Você acha que as camisas de futebol estão muito caras? O primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, acha. Ele se pronunciou contra o preço estabelecido pela Nike, fornecedora de material esportivo da seleção inglesa, para o uniforme que o time inglês jogará na Copa, £ 90 (€ 106). A fala de Cameron forçou a Nike a se pronunciar e dizer que “não é bem assim”.

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A questão causou controvérsia e a ministra do esporte do Reino Unido, Helen Grant, postou no Twitter uma mensagem falando do alto preço da camisa. “Em relação à camisa da Inglaterra de £ 90, não está certo. Os torcedores leais são a base do nosso esporte nacional. É preciso uma reformulação nos preços”, escreveu Grant.

A assessoria de comunicação do governo britânico respondeu repórteres do país na quarta-feira falando que a posição oficial do gabinete é que concordava com as críticas feitas pela ministra. Falando ao programa Breakfast, da BBC1, na manhã desta quinta-feira, David Cameron, primeiro ministro britânico, foi enfático sobre o alto preço da camisa. “É muito caro. Eu tenho um filho de oito anos, ele é um torcedor de futebol fanático. Os pais sofrem enorme pressão para comprar o último uniforme e nós não podemos ser explorados”, disse.

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Vale lembrar que a Nike assumiu as camisas da Inglaterra em maio de 2013. O uniforme feito pela marca americana foi usada em sete partidas no período. Clive Efford, que é da oposição ao governo no parlamento, disse que o preço é “decepcionante”. Joey Barton, jogador do Queens Park Rangers, disse que o preço é “apavorante”. Cobrar caro é o padrão das marcas esportivas. A camisa da seleção brasileira, por exemplo, que também é da Nike, custa R$ 230 (£ 60).

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A questão tornou-se tão importante que a Football Association (FA, a federação inglesa de futebol) se pronunciou dizendo que “evita qualquer envolvimento com os fabricantes em relação a preço”. O comunicado ainda tenta mostrar que a entidade faz questão de trabalhar pelo futebol. “A FA é uma organização sem fins lucrativos que coloca £ 100 milhões de volta no esporte todo ano. É através de relacionamentos com parceiros como a Nike que nós somos capazes de manter esse nível de investimento no futebol”, diz o texto.

A Nike também se pronunciou sobre o caso e se defendeu. Segundo a marca esportiva, a versão de £ 90 representa a minoria das camisas, uma espécie de versão de luxo. “A Nike gostaria de reiterar que a réplica da camisa da Inglaterra está disponível por £ 60. Há também um número limitado de camisas £ 90 que representa menos de 1% do estoque disponível”, declarou a empresa.

O preço das camisas é alvo de debates há algum tempo, não só no Reino Unido, mas na Europa e, por que não dizer, no mundo. Afinal, cobrar mais de R$ 200, como se cobra por aqui, por uma camisa de futebol parece absurdo, não é? Mas as empresas parecem não se importar. No Brasil, no Reino Unido ou em qualquer lugar do mundo, as marcas parecem explorar essa paixão dos torcedores cobrando uma quantia absurda pelos produtos.

Você consegue imaginar o ministro do esporte brasileiro, Aldo Rebelo, ou a presidente Dilma Rousseff fazendo um pronunciamento semelhante, criticando os preços das camisas de futebol? É impossível imaginar. Mas se acontecesse, também seria visto como uma medida populista. Ou seja: estamos perdidos mesmo.

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