Ontem, iniciamos a retrospectiva da excelente Serie A 2017-18. Na ocasião, analisamos as campanhas dos times classificados na parte mais baixa da tabela e agora iremos falar dos 10 primeiros do campeonato. Confira os feitos da Juventus, heptacampeã inédita da competição, do Napoli de Sarri e também de outras equipes que tiveram momentos marcantes na temporada, como Roma, Inter, Lazio e Fiorentina.

LEIA A PARTE 1 DA RETROSPECTIVA

Sampdoria

Fabio Quagliarella, da Sampdoria (Photo by Paolo Rattini/Getty Images)

A campanha: 10ª colocação, 54 pontos. 16 vitórias, 6 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 6ª posição, 31 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Fiorentina.
Ataque e defesa: 56 gols marcados e 60 sofridos
Time-base: Viviano; Bereszynski, Ferrari, Silvestre, Murru (Strinic, Regini); Praet, Torreira, Linetty (Barreto); Ramírez (Caprari); Zapata, Quagliarella.
Artilheiros: Fabio Quagliarella (19 gols) e Duván Zapata (11)
Técnico: Marco Giampaolo
Os destaques: Fabio Quagliarella, Duván Zapata e Lucas Torreira
A decepção: Leonardo Capezzi
A revelação: Dawid Kownacki
Quem mais jogou: Gastón Ramírez (37 jogos), Lucas Torreira (36) e Fabio Quagliarella (35)
O sumido: Ricky Álvarez
Melhor contratação: Duván Zapata
Pior contratação: Vid Belec

A Sampdoria começou a temporada como uma das sensações do campeonato, mas não conseguiu manter o ritmo. A equipe genovesa terminou 2017 como sexta colocada, mas fez oito pontos a menos no segundo turno e foi despencando na tabela. Pesou, também, o mau desempenho longe de Gênova: apesar de ter sido a terceira melhor mandante da Serie A, a Samp teve o quinto pior aproveitamento como visitante.

Embora tenha desidratado, a Sampdoria de 2017-18 será lembrada por ter ficado invicta no dérbi local e por ter estebelecido uma série de três vitórias seguidas contra o Genoa, o que não acontecia desde 1953. Em termos de resultados, a Samp também comemorou vitórias impactantes sobre Juventus, Roma, Milan e Fiorentina. No entanto, a equipe de Giampaolo ficou conhecida, sobretudo, por seu futebol atraente. Os blucerchiati igualaram sua melhor marca de gols desde que o campeonato voltou a ter 20 participantes, em 2004, e viram a tríade de ataque funcionar muito bem, com o veterano Quagliarella (que teve seu ano mais prolífico na Serie A), o tanque Zapata e o habilidoso Ramírez – sem contar a revelação Kownacki, que aproveitou suas chances. O trio Praet-Torreira-Linetty também desfilou bom futebol.

Torino

N’Kolou, do Torino (Photo by Francesco Pecoraro/Getty Images)

A campanha: 9ª colocação, 54 pontos. 13 vitórias, 15 empates e 10 derrotas.
No primeiro turno: 10ª posição, 25 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 54 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Sirigu; N’Koulou, Burdisso, Moretti; De Silvestri, Rincón, Baselli, Ansaldi (Molinaro); Ljajic (Niang), Falque; Belotti.
Artilheiros: Iago Falque (12 gols), Andrea Belotti (10) e Adem Ljajic (6)
Técnicos: Sinisa Mihajlovic (até a 19ª rodada) e Walter Mazzarri (20ª em diante)
Os destaques: Iago Falque, Nicolas N’Koulou e Lorenzo De Silvestri
A decepção: Andrea Belotti
A revelação: Simone Edera
Quem mais jogou: Salvatore Sirigu, Nicolas N’Koulou e Iago Falque (todos com 37 jogos)
O sumido: Lyanco
Melhor contratação: Nicolas N’Koulou
Pior contratação: Umar Sadiq

Os anos passam, mas o Torino não consegue dar um salto. O clube grená tem um bom projeto, um elenco qualificado e opta por técnicos de bom perfil, mas falha em manter regularidade e fica a ver navios quando o assunto é classificar-se para competições europeias. Assim como na última temporada, o Toro concluiu o campeonato na 9ª posição, com apenas um ponto a mais, e muitos empates: pela segunda vez consecutiva, foi a equipe que mais empatou no torneio.

Em relação a 2016-17, o Torino marcou menos gols (17) e também os sofreu em menor quantidade (20). Parte disso se deve ao fato de que Belotti conviveu com problemas no joelho decorrentes de uma lesão sofrida na temporada, o que afetou muito o seu rendimento. Falque concluiu o certame como artilheiro e garçom da equipe, que teve alguns destaques defensivos. O camaronês N’Koulou caiu como uma luva na zaga grená e Sirigu voltou a ter boas exibições, após um período negativo no Osasuna. Chamou a atenção também a produção ofensiva de De Silvestri, que foi mais efetivo que Ansaldi, do lado oposto, e auxiliou muito tanto Falque quanto Ljajic.

Fiorentina

Giovanni Simeone, da Fiorentina (Photo by Gabriele Maltinti/Getty Images)

A campanha: 8ª colocação, 57 pontos. 16 vitórias, 9 empates e 13 derrotas.
No primeiro turno: 7ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Lazio.
Ataque e defesa: 54 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Sportiello; Laurini (Vitor Hugo), Pezzella, Astori (Milenkovic); Chiesa, Benassi, Badelj, Veretout, Biraghi; Gil Dias (Théréau, Saponara); Simeone.
Artilheiros: Giovanni Simeone (14 gols), Jordan Veretout (8) e Federico Chiesa (6)
Técnico: Stefano Pioli
Os destaques: Giovanni Simeone, Jordan Veretout e Federico Chiesa
A decepção: Diego Falcinelli
A revelação: Nikola Milenkovic
Quem mais jogou: Giovanni Simeone (38 jogos) e Marco Sportiello (37)
O sumido: Maxi Olivera
Melhor contratação: Giovanni Simeone
Pior contratação: Bruno Gaspar

A temporada da Fiorentina ficou obviamente marcada pela tragédia que vitimou Astori e, ao mesmo tempo, pelo espírito de superação intensificado pela morte do capitão. A princípio, Pioli conseguiu dar substância a um time recém-formado (só três titulares permaneceram, em relação à campanha anterior) e o deixou competitivo, com ataque bastante funcional, meio-campo dinâmico e sistema defensivo muito organizado. Assim, a viola sempre manteve contato com o pelotão que brigava por vaga na Liga Europa e só se rendeu na última rodada.

Após o falecimento de Astori, o time honrou o camisa 13 e venceu cinco partidas seguidas e teve algumas de suas melhores atuações. Milenkovic, pupilo do zagueiro, entrou no time titular e manteve o nível, ao lado de Pezzella, Vitor Hugo ou Laurini. Benassi, Badelj e Veretout formaram um dos mais eficientes trios de meio-campistas do campeonato e, mais à frente, os “filhos da arte” Chiesa e Simeone mostraram muita sinergia. Os dois contribuíram para que a Fiorentina fosse o terceiro time com mais arremates (embora o segundo mais impreciso) e Simeone melhorou seu número de gols na Serie A de 12 para 14. Cholito, inclusive, foi o primeiro jogador de linha viola desde Toni e Fiore, em 2005-06, a disputar todos os jogos do campeonato. Com boa margem de crescimento, a Fiorentina tem potencial para conseguir melhor resultado na temporada seguinte.

Atalanta

Bryan Cristante, da Atalanta (Photo by Emilio Andreoli/Getty Images)

A campanha: 7ª colocação, 60 pontos. 16 vitórias, 12 empates e 10 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 8ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Juventus e na fase de 16 avos de final da Liga Europa pelo Borussia Dortmund.
Ataque e defesa: 57 gols marcados e 39 sofridos
Time-base: Berisha; Rafael Tolói, Caldara (Palomino), Masiello; Hateboer, De Roon, Freuler, Spinazzola (Castagne, Gosens); Cristante; Ilicic (Petagna, Cornelius), Gómez.
Artilheiros: Josip Ilicic (11 gols), Bryan Cristante (9) e Alejandro Gómez (6)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Josip Ilicic, Bryan Cristante e Rafael Tolói
A decepção: Leonardo Spinazzola
A revelação: Musa Barrow
Quem mais jogou: Bryan Cristante (36 jogos), Remo Freuler (35) e Marten De Roon (34)
O sumido: João Schmidt
Melhor contratação: Josip Ilicic
Pior contratação: Luca Rizzo

A Atalanta fez 12 pontos a menos que na última temporada, mas quem acha que a torcida liga? A equipe nerazzurra fez sua segunda melhor campanha desde o início da era dos três pontos e conseguiu o mesmo resultado: vaga na Liga Europa. Gasperini continua a operar milagres em Bérgamo e cativa a Itália com um futebol moderno e insinuante, com muitas variações táticas e solidez. Nessa toada, até o meia central Cristante virou artilheiro e o habitualmente instável Ilicic teve seu melhor ano na carreira: fez 11 gols e deu oito assistências.

O time de Bérgamo se reinventou após as vendas de Conti e Kessié e, após um início lento de Serie A, foi crescendo conforme as peças foram se entrosando. Embora Gómez tenha produzido um pouco menos, Freuler e Cristante melhoraram de desempenho e a chegada de Ilicic foi providencial para que as responsabilidades fossem divididas de forma mais igualitária. Assim, o time conseguiu ter bom desempenho em três competições: foi semifinalista da Coppa Italia e, por um triz, não eliminou o Borussia Dortmund. No caminho certo, a Atalanta vive os momentos mais positivos de sua existência.

Milan

Gattuso com Cutrone, do Milan (Photo by Emilio Andreoli/Getty Images)

A campanha: 6ª colocação, 64 pontos. 18 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 11ª posição, 25 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeão da Coppa Italia contra a Juventus e eliminado nas oitavas de final da Liga Europa pelo Arsenal.
Ataque e defesa: 56 gols marcados e 42 sofridos
Time-base: Donnarumma; Calabria (Abate), Bonucci, Romagnoli (Musacchio), Rodríguez; Kessié, Biglia (Montolivo), Bonaventura; Suso (Borini), Kalinic (Cutrone), Çalhanoglu.
Artilheiros: Patrick Cutrone (10 gols) e Giacomo Bonaventura (8)
Técnicos: Vincenzo Montella (até a 14ª rodada) e Gennaro Gattuso (15ª em diante)
Os destaques: Patrick Cutrone, Giacomo Bonaventura e Alessio Romagnoli
A decepção: Leonardo Bonucci
A revelação: Patrick Cutrone
Quem mais jogou: Gianluigi Donnarumma (38 jogos) e Franck Kessié (37)
O sumido: Luca Antonelli
Melhor contratação: Franck Kessié
Pior contratação: Nikola Kalinic

Depois de gastar quase 200 milhões de euros, o Milan teve uma campanha muito similar à da temporada anterior. O Diavolo ficou novamente com a sexta posição na Serie A, com pequeníssima diferença em número de pontos, vitórias, empates, derrotas, gols marcados e sofridos – além disso, os rossoneri tiveram outra vez o elenco mais jovem da competição, com média de 25 anos e 164 dias. O Milan se classificou para a Liga Europa, mas pela primeira vez em sua história completou cinco anos seguidos ausente das cinco primeiras colocações.

Algumas das contratações feitas pelo clube não se encontraram durante toda a temporada – casos de André Silva e Kalinic – e outros, como Bonucci e Çalhanoglu, só melhoraram de desempenho na reta final da campanha. Desgastado, Montella não conseguiu dar sequência ao bom trabalho de 2016-17 e foi justamente sacado. Gattuso teve alguns percalços no início do trabalho, mas fez um belo primeiro semestre de 2018, levando o time a uma longa série de invencibilidade, ao vice na Coppa Italia e à terceira melhor campanha no ano solar, atrás apenas de Juventus e Napoli. Por outro lado, a insistência em Kalinic – em detrimento da maior utilização do ótimo Cutrone – e a falta de serenidade no ambiente (que afetou muito Donnarumma) atrapalharam a equipe, que tinha potencial para voos maiores.

Lazio

Ciro Immobile, da Lazio (Photo by Marco Rosi/Getty Images)

A campanha: 5ª colocação, 72 pontos. 21 vitórias, 9 empates e 8 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 4ª posição, 40 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Supercopa Italiana, eliminada nas semifinais da Coppa Italia pelo Milan e nas quartas de final da Liga Europa pelo Red Bull Salzburg.
Ataque e defesa: 89 gols marcados (o melhor) e 49 sofridos
Time-base: Strakosha; Bastos (Luiz Felipe, Wallace), De Vrij, Radu; Marusic, Parolo, Lucas Leiva, Milinkovic-Savic, Lulic (Lukaku); Luis Alberto (Felipe Anderson); Immobile.
Artilheiros: Ciro Immobile (29 gols), Sergej Milinkovic-Savic (12) e Luis Alberto (11)
Técnico: Simone Inzaghi
Os destaques: Ciro Immobile, Sergej Milinkovic-Savic e Luis Alberto
A decepção: Nani
A revelação: Luiz Felipe
Quem mais jogou: Thomas Strakosha (38 jogos), Stefan De Vrij (36) e Lucas Leiva (36)
O sumido: Davide Di Gennaro
Melhor contratação: Lucas Leiva
Pior contratação: Davide Di Gennaro

Sai da frente que lá vem artilharia pesada. Somando todas as competições, o sistema mais ofensivo do futebol italiano anotou 123 gols e, na Europa, só foi superado pelos magnatas Barcelona, Manchester City e Paris Saint-Germain. A Lazio terminou a Serie A com o melhor ataque do campeonato e, por muito, superou o número de gols que já tinha feito em um único ano – a marca anterior, estabelecida em 2016-17, era de 74. A equipe celeste foi a única do certame a ter pelo menos três marcadores com mais de 10 gols. Valorizados, Immobile e Milinkovic-Savic tiveram glórias individuais: o primeiro foi o artilheiro do Italiano e se tornou o laziale com mais tentos numa temporada (superou os 26 de Giuseppe Signori em 1992-93), enquanto o segundo foi o meio-campista mais prolífico do torneio.

Habitualmente criticada (com razão), a diretoria da Lazio merece receber os louros da vitória pela boa temporada. O diretor esportivo Igli Tare fez contratações espertas, a custo zero ou aproveitando barganhas de mercado: os melhores exemplos são Lucas Leiva e Luis Alberto, anteriormente desacreditados, mas pilares da equipe de Inzaghi. A aposta no treinador tem se provado certeira a cada jogo e é mais um mérito dos cartolas. Os únicos remorsos de 2017-18 ficam por conta das quedas nos jogos decisivos: a Lazio levantou a Supercopa, mas escorregou na Liga Europa, levando uma virada incrível, e perdeu a cobiçada vaga na Liga dos Campeões nos minutos finais da temporada. Uma pena, pois o time jogou futebol suficiente para figurar nos principais palcos do continente.

Inter

Mauro Icardi, da Inter (Photo by Maurizio Lagana/Getty Images)

A campanha: 4ª colocação, 72 pontos. 20 vitórias, 12 empates e 6 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 41 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pelo Milan.
Ataque e defesa: 66 gols marcados e 30 sofridos
Time-base: Handanovic; João Cancelo, Skriniar, Miranda, D’Ambrosio; Vecino, Gagliardini (Brozovic); Candreva, Borja Valero (Rafinha), Perisic; Icardi.
Artilheiros: Mauro Icardi (29 gols) e Ivan Perisic (11)
Técnico: Luciano Spalletti
Os destaques: Mauro Icardi, Ivan Perisic e Milan Skriniar
A decepção: Dalbert
A revelação: Andrea Pinamonti
Quem mais jogou: Samir Handanovic (38 jogos), Milan Skriniar (38) e Ivan Perisic (37)
O sumido: Lisandro López
Melhor contratação: Milan Skriniar
Pior contratação: Dalbert

Em menos de 15 minutos, a Inter transformou um fracasso em potencial em meses de tranquilidade por causa de um objetivo cumprido. A Beneamata foi a equipe que mais conquistou pontos em relação ao último campeonato (somou 10 a mais e, pela primeira vez desde 2011, superou a marca de 70), mas por causa do alto ponto de corte e dos bons resultados conquistados pelos rivais, quase ficou de fora da Liga dos Campeões. Isso porque rateou a partir dos momentos derradeiros do primeiro turno e teve períodos de irregularidade no primeiro semestre de 2018 – a Inter fez 41 pontos na etapa inicial do Italiano e apenas 31 depois da virada de ano.

O retorno à Champions League após seis anos e a montagem de um time competitivo (ainda que com várias lacunas no elenco) devem-se principalmente a Spalletti: nos 13 últimos anos, apenas uma vez ele não conseguiu classificar a equipe em que trabalhava para a competição. O toscano organizou a defesa e encontrou em Skriniar uma rocha – a ponto de não ter tirado o defensor eslovaco de campo um minuto sequer. A Inter teve períodos de quase total dependência de Perisic e Icardi, mas isso foi mitigado pela adaptação de Cancelo e, sobretudo, pela vital chegada de Rafinha, que mudou o panorama da equipe e até ajudou Brozovic a elevar seu nível de atuações. Com o melhor aproveitamento de finalizações do campeonato (35%), Icardi se sagrou artilheiro e foi o interista a marcar mais gols numa única temporada desde 1959. Ainda assim, o incrível é que ele e o ataque poderiam ter colocado ainda mais bolas nas redes: por pura falta de pontaria, a Inter deixou pelo caminho alguns pontos importantes, que teriam feito o time ter garantido a vaga na LC muito mais cedo.

Roma

Alisson, da Roma (Photo by Mario Carlini / Iguana Press/Getty Images)

A campanha: 3ª colocação, 77 pontos. 23 vitórias, 8 empates e 7 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 5ª posição, 40 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Liga dos Campeões pelo Liverpool e nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Torino.
Ataque e defesa: 61 gols marcados e 28 sofridos (a 2ª melhor)
Time-base: Alisson; Florenzi (Bruno Peres), Manolas, Fazio (Juan Jesus), Kolarov; Nainggolan, De Rossi (Gonalons), Strootman (Pellegrini); Ünder (Schick), Dzeko, El Shaarawy (Perotti).
Artilheiros: Edin Dzeko (16 gols), Stephan El Shaarawy (7) e Cengiz Ünder (7)
Técnico: Eusebio Di Francesco
Os destaques: Alisson, Edin Dzeko
A decepção: Patrik Schick
A revelação: Mirko Antonucci
Quem mais jogou: Alisson (37 jogos), Edin Dzeko (36) e Aleksandar Kolarov (35)
O sumido: Jonathan Silva
Melhor contratação: Aleksandar Kolarov
Pior contratação: Hector Moreno

A temporada 2017-18 pode ser considerada um divisor de águas para a Roma. A equipe fez história na Liga dos Campeões e chamou a atenção do mundo ao eliminar o Barcelona, numa virada incrível, e ainda ficou a um passo de alcançar as finais da competição. Além disso, os giallorossi ainda tiveram sucesso em dividir as atenções com a disputa da Serie A e conquistaram por antecipação uma vaga na próxima edição do torneio europeu.

Se a Roma de Spalletti tinha como maior destaque o fulminante ataque, liderado por Mohamed Salah e Dzeko, o time de Di Francesco marcou quase 30 gols a menos, mas se caracterizou pela absoluta solidez defensiva e pela dedicação em prol do coletivo – o esforço defensivo mostrado por Dzeko em toda a temporada é uma das provas disso. Alisson brilhou em seu primeiro ano como titular na Europa e terminou a Serie A como o goleiro com o maior percentual de defesas do campeonato (79%) e 17 jogos sem ser vazado. Isso se deve muito ao brasileiro, que fez verdadeiros milagres e limitou as consequências de erros dos contestados Fazio e Juan Jesus. Outros destaques foram o crescimento de produção de Strootman e o encaixe perfeito do jovem turco Ünder, em contraste com a decepcionante temporada de estreia de Schick, contratação mais cara já feita pelo clube.

Napoli

Allan, do Napoli (Photo by Francesco Pecoraro/Getty Images)

A campanha: 2ª colocação, 91 pontos. 28 vitórias, 7 empates e 3 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 1ª posição, 48 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pela Atalanta, na fase de grupos da Liga dos Campeões e na fase de 16 avos de final da Liga Europa pelo Red Bull Leipzig.
Ataque e defesa: 77 gols marcados (o 3º melhor) e 29 sofridos (a 3ª melhor)
Time-base: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Mário Rui; Allan, Jorginho, Hamsík (Zielinski); Callejón, Mertens (Milik), Insigne.
Artilheiros: Dries Mertens (18 gols), José Callejón (10) e Lorenzo Insigne (8)
Técnico: Maurizio Sarri
Os destaques: Allan, Lorenzo Insigne e Kalidou Koulibaly
A decepção: Leonardo Pavoletti
A revelação: Marko Rog
Quem mais jogou: Allan, Marek Hamsík, José Callejón e Dries Mertens (todos com 38 jogos)
O sumido: Adam Ounas
Melhor contratação: Mário Rui
Pior contratação: Adam Ounas

“Todos os times que ultrapassaram a casa de 90 pontos foram campeões italianos”. A frase era verdadeira até o Napoli de Sarri conseguir somar 91 nesta temporada e ficar com o vice-campeonato. O grande feito dos azzurri, que ficaram entre os 10 maiores pontuadores da história da Serie A, só mostra o quanto o Campeonato Italiano foi nivelado por cima e quão bom foi o esquadrão montado pelo treinador toscano – que está de saída e dará lugar a Carlo Ancelotti, já confirmado pelo presidente Aurelio De Laurentiis.

O jogo bonito dos partenopei teve como centro o ítalo-brasileiro Jorginho, que foi o líder de passes certos efetuados no campeonato, com 2862. No entanto, mesmo que ele fosse um belo organizador e Allan e Insigne também participassem com maestria dessa fase do jogo, Hamsík, Mertens e Callejón não brilharam tanto e tiveram uma temporada muito irregular. A rigor, os napolitanos marcaram 17 gols a menos e nenhum dos atacantes melhorou a quantidade de tentos anotados em relação ao último campeonato. O Napoli desta temporada, inclusive, também teve doses exageradas de pragmatismo, especialmente a partir de fevereiro, quando ganhou várias partidas sem dar espetáculo. Nenhum time marcou mais gols a partir de lances de escanteio do que os azzurri (Koulibaly fez cinco gols e Albiol anotou três, por exemplo). Talvez esta seja uma faceta que veremos ainda mais nos próximos meses, sob a batuta de Don Carletto.

Juventus

Paulo Dybala, da Juventus (Photo by Tullio M. Puglia/Getty Images)

A campanha: Campeã, 95 pontos. 30 vitórias, 5 empates e 3 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 2ª posição, 47 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Coppa Italia, vice-campeã da Supercopa Italiana e eliminada nas quartas de final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid.
Ataque e defesa: 86 gols marcados (o 2º melhor) e 24 sofridos (a melhor)
Time-base: Buffon (Szczesny); Lichtsteiner (De Sciglio), Rugani (Barzagli), Chiellini (Benatia), Alex Sandro (Asamoah); Pjanic, Khedira (Cuadrado), Matuidi; Dybala, Higuaín, Mandzukic (Douglas Costa).
Artilheiros: Paulo Dybala (22 gols), Gonzalo Higuaín (16) e Sami Khedira (9)
Técnico: Massimiliano Allegri
Os destaques: Paulo Dybala, Douglas Costa e Miralem Pjanic
A decepção: Mattia De Sciglio
A revelação: Rodrigo Bentancur
Quem mais jogou: Gonzalo Higuaín (35 jogos) e Paulo Dybala (33)
O sumido: Benedikt Höwedes
Melhor contratação: Douglas Costa
Pior contratação: Mattia De Sciglio

A primeira e única heptacampeã consecutiva da Serie A tem uma conhecida chave para seu sucesso: sua enorme profundidade de elenco. O juventino que mais vezes entrou em campo (Higuaín) disputou, em média, 237 minutos a menos que cada um dos seis jogadores de linha napolitanos que atuaram mais do que ele em 2017-18. Um dado que denota o quanto isso é comum em Turim é que, desde que chegou ao clube, em 2014, Allegri fez 219 partidas e usou 206 diferentes formações iniciais diferentes. Com maior descanso e qualidade técnica superior de seus jogadores, a Juventus se torna praticamente imbatível. Mesmo quando peças importantíssimas, como Higuaín, Dybala e Douglas Costa estiveram, por diferentes motivos, em nível inferior ao desejado, os reservas deram conta do recado. E vice-versa.

Em relação ao último campeonato, a Juve fez quatro pontos a mais e atingiu a quarta maior pontuação da história e a segunda maior de sua existência, atrás apenas dos 102 de 2013-14. A equipe bianconera ainda igualou o maior número de rodadas sem ser vazada (22, atingido outras duas vezes pela própria Juve e uma pelo Milan), melhorou em nove gols a quantidade de gols marcados e diminuiu em três a de sofridos. Embora Pjanic tenha sido o jogador mais constante do elenco juventino nesta temporada, foram determinantes para o título a genialidade de Dybala no início da campanha (e em momentos esporádicos em todo o restante) e, na reta final, a incisividade de Douglas Costa, autor de 12 assistências. O mito Buffon pode se despedir de Turim com a alma lavada.