Ilkay Gündogan é daqueles jogadores que ficaram aquém de seu potencial por culpa das lesões. A qualidade do meio-campista esteve expressa em muitos momentos de sua carreira, especialmente no Borussia Dortmund. Contudo, os problemas físicos minaram muitas oportunidades ao alemão – como, por exemplo, na Copa do Mundo de 2014 ou na Euro 2016. Sua chegada ao Manchester City na temporada passada demarcava uma nova fase, com talento para ser o motor do time de Pep Guardiola. Mas, de novo, duas contusões sérias no joelho atrapalharam sua sequência. Em 2017/18, enfim, Gündogan está inteiro. E se não é titular absoluto nos Citizens, gradualmente ressalta o seu valor. Nesta terça, fez uma partidaça, determinante na goleada por 4 a 0 sobre o Basel pela Liga dos Campeões.

A recuperação completa de Gündogan aconteceu em setembro, após perder as primeiras rodadas ainda pelo rompimento do ligamento cruzado do joelho. Sem fazer a pré-temporada de maneira adequada, o meio-campista precisou correr atrás do prejuízo durante o primeiro semestre. E esteve satisfeito em ser um reserva útil a Guardiola. Com a trinca intocável formada por Fernandinho, David Silva e Kevin de Bruyne, o camisa 8 quase sempre era uma opção a partir do banco. Já nos últimos meses de 2017, reafirmou seus predicados com algumas boas atuações, em especial na goleada por 4 a 1 sobre o Tottenham pela Premier League e na classificação suada contra o Burnley na Copa da Inglaterra.

O elenco curto do Manchester City concedeu minutos a mais para Gündogan. O alemão se tornou titular nos jogos mais recentes e tem cumprido bem seu papel. Até o principal brilho acontecer nesta rodada da Liga dos Campeões. Tudo bem, o Basel não é grande parâmetro, sobretudo pela maneira como os Citizens puderam exercer seu controle no St. Jakob-Park. Mas se os celestes atropelaram os suíços com tal soberania, o camisa 8 possui seu destaque individual. Em uma noite na qual Kevin de Bruyne esteve menos inspirado que o costume, coube a ele roubar a cena. Foi importante na distribuição de jogo, ajudando a ditar o ritmo do confronto. Mas ofereceu ainda mais, com suas subidas constantes ao entorno da área adversária.

Gündogan abriu o placar em uma cabeçada certeira, após cobrança de escanteio, e também fechou a conta em um chutaço de fora da área, mandando a bola no ângulo. Além disso, a goleada poderia ter sido maior. O alemão finalizou quatro vezes, mais do que qualquer outro em campo. Não chegou à tripleta por duas defesaças do goleiro Tomás Vaclik. Já sem a bola, impressionou a sua voracidade no combate, encarando os oponentes e os travando na intermediária. O camisa 8 totalizou seis desarmes, também líder no quesito – e, em uma disputa nos minutos finais, levou o amarelo ao se estranhar com Serey Dié. Ao lado de Bernardo Silva, outro que busca sua afirmação, o meio-campista terminou como um dos melhores da noite.

A ótima exibição de Gündogan não fez bem apenas aos olhos de Guardiola, aliás. Joachim Löw estava nas arquibancadas e certamente gostou do que viu. Não será nenhuma surpresa se ele aparecer na convocação da seleção alemã para os amistosos de março, contra Espanha e Brasil. O meio-campista foi titular nos últimos compromissos do Nationalelf, contra França e Inglaterra, em novembro. Voltava após um ano longe da equipe nacional. E por mais que existam boas alternativas no setor, não há dúvidas de que há espaço para um talento do calibre do camisa 8, ainda mais se forem consideradas as funções diferentes que pode cumprir.

Aos 27 anos, Gündogan tem muito a caminhar em sua carreira. Sua recuperação vem em boa hora, diante dos muitos momentos infelizes que encarou nos últimos anos. O meio-campista não possui o protagonismo que muitos esperavam quando despontou, mas consistência que demonstra recentemente já vale demais. Torna-se importante no elenco do melhor time da Inglaterra e recobra o seu lugar na seleção tetracampeã mundial. Em um futebol intenso, que depende das rotações, o camisa 8 encontra a oportunidade de restabelecer sua reputação. Justamente em um semestre no qual tende a experimentar grandes campanhas e levantar taças.