O Real Madrid que o Borussia Dortmund terá pela frente nas quartas de final da Liga dos Campeões é diferente daquele que os aurinegros eliminaram na semifinal da temporada passada. É um time mais contundente, que contratou o perigosíssimo Gareth Bale e que tem agora um Karim Benzema em uma de suas melhores fases. O Dortmund também já não é mais o mesmo. Juntando tudo isso ao fato de que os alemães não terão seu matador Robert Lewandowski são motivos suficientes para poucos apostarem em uma derrota madridista, mas pelo menos uma boa notícia os comandados de Jürgen Klopp têm: Marco Reus está de volta e pode decidir partidas.

Depois de se recuperar de um problema muscular que o tirou das últimas duas partidas do Borussia na Bundesliga, Reus, que também havia desfalcado o time há três rodadas por suspensão, precisou de menos de 30 minutos em campo para fazer seu gol no triunfo sobre o Hannover. É verdade que, quando entrou, o jogo estava praticamente definido, com um 2 a 0 no placar. É verdade também que antes do gol, o jogador perdeu uma chance incrível, dentro da área, de frente para o goleiro, isolando sobre a meta. Ainda assim, ele retornou e pode ser a chave para um resultado positivo do Dortmund diante do Real no jogo de ida.

Ao lado de Lewandowski, Reus é o grande responsável por decidir partidas para os aurinegros. Sim, Henrikh Mkhitaryan e Pierre-Emerick Aubameyang, por exemplo, também têm muita qualidade, mas a dupla anterior está um patamar acima neste quesito. Sem o camisa 9, que na temporada passada acabou com o Real Madrid com quatro gols em uma só partida, a esperança para o primeiro jogo das quartas parece ter se esvaído, mas a volta de Reus dá a Klopp uma ótima opção ofensiva.

O contra-ataque foi uma das grandes características do Borussia Dortmund na bem-sucedida temporada passada. Contra um time como o Real de Carlo Ancelotti, ter isso à disposição significar ter um caminho para o gol. A equipe espanhola é bastante ofensiva. Conta apenas com três meio-campistas (Luka Modric, Ángel Di María e Xabi Alonso), nenhum deles com forte característica de marcação, além de jogar com um trio ofensivo formado por Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema. Os dois primeiros não costumam voltar para ajudar na marcação pelas pontas, justamente onde atua Reus. Para melhorar ainda mais para os alemães, o lateral responsável pelo flanco em que joga Reus é Daniel Carvajal, que tem muito mais aptidão ofensiva que defensiva.

É a esse conjunto de circunstâncias que o Dortmund deverá se agarrar para conseguir causar algum dano a um time tão eficiente. Ver o homem que será o grande responsável por carregar com velocidade a bola ao campo de ataque nos contragolpes voltar de um curto período de ausência já marcando um gol dá aos aurinegros um motivo para sorrir, em meio a inúmeras razões para se preocupar.