No último domingo terminou o melhor Campeonato Italiano dos últimos tempos. Não deixamos o vazio invadir os corações dos nossos leitores e os enchemos de saudades: hoje, começamos a retrospectiva da temporada 2017-18. Na primeira parte do nosso célebre especial, tratamos da turma que brigou contra o rebaixamento. Confira!

Benevento

Cheick Diabate, do Benevento (Photo by Francesco Pecoraro/Getty Images)

A campanha: 20ª colocação, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates e 29 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 20ª posição, 4 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Perugia.
Ataque e defesa: 33 gols marcados (o terceiro pior) e 84 sofridos (a pior)
Time-base: Brignoli (Belec, Puggioni); Venuti, Djimsiti, Costa (Tosca), Letizia; Memushaj (Sandro), Cataldi, Viola; Lombardi (D’Alessandro), Coda (Diabaté), Brignola (Guilherme, Ciciretti).
Artilheiros: Cheick Diabaté (8 gols), Massimo Coda (4) e Enrico Brignola (3)
Técnicos: Marco Baroni (até a 9ª rodada) e Roberto De Zerbi (10ª em diante)
Os destaques: Cheick Diabaté, Enrico Brignola e Sandro
A decepção: Fabio Lucioni
A revelação: Enrico Brignola
Quem mais jogou: Lorenzo Venuti (31 jogos), Berat Djimsiti (30) e Gaetano Letizia (29)
O sumido: Luca Antei
Melhor contratação: Cheick Diabaté
Pior contratação: Achraf Lazaar

O Benevento do primeiro turno seria lanterna isolado da Serie A; o do segundo se salvaria do rebaixamento. Feita a média entre as duas caras do time, ficou confirmado: os simpáticos bruxinhos voltam para a Serie B após apenas um ano na elite. A equipe campana se despede com alguns feitos: foi o time que mais demorou para pontuar num campeonato (14 rodadas), o que somou mais derrotas numa única edição e o que conquistou menos pontos como visitante (2), além de registrar a pior defesa num torneio com 20 participantes (ao lado do Pescara de 2016-17).

Outro número impressionante diz muito sobre a campanha do Benevento: a equipe utilizou 40 jogadores ao longo da temporada, menos apenas que o Ancona de 2003-04 (que usou 46). Grande parte dos contratados na janela de verão não emplacou e alguns até saíram em janeiro, quando o clube modificou muito o elenco e fechou com Sagna, Tosca, Sandro, Guilherme e Diabaté. A troca de Baroni por De Zerbi começou a surtir efeito no fim de 2017, mas os sanniti tiveram de fato uma melhora substancial a partir da incorporação dos novos contratados e da utilização do prata da casa Brignola. Não deu tempo de conquistar a salvação, mas ao menos o time pode se despedir da elite com dignidade, oferecendo dificuldades a Juventus e Inter e ficando invicto contra o Milan – inclusive com uma vitória em San Siro.

Verona

Romulo, do Verona (Photo by Valerio Pennicino/Getty Images)

A campanha: 19ª colocação, 25 pontos. 7 vitórias, 4 empates e 27 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 19ª posição, 13 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Milan.
Ataque e defesa: 30 gols marcados (o 2º pior) e 78 sofridos (a 2ª pior)
Time-base: Nícolas; Ferrari, Caracciolo, Heurtaux (Vukovic), Fares (Souprayen); Rômulo, Büchel (B. Zuculini), Valoti (Daniel Bessa, Fossati), Verde; Cerci, Kean (Petkovic).
Artilheiros: Moise Kean e Giampaolo Pazzini (4 gols)
Técnico: Fabio Pecchia
Os destaques: Rômulo, Moise Kean e Nícolas
A decepção: Bruno Petkovic
A revelação: Lee Seung-woo
Quem mais jogou: Rômulo (37 jogos), Nícolas (36) e Antonio Caracciolo (33)
O sumido: Matteo Bianchetti
Melhor contratação: Moise Kean
Pior contratação: Bruno Petkovic

O rebaixamento do Verona tem grande responsabilidade da diretoria. O corpo diretivo do Hellas optou por dar prosseguimento ao trabalho do técnico Pecchia, que já havia sido muito questionado por causa de uma campanha opaca na segundona, e insistiu por toda a temporada em um treinador que não trazia resultados nem um estilo de jogo atraente. Mesmo com um elenco razoável, o Hellas passou todo o campeonato na parte mais baixa da tabela, sem dar sinais concretos de melhora.

Outro erro dos scaligeri foi deixar Pazzini sair, curvando-se às vontades de Pecchia. O experiente atacante não vinha sendo muito utilizado pelo técnico e, à margem do projeto, foi negociado com o Levante – Petkovic, seu substituto, fechou a temporada sem um mísero gol na Serie A. Num elenco com qualidade técnica baixa, cujo jogador mais criativo – o atacante Cerci – convive com problemas físicos e motivacionais, ter um atacante experiente, que “acha gols”, é muito importante. Uma prova de que o Pazzo poderia ter colaborado é que, mesmo com apenas 19 partidas pelo Hellas, ele ainda concluiu o campeonato na artilharia da equipe. No final das contas, o capitão Rômulo lutou muito para manter o Verona de pé, mas seu espírito agonístico e a vontade dos garotos Kean, Fares e Verde não foram suficientes.

Crotone

Alex Cordaz, do Crotone (Photo by Maurizio Lagana/Getty Images)

A campanha: 18ª colocação, 35 pontos. 9 vitórias, 8 empates e 21 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 18ª posição, 15 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Genoa.
Ataque e defesa: 40 gols marcados e 66 sofridos (o terceiro pior)
Time-base: Cordaz; Sampirisi (Faraoni), Ceccherini, Capuano (Ajeti), Martella; Barberis, Mandragora, Stoian; Trotta, Budimir (Simy), Nalini (Rohdén).
Artilheiros: Simy (7 gols), Marcelo Trotta (7) e Ante Budimir (6)
Técnicos: Davide Nicola (até a 15ª rodada) e Walter Zenga (16ª em diante)
Os destaques: Simy, Rolando Mandragora e Alex Cordaz
A decepção: Oliver Kragl
A revelação: Marco Tumminello
Quem mais jogou: Alex Cordaz (38 jogos), Andrea Barberis (38) e Federico Ceccherini (37)
O sumido: Aleksandar Tonev
Melhor contratação: Rolando Mandragora
Pior contratação: Aristóteles Romero

O Crotone fez um ponto a mais que na última temporada, mas dessa vez acabou rebaixado. O pequeno time calabrês lutou até o fim, mas não conseguiu o segundo milagre consecutivo. Os tubarões até conseguiram bons resultados em casa (como o empate contra a Juventus, vitória sobre a Fiorentina e goleadas diante de Sampdoria e Sassuolo), mas tiveram o terceiro pior aproveitamento longe de seus domínios. A falta de resultados fora da Calábria e o início lento sob o comando de Nicola acabaram pesando.

O ataque, inicialmente formado apenas por Budimir e Trotta, demorou a engrenar e só funcionou mesmo quando o nigeriano Simy ganhou mais espaço. O desequilíbrio entre dois setores que lutavam muito (a defesa, com o capitão Cordaz e Ceccherini, e o meio, com Barberis e Mandragora) e um outro improdutivo por grande parte da campanha foi fatal. Se Zenga tivesse chegado antes para consertar esses erros, o resultado poderia ter sido outro. Embora disputar duas vezes seguidas a Serie A já seja um feito para um time modesto como o Crotone, a sensação que ficou é que a equipe tinha condições de permanecer.

Spal

A campanha: 17ª colocação, 38 pontos. 8 vitórias, 14 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 17ª posição, 15 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Cittadella.
Ataque e defesa: 39 gols marcados e 59 sofridos
Time-base: Gomis (Meret); Salamon (Thiago Cionek), Vicari, Felipe; Lazzari, Schiattarella (Kurtic), Viviani, Grassi, Mattiello (Costa); Paloschi, Antenucci.
Artilheiros: Mirco Antenucci (11 gols) e Alberto Paloschi (7)
Técnico: Leonardo Semplici
Os destaques: Mirco Antenucci, Filippo Costa e Manuel Lazzari
A decepção: Marco Borriello
A revelação: Alex Meret
Quem mais jogou: Manuel Lazzari (36 jogos), Alberto Paloschi (36) e Francesco Vicari (34)
O sumido: Pa Konate
Melhor contratação: Alberto Grassi
Pior contratação: Pa Konate

E a Spal fez história. O pequeno clube da Emília-Romanha provou mais uma vez que, quando está na primeira divisão, é um osso duro de roer: os spallini disputaram 17 edições da Serie A e foram rebaixados apenas duas vezes. Neste campeonato, nenhum time entre os 10 últimos colocados perdeu menos do que a Spal. Pontuar, nem que seja através de empates amarrados, foi a chave da salvação da equipe de Ferrara, que continuará na elite por pelo menos mais uma temporada, depois de amargar uma ausência de quase cinco décadas.

Semplici montou um time muito organizado, sempre baseado num 3-5-2, com jogadores fortes fisicamente em todos os setores, que protegiam uma meta bem guardada: tanto o titular, Meret (que perdeu parte da temporada por lesão), quanto o reserva, Gomis, deram conta do recado com muita segurança. A defesa mesclou a experiência de Felipe e Cionek com o vigor de Vicari, auxiliada pelos incansáveis Mattiello, Costa e Lazzari – os dois últimos ficaram entre os mais valorizados em suas posições. Viviani deu as cartas no meio-campo, com Kurtic e Grassi aparecendo na área para se infiltrar. Apesar dos altos e baixos, Paloschi fez uma temporada digna – o mesmo não pode se dizer de Borriello, descartado antes mesmo do mercado de reparação. Mas o destaque do time foi mesmo o capitão Antenucci: com 33 anos, o atacante marcou seus primeiros gols na elite e ainda deu seis assistências, contribuindo sozinho com quase metade dos gols dos estensi.

Cagliari

Nicolò Barella, do Cagliari (Photo by Enrico Locci/Getty Images)

A campanha: 16ª colocação, 39 pontos. 11 vitórias, 6 empates e 21 derrotas.
No primeiro turno: 15ª posição, 20 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Pordenone.
Ataque e defesa: 33 gols marcados (o terceiro pior) e 61 sofridos
Time-base: Cragno; Romagna (Andreolli), Ceppitelli, Pisacane (Leandro Castán); Faragò, Ionita, Cigarini, Barella, Padoin; Pavoletti, Diego Farias (João Pedro, Sau).
Artilheiros: Leonardo Pavoletti (11 gols), Nicolò Barella (6) e João Pedro (5)
Técnicos: Massimo Rastelli (até a 8ª rodada) e Diego López (9ª em diante)
Os destaques: Leonardo Pavoletti, Nicolò Barella e Alessio Cragno
A decepção: Marco Sau
A revelação: Filippo Romagna
Quem mais jogou: Simone Padoin (37 jogos), Artur Ionita (36) e Paolo Faragò (35)
O sumido: Daniele Dessena
Melhor contratação: Leonardo Pavoletti
Pior contratação: Gregory van der Wiel

Com mais sorte que juízo, o Cagliari escapou do rebaixamento. Desde 2014, a equipe tem apostado em técnicos insuficientemente capacitados para o comando de um elenco que certamente poderia passar a temporada sem sustos: o time é razoável e tem alguns nomes muito talentosos, mas entrou na zona da degola na antepenúltima rodada e só confirmou a permanência no último fim de semana da competição.

Rastelli foi o primeiro técnico demitido na temporada e López até conseguiu dar uma maior organização defensiva ao time sardo logo em sua chegada. O impacto inicial não se manteve, porém, e bons valores individuais, como o goleiro Cragno, os zagueiros Romagna e Leandro Castán e o incansável Padoin tiveram dificuldade de segurar as pontas. O time rossoblù também sofreu com a suspensão de João Pedro e a baixa produção ofensiva de Diego Farias e Sau, compensada em partes pelo aumento da média de gols do excelente meia central Barella. Rei da grande área, Pavoletti voltou a ter uma boa temporada após o fracasso no Napoli: Pavogol anotou um terço dos tentos da equipe, nove deles de cabeça.

Bologna

Simone Verdi, do Bologna (Photo by Mario Carlini / Iguana Press/Getty Images)

A campanha: 15ª colocação, 38 pontos. 11 vitórias, 6 empates e 21 derrotas.
No primeiro turno: 12ª posição, 24 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Cittadella.
Ataque e defesa: 40 gols marcados e 52 sofridos
Time-base: Mirante; Mbaye (Krafth), Helander, De Maio (González), Masina; Poli, Pulgar, Donsah (Dzemaili); Verdi, Destro (Di Francesco), Palacio.
Artilheiros: Simone Verdi (10 gols), Mattia Destro (6) e Rodrigo Palacio (4)
Técnico: Roberto Donadoni
Os destaques: Simone Verdi, Erick Pulgar e Antonio Mirante
A decepção: Ibrahima Mbaye
A revelação: Orji Okwonkwo
Quem mais jogou: Simone Verdi (34 jogos), Adam Masina (34) e Antonio Mirante (33)
O sumido: Ladislav Krejci
Melhor contratação: Rodrigo Palacio
Pior contratação: Cheick Keita

Nem tão frágil para flertar com o rebaixamento nem tão forte para brigar por vagas europeias. Pela terceira vez seguida, Donadoni conduziu o Bologna a uma temporada sem sustos e grandes estripulias, concluída no meio da tabela. Os felsinei só venceram um adversário da parte de cima da tabela (a Sampdoria, nona colocada), mas fizeram a sua parte contra os times mais fracos.

O time rossoblù até teve seu melhor início de campeonato desde 2001-02, mas depois acabou caindo de produção, devido a uma lesão sofrida por Verdi, seu principal jogador, e à acomodação provocada pelo fato de ter alcançado seu objetivo cedo demais. Embora alguns atletas (como Pulgar, Mirante, Palacio e Okwonkwo) tenham feito bons jogos, o único que realmente brilhou na temporada foi Verdi. Líder em gols de falta na temporada (foram três), o fantasista da seleção italiana teve seu ano mais prolífico. Ele recusou o Napoli em janeiro, mas continua cobiçado pelos grandes.

Udinese

Kevin Lasagna, da Udinese (Photo by Mario Carlini / Iguana Press/Getty Images)

A campanha: 14ª colocação, 40 pontos. 12 vitórias, 4 empates e 22 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Napoli.
Ataque e defesa: 48 gols marcados e 63 sofridos
Time-base: Bizzarri; Nuytinck, Danilo, Samir; Stryger Larsen (Widmer), Barák, Fofana (Behrami, Balic), Jankto, Adnan; De Paul; Lasagna (Maxi López).
Artilheiros: Kevin Lasagna (12 gols) e Antonín Barák (7)
Técnicos: Luigi Delneri (até a 13ª rodada), Massimo Oddo (14ª à 34ª rodada) e Igor Tudor (34ª em diante)
Os destaques: Antonín Barák, Kevin Lasagna e Jakub Jankto
A decepção: Stipe Perica
A revelação: Andrija Balic
Quem mais jogou: Rodrigo De Paul (37 jogos), Jakub Jankto (36) e Antonín Barák (34)
O sumido: Simone Scuffet
Melhor contratação: Antonín Barák
Pior contratação: Riad Bajic

A Udinese foi o time mais bipolar da temporada italiana, capaz de, em casa, levar 6 a 2 da Juventus ou 4 a 0 da Inter e de fazer 3 a 1 sobre os próprios nerazzurri em pleno San Siro. A equipe friulana começou o campeonato com resultados muito irregulares, mas depois que trocou Delneri por Oddo, teve um dezembro perfeito, com cinco vitórias em cinco jogos. Parecia que, depois de quatro anos sombrios, os bianconeri poderiam concluir 2017-18 entre os dez primeiros colocados. Ledo engano: na sequência, a Udinese perdeu 11 jogos seguidos e ficou 13 rodadas sem vencer. Com a forte ameaça de rebaixamento, Tudor apareceu para salvar a equipe na reta final da campanha. Só os friulanos tiveram três diferentes treinadores no certame.

Nos melhores momentos da Udinese no campeonato, sempre estiveram presentes o motorzinho Jankto, o cerebral De Paul e os estreantes Barák e Lasagna. O meia-atacante checo colaborou com sete gols e três assistências, mas viveu um jejum de quatro meses no pior momento dos bianconeri. Já Lasagna continuou marcando gols, como nos tempos de Carpi, e foi um dos melhores em sua posição na temporada – a lesão que lhe tirou dos campos entre fevereiro e março prejudicou muito a agremiação de Údine.

Chievo

Roberto Inglese, do Chievo (Photo by Alessandro Sabattini/Getty Images)

A campanha: 13ª colocação, 40 pontos. 10 vitórias, 10 empates e 18 derrotas.
No primeiro turno: 13ª posição, 21 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Verona.
Ataque e defesa: 36 gols marcados e 59 sofridos
Time-base: Sorrentino; Cacciatore, Tomovic, Gamberini (Dainelli, Bani), Gobbi; Castro (Bastien), Radovanovic, Hetemaj; Birsa; Pucciarelli (Giaccherini, Meggiorini), Inglese.
Artilheiros: Roberto Inglese (12 gols) e Mariusz Stepinski (5)
Técnicos: Rolando Maran (até a 35ª rodada) e Lorenzo D’Anna (36ª em diante)
Os destaques: Roberto Inglese, Stefano Sorrentino e Fabrizio Cacciatore
A decepção: Manuel Pucciarelli
A revelação: Pawel Jaroszynki
Quem mais jogou: Stefano Sorrentino (38 jogos), Ivan Radovanovic (35) e Valter Birsa (35)
O sumido: Riccardo Meggiorini
Melhor contratação: Emanuele Giaccherini
Pior contratação: Gianluca Gaudino

Depois de quase uma década de relativa tranquilidade na Serie A, o Chievo flertou com o rebaixamento em 2017-18. O técnico Maran era o segundo com mais tempo de cargo na Itália, atrás apenas de Max Allegri, mas não conseguiu acertar a equipe defensivamente, como é de seu feitio, e foi sacado em favor do interino D’Anna. Os clivensi voltaram a ter problemas na zaga por causa do envelhecimento do time, como na temporada anterior, mas dessa vez os resultados foram mais pobres. Com a defesa desarrumada, a habitual falta de gols dos burros alados pesou e a quantidade de pontos conquistados pelo time de Verona diminuiu.

No primeiro turno, os problemas enfrentados pelo Chievo ainda eram contornáveis, embora a equipe passasse longe de ser brilhante. A falta de vivacidade dos veroneses passava pela severa queda de produção do esloveno Birsa e pelo fato de o bom atacante Pucciarelli não ter conseguido incidir no time. Quando Inglese não podia jogar, o time sofria – e mesmo quando jogava, pois o centroavante sofria para receber a bola em boas condições. O Chievo chegou a ter a pior pontuação de 2018 entre as equipes italianas (e uma das piores nos cinco maiores campeonatos europeus) durante a maior parte do segundo turno da Serie A. Até entrou na zona de rebaixamento, mas o susto acordou o time e gols decisivos de Giaccherini deram uma nova oportunidade aos clivensi na elite.

Genoa

Mattia Perin, do Genoa (Photo by Paolo Rattini/Getty Images)

A campanha: 12ª colocação, 41 pontos. 11 vitórias, 8 empates e 19 derrotas.
No primeiro turno: 16ª posição, 18 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 33 gols marcados (o terceiro pior) e 43 sofridos
Time-base: Perin; Spolli (Izzo), Rossettini, Zukanovic; Biraschi (Rosi, Lazovic), Hiljemark (Taarabt), Miguel Veloso (Rigoni), Bertolacci, Laxalt; Lapadula, Pandev (Galabinov).
Artilheiros: Gianluca Lapadula (6 gols) e Goran Pandev (5)
Técnicos: Ivan Juric (até a 12ª rodada) e Davide Ballardini (13ª em diante)
Os destaques: Mattia Perin, Ervin Zukanovic e Diego Laxalt
A decepção: Petar Brlek
A revelação: Eddie Salcedo
Quem mais jogou: Mattia Perin (37 jogos) e Andrea Bertolacci (33)
O sumido: Santiago Gentiletti
Melhor contratação: Ervin Zukanovic
Pior contratação: Andrei Galabinov

Saudades do velho catenaccio? Pois o Genoa de Ballardini proporcionou uma das mais efetivas demonstrações do clássico estilo defensivo nesta temporada: pensando em não sofrer gols e marcar apenas quando tinha oportunidade, a equipe rossoblù chegou a ter uma das melhores campanhas do returno, até cumprir o objetivo de permanecer na elite e relaxar um pouco. Em sua terceira passagem pelo clube, o treinador consertou os defeitos de Juric, seu antecessor, e proporcionou um ano tranquilo no Marassi.

No sistema defensivo, é claro, se concentraram os destaques individuais do elenco. Durante boa parte da gestão de Ballardini, os defensores Zukanovic, Rossettini e Spolli viveram alguns dos melhores momentos de suas carreiras e formaram um muro quase intransponível – que ainda tinha o excelente Perin como guardião. Vale destacar que, nesta temporada, jogadores que estavam em baixa, como Bertolacci, Hiljemark, Lapadula, Pandev e Pepito Rossi também conseguiram se reencontrar.

Sassuolo

Matteo Politano, do Sassuolo (Photo by Alessandro Sabattini/Getty Images)

A campanha: 11ª colocação, 43 pontos. 11 vitórias, 10 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 14ª posição, 21 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Atalanta.
Ataque e defesa: 29 gols marcados (o pior) e 59 sofridos
Time-base: Consigli; Goldaniga (Lemos), Acerbi, Peluso; Lirola, Duncan (Mazzitelli, Sensi), Magnanelli, Missiroli, Adjapong (Rogério); Politano, Berardi
Artilheiros: Matteo Politano (10 gols), Domenico Berardi (4) e Alessandro Matri (3)
Técnicos: Cristian Bucchi (até a 14ª rodada) e Giuseppe Iachini (15ª em diante)
Os destaques: Matteo Politano, Andrea Consigli e Francesco Acerbi
A decepção: Domenico Berardi
A revelação: Rogério
Quem mais jogou: Francesco Acerbi (38 jogos), Andrea Consigli (37) e Matteo Politano (36)
O sumido: Davide Biondini
Melhor contratação: Rogério
Pior contratação: Edoardo Goldaniga

Os cartolas do Sassuolo devem ter aprendido uma lição. Quando você perde seu treinador e jogadores relevantes do plantel, é necessário contratar um profissional. Você precisa de Iachini, não de um técnico sem características especiais ou um currículo pouco lisonjeiro, como Bucchi. O cara do boné pode até parecer meio tosco, xingando todo mundo à beira do campo, mas consegue montar times eficientes e supera objetivos iniciais. Foi assim com o Palermo e também com a equipe neroverde, que conseguiu escapar do rebaixamento com o pior ataque do campeonato e ainda terminar a campanha na 11ª posição.

Conhecendo a predileção de Iachini por contra-ataques, não surpreendeu o fato de o Sassuolo ter tido desempenho melhor fora de casa do que em Reggio Emilia. Após começar a temporada muito mal, a equipe emiliana cresceu na reta final da temporada e até conseguiu ficar oito jogos invicta, muito pelas boas atuações coletivas e pelos esforços de Consigli, Acerbi, Lemos e Magnanelli. No ataque, enquanto Berardi mais uma vez teve um ano bem abaixo das expectativas, Politano explodiu de vez: o jogador criado na Roma marcou um terço dos gols dos neroverdi e ainda contribuiu com quatro assistências. O atacante foi importante contra Juventus, Napoli, Milan, Fiorentina, Sampdoria e Inter e será a próxima grande venda do Sassuolo.