus maiores destaques. Marco Fabián, considerado o próximo destaque do país e até então substituto de “Chicharito” no Omnilife, foi cedido por empréstimo com opção de compra ao Cruz Azul, com o curioso objetivo de tirar o rival da fila que já alcança quase duas décadas.

A saída de “Marquito” reacendeu a discussão sobre a real capacidade dos Rojiblancos de fazer frente aos seus rivais, seja em âmbito técnico, seja em âmbito econômico. Grande parte da qualidade do elenco atual está concentrada no setor ofensivo, cujos maiores destaques são De Nigris, Bravo e Lugo, veteranos com passagens pela Tricolor, mas longe de seus melhores dias. O meio-campo e, principalmente, o setor defensivo estão repletos de jovens atletas. De qualidade, mas ainda distantes de atingir um nível de maturidade necessário para enfrentar colombianos, argentinos, uruguaios e chilenos habilidosos e cada vez mais presentes na Liga MX.

Não se pode também afastar a responsabilidade de Jorge Vergara pelo mau momento vivido pelo clube. Há 12 anos no comando do Chivas, o empresário do ramo alimentício apostou sem sucesso na implantação do método catalão de desenvolvimento de suas categorias de base, até mesmo contratando seu artífice, o ex-craque e técnico holandês Johan Cruyff para supervisionar o projeto. Além disso, viu frustrada sua tentativa de replicar o modelo nacionalista em território norte-americano (Chivas USA) e costarriquenho (Saprissa).

Se no campo do planejamento as apostas não contaram com o sucesso esperado, Vergara teve sucesso no seu projeto de implosão do ambiente interno “chiverío”. Com críticas e cobranças públicas constantes a técnicos e jogadores, o proprietário foi um dos grandes responsáveis por tornar ainda mais pressionado um elenco jovem e seguido por uma torcida impaciente por títulos.

O revés para o América no fim de semana culminou numa série de péssimas marcas para o Campeonísimo. Foi o terceiro revés consecutivo do Chivas no “Clásico Nacional”, a segunda vez na história que o clube sofreu quatro gols do rival pela Liga MX e a maior goleada a favor das águias no duelo desde os marcantes 7×2 impostos logo no segundo confronto entre os clubes, há quase 70 anos.

A forma como foi construída a goleada também diz muito sobre o momento de ambos. Os Millonetas precisaram de apenas 15 minutos para se impor sobre o rival em pleno estádio Omnilife, com dois gols marcados pelo veterano atacante colombiano Luis Gabriel Rey, que enfrentava um longo jejum no Clausura e amargava a reserva. Enquanto as promessas de Guadalajara sofriam frente a uma torcida impaciente, outro jovem destaque (e já selecionável), mas do lado amarelo, tratou de decidir o confronto: Raúl Jiménez. E ainda houve tempo para Luis Mendoza fechar o marcador e afundar os rivais na crise.

O Clausura ainda não está perdido para o clube mais popular do México (apenas um ponto o separa do G8), ao passo que o risco de queda nem existe mais para essa temporada (graças a derrota do Atlante na rodada). Mesmo assim, poucos jornalistas, atletas e até mesmo torcedores acreditam numa campanha redentora do clube na edição atual. A julgar pelo desempenho recente (e não pela história), o risco de afundar nas próximas temporadas é algo cada vez mais presente em Guadalajara. E sem previsão de afastar-se.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo da 13ª rodada do Clausura: Moisés Muñoz (América), Enrique Pérez (Atlas),Yasser Corona (Querétaro), Pablo Aguilar (América) e Bruno Pires (Chiapas); Ricardo Jesus (Querétaro), Cristian Martínez (Veracruz), Lucas Silva (Monterrey) e Martín Barragán (Atlas); Oribe Peralta (Santos) e Luis Gabriel Rey (América); T: Tomás Boy (Atlas);

Costa Rica

- Com um categórico 3×0 sobre o Cartaginés, o Herediano se recuperou da goleada no clássico do meio de semana para a Alajuelense e retornou ao topo do Campeonato de Verano da Primera Divisón, com 33 pontos em 16 jogos, ao lado do rival Saprissa, que ficou no empate com o Puntarenas. Atual campeão e semifinalista da Concachampions, a Alajuelense bateu o Santos e é a terceira, com 28 pontos, enquanto a UCR fecha o G4, com 23;

El Salvador

- Derrotado em casa pelo Águila, o Isidro Metapán estacionou nos 19 pontos e perdeu contato com o líder FAS, que superou o Atlético Marte e alcançou 25 pontos em 11 partidas no Clausura da Liga Mayor. Os Cementeros agora dividem a vice-liderança com o Dragón, que bateu o quarto colocado Juventud Independiente. Com o triunfo, o Águila subiu para o quinto posto, enquanto o Alianza é o oitavo e o Firpo apenas o nono, ambos com 13 pontos;

Guatemala

- Em uma rodada de muitos gols e goleadas, o Comunicaciones massacrou o Coatepeque por 6×0 para reassumir a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 26 pontos em 16 jogos, ao lado da Universidad SC, derrotada em casa para o Halcones. Dando sequência em sua campanha irregular, o Municipal perdeu para o Suchitepéquez e é apenas o oitavo, com 20 pontos;

Honduras

- Em casa, o Olimpia sofreu um inesperado revés para o Marathón no “Clásico Nacional” por 3×0, mas manteve a liderança do Clausura da Liga Nacional, com 29 pontos em 16 partidas. Com um ponto a menos aparecem Real España, que bateu o Motagua, e Real Sociedad, depois de superar o Parrillas One. Mesmo com a derrota, o Motagua é o quarto, com 23 pontos, enquanto o Marathón é o quinto, com 21;

Panamá

- Com uma derrota em casa para o Río Abajo, o Chorrillo viu chegar ao fim sua série de seis triunfos seguidos e ainda perdeu a ponta do Clausura da Liga Panamenha para o Plaza Amador, que venceu o CAI e chegou aos 24 pontos em 13 jogos. Os Chorrilleros agora dividem a segunda posição com o Árabe Unido, que venceu o Sporting San Miguelito e soma 23 pontos. San Francisco e Tauro venceram seus duelos contra Alianza e Chepo, respectivamente, fora de casa, mas seguem em sétimo e oitavo lugares com apenas 15 pontos; 

Jamaica

- Mesmo sofrendo seu segundo revés consecutivo, o Montego Bay United manteve a liderança da National Premier League, com 45 pontos em 26 partidas. Isso por que o vice-líder Waterhouse ficou no empate com o Humble Lions e tem 43 pontos e um jogo a menos. O Tivoli Gardens é o quinto, com 34 pontos, enquanto o Portmore, derrotado pelo Arnett Gardens em casa, é o nono, com 32;

Trinidad & Tobago

- Um empate por um gol contra o Point Fortin manteve o W Connection tranquilo no topo da TT Pro League, com 42 pontos em 20 jogos. Com uma partida a menos, o Central aparece na vice-liderança, com 35 pontos, enquanto o Defence Force é o quinto, com 29 pontos em 16 jogos após o triunfo sobre o North East Star, e o San Juan Jabloteh, superado pelo Police, ocupa o penúltimo posto, com apenas 11 pontos;

Nicarágua

- Atual hexacampeão nacional, o Real Estelí aproveitou a semana de duelos decisivos, bateu seus rivais Walter Ferretti e Diriangén e abriu vantagem na ponta do Clausura da Liga Nacional, com 36 pontos em 17 partidas. O Cacique é o segundo, com 32 pontos, enquanto os Rojinegros ocupam o terceiro lugar, com 29 pontos e há quatro partidas sem vencer;

Cuba

- Com uma goleada por 4×1 sobre o Holguín, o Ciego de Ávila segue isolado na liderança do Campeonato Nacional, com 19 pontos em 8 jogos. O Camagüey bateu o Sancti Spíritus e assumiu a segunda posição, com 17, quanto o atual tricampeão nacional Villa Clara é o terceiro, com 15 pontos, após triunfo sobre o lanterna Pinar del Río;

Haiti

- O America dês Cayes segue na ponta da Digicel Première Division, com 7 pontos em 3 partidas, seguido por Cavaly, Baltimore e Tempête, com 5. Atual campeão, o Mirebalais é o nono, com apenas um ponto em 2 jogos, enquanto o Racing Club Haïtien, maior campeão nacional, ainda não estreou na competição.