O Brasil foi a Wembley, em meados de novembro, e ficou no 0 a 0. A equipe arrasadora das eliminatórias, com seu time teoricamente titular, teve muitas dificuldades para furar a defesa de uma seleção inglesa bastante desfalcada. Foi apenas um amistoso, e é para isso que servem os amistosos: identificar potenciais problemas, áreas que precisam ser melhoradas, encarar escolas diferentes.

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Porque, de acordo com Renato Augusto, meia da seleção brasileira e homem de confiança do técnico Tite, no futebol sul-americano você não encontra times que se defendem como a Inglaterra. “Você passa por testes para saber o que tem que fazer”, afirmou, em breve conversa com a Trivela, em um evento do Pro Evolution Soccer 2018. “Aqui, no futebol sul-americano, ninguém vai se defender. Podemos jogar até contra a Bolívia. Ela se defende, mas sai para jogar. É diferente da Inglaterra, mesmo jogando em casa”.

O Brasil está ao lado de Suíça, Sérvia e Costa Rica na fase de grupos da Copa do Mundo. Para Renato Augusto, principalmente as seleções europeias apresentarão dificuldades parecidas com as da Inglaterra. “Vão se defender da mesma forma, atacando com dois, defendendo com dez, e pronto. O sul-americano não. Ele pode defender com dez, mas ataca com seis, com sete, então foi um teste interessante”, explicou, e acrescentou que os desfalques fizeram a Inglaterra se fechar ainda mais. “Se pegássemos o time completo, talvez não ficassem tão atrás. Essa é a grande dificuldade. Por isso que foi tão interessante esse teste”, disse.

Renato Augusto não quis nomear jogadores que poderiam ser convocados para a sua posição, mas uma das alternativas táticas seria a entrada de Coutinho no meio-campo. “Eu não me garanti como titular e nem como convocado. Mas isso é com o Tite e a comissão dele. Temos jogadores de muita qualidade”, afirmou. “Ele já testou dessa forma (com Coutinho). Acho que para ser campeão, você precisa ter variações para às vezes talvez mudar a equipe”.

Renato Augusto está desde 2016 no Beijing Guoan, da China, para onde foi depois de ser um dos principais jogadores do título brasileiro do Corinthians e onde deve ficar por bastante tempo. No começo de novembro, renovou seu contrato até 2021. “(Renovei) por estar feliz, por ter sido procurado. Nenhum outro clube me procurou. Eu entraria no meu último ano de contrato e eles me procuraram. Foi por isso”, explicou.

O jogador de 29 anos não coloca um retorno à Europa no topo da sua lista, mas também não o descarta. ” Tudo pode acontecer. Mas joguei cinco anos na Alemanha (Bayer Leverkusen). Joguei Champions League, passei por algumas coisas, não é prioridade na minha vida. Mas, claro, se vier uma oportunidade, eu voltaria”, encerrou.