Há cinco anos, Aaron Ramsey deixou o Cardiff City rumo ao Arsenal com muita expectativa de que fosse se desenvolver em um grande jogador. O Manchester United tinha disputado sua contratação com o Arsenal ferozmente, quase conseguindo levá-lo a Old Trafford, mas o clube londrino levou a melhor e garantiu sua chegada. Por um bom tempo, toda aquela luta para ter o meia pareceu ter sido a toa. Ramsey nunca havia correspondido às expectativas e ainda se contundia facilmente. Cinco anos depois, o retorno do galês à sua cidade-natal foi como a saída: em alta. Sua reviravolta recente propiciou isso.

Torcedor do Manchester United na infância, era de se imaginar que a escolha óbvia de Ramsey em 2008 seria o clube de Old Trafford. Um conselho de um dos membros da comissão técnica do Cardiff na época, no entanto, o convenceu de que o Estádio Emirates seria um melhor destino para ele: “Considere o Arsenal, por causa da maneira que eles jogam e da maneira que você joga”. Demorou um bom tempo para que essas palavras se confirmassem, mas enfim, em 2013, provaram-se acertadas.

Aos 22 anos, Ramsey construiu sua própria reviravolta no futebol. As sucessivas lesões pelas quais passou desde que havia chegado ao Arsenal foram minando cada vez mais as expectativas dos torcedores e da imprensa de que um dia fosse se tornar o que dele era esperado na época da contratação. Até o ano passado, o nome dele já nem era tão lembrado, e seus gols eram tão raros que lhe valeram até uma brincadeira, de que “sempre que marcava, uma celebridade morria”. Hollywood deve ter por algum momento estremecido no começo dessa temporada quando começou a ver as atuações do galês.

A sensação é de que, em apenas uma temporada, Ramsey quer entregar tudo o que não pôde nas anteriores. Suas atuações têm sido constantemente decisivas, às vezes brilhantes, e é seguro dizer que até mesmo superam as expectativas iniciais, lá de 2008. Afinal, para um jogador que não joga posicionado lá na frente, 13 gols e quatro assistências em 20 jogos são números melhores que qualquer torcedor poderia esperar. Na Premier League, mais especificamente, é o grande destaque e artilheiro do time, com oito tentos.

Ramsey voltou neste sábado a Cardiff, enfrentando o time pela primeira vez pela Premier League. Mais uma vez, foi decisivo, marcando os gols que abriram e fecharam o placar na vitória por 3 a 0. Não comemorou, como é de praxe de atletas que balançam a rede de um time que um dia defenderam. O que não foi de praxe foi a reação da torcida galesa a seus gols: aplausos. As pessoas que o viram crescer reconhecem sua superação. Mais do que um diamante tardiamente lapidado, é uma joia forjada para ser resistente. Após cinco anos de mais motivos para lamentar que comemorar, Ramsey retornou à cidade-natal como a deixou, em alta.