A Copa do Mundo foi mesmo um fenômeno nos Estados Unidos. A campanha da seleção americana acabou parando nas oitavas de final, mesmo com o bom desempenho, mas parece que os americanos viveram a Copa como nunca antes. A audiência nos canais que transmitiram o torneio aumentou significativamente em relação à última edição e já cria uma expectativa forte para a Copa América de 2016, que unirá os times da América do Sul, central e do Norte no torneio que comemorará o centenário da competição.

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Mais de 26,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos assistiram à final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina, segundo dados levantados pela Nielsen. Foram 17,3 milhões de pessoas no canal ABC, outros 9,2 milhões na Univision, que transmite os jogos em espanhol. Além disso, outras 750 mil pessoas assistiram ao jogo nos serviços online das emissoras. Em 2010, a final entre Espanha e Holanda foi assistida por 24,7 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Esse número foi alcançado no empate por 2 a 2 entre a seleção americana e Portugal no torneio deste ano.

A ESPN, principal canal esportivo dos Estados Unidos, teve uma média de audiência de 4,56 milhões de pessoas. Em 2002, a média tinha sido de 1,04 milhão. Segundo Scott Guglielmino, vice-presidente de programação da ESPN, uma das detentoras dos direitos de transmissão, a audiência não foi uma grande surpresa, porque o interesse na Copa aumentou no país. Mas o executivo admite que o torneio como um todo excedeu as expectativas para a ESPN e foi uma surpresa no modo como a Copa permeou a cultura americana, algo que não tinha acontecido com essa mesma intensidade nas Copas anteriores.

Os dados levantados pela Nielsen mostram que a média de audiência de todos os 64 jogos da Copa aumentou em 39% em relação a 2010 na ESPN e na ABC, e 39% na Univision. Os motivos levantados por Juan Carlos Rodríguez, presidente da Univision, para o sucesso do torneio foram os jogos mais ofensivos e abertos, o que atraiu a atenção do público. Além disso, o fato da Copa ter histórias que transcendem o campo de jogo, como a suspensão de Suárez, também ajudou.

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Tanto ESPN quanto Univision investiram muito para fazer uma grande cobertura no Brasil. Contrataram importantes ex-jogadores para comentar os jogos e participar de debates nos programas do canal, além de ter uma grande equipe no país para cobrir os jogos, o ambiente e tudo que acontecia na Copa. Os dois canais não terão os direitos de transmissão da próxima Copa do Mundo, na Rússia, em 2018. Quem transmitirá o torneio será o Fox Sports, que tem investido pesado no futebol no mundo todo, conseguindo como mais recente trunfo tirar a Copa da ESPN, uma emissora que nos Estados Unidos é muito poderosa.

“Nós somos a verdadeira casa do futebol na América, independentemente do idioma”, disse Rodríguez. Para o executivo da Univision, a Copa America Centenario, em 2016, terá audiência ainda maior. O torneio comemorará o centenário da Copa América, torneio das seleções sul-americanos, mas que terá nesta edição a participação de times da Concacaf e será disputada nos Estados Unidos.

A Copa América do centenário é o primeiro passo por uma Libertadores de todas as Américas, como já dissemos aqui. É um passo importante para uma maior integração entre a Concacaf e a Conmebol, algo que será benéfico para todos. E o presidente da Univision sabe que esse pode ser um passo essencial para que o interesse pelo futebol nos Estados Unidos um patamar ainda maior, especialmente por estar em território americano.

E m2016, talvez os americanos sintam um pouco do que é receber um torneio de futebol tão importante. Em 1994, eles não eram um país de futebol. Passados 20 anos, os americanos são cada dia mais uma nação de futebol, e não mais só por causa dos latinos que vivem por lá.

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