Com ou sem Bom Senso, o calendário brasileiro é bastante picotado. O primeiro semestre tem estaduais e Libertadores, mais um aperitivo do Brasileirão. O segundo tempo o Brasileirão e, agora, a parte que interessa da Copa do Brasil. No meio disso, vários jogadores se vão e chegam. Montar uma seleção do ano não é simples, pois muitos atletas só atuam bem em uma das partes dessa temporada, enquanto outros simplesmente brilham em um semestre e nem estão no Brasil no outro (desculpa aí, Paulinho e Bernard).

O que facilitou o trabalho foi o claro domínio de Minas Gerais. O Atlético Mineiro no primeiro semestre, com o título da Libertadores, e o Cruzeiro no segundo, passeando no Brasileiro. Por isso, Belo Horizonte domina nossa seleção do ano, com seis jogadores no time titular e mais o técnico.

Veja como ficou e dê seu pitaco (mas com educação). Aproveite e confira a nossa seleção do futebol internacional.

GOLEIRO

Victor (Atlético Mineiro)

Fábio jogou demais no Campeonato Brasileiro, foi uma das grandes figuras do Cruzeiro no título. Mas Victor foi “a” grande figura do Atlético na Libertadores. Sem seu goleiro, o Galo não teria sequer chegado às semifinais. Foi decisivo contra Tijuana, Newell’s Old Boys e Olimpia, tanto que recuperou o cartaz na briga para ir à Copa do Mundo (o que deveria ter acontecido em 2010, diga-se).

DEFENSORES

Marcos Rocha (Atlético Mineiro)

Bateu uma vontade de tirar o lateral atleticano só pela atitude dele quando foi substituído na derrota para o Raja Casablanca. Mas ele foi o mais constante de uma posição em que o futebol brasileiro anda muito carente. Marcos Rocha levou vantagem sobre Mayke pelo simples motivo que manteve o bom nível por mais tempo. A revelação cruzeirense foi titular em menos da metade dos jogos de sua equipe no Brasileirão, e a falta de amostragem o prejudicou na nossa eleição informal.

Dedé (Cruzeiro)

Vinha de uma temporada problemática pelo Vasco, em que não conseguiu repetir as atuações de 2010 e 11. Pois recuperou seu futebol na Toca da Raposa. Foi o xerifão da defesa celeste, mostrando a autoridade, liderança e velocidade de seus melhores momentos.

Gil (Corinthians)

A temporada do Corinthians foi decepcionante, e o futebol do Brasileirão deu mais sono que ver “Gosto de Cereja” no meio da madrugada. Mas não dá para ignorar o fato de o time ter a melhor defesa do campeonato com muita folga. Foram 22 gols sofridos, 13 a menos que o segundo colocado, o Grêmio. Uma defesa que já tinha se mostrado muito sólida no primeiro semestre, quando o time até jogou direito e conquistou o Campeonato Paulista. E muito disso se deve a Gil, que mostrou a explosão, tranquilidade e posicionamento para arredondar o sistema defensivo mais seguro do Brasil.

Alex Telles (Grêmio)

Grande revelação gremista do Campeonato Brasileiro, Alex Telles tem a característica principal para ajudar seu time: cruza bem. Em um Grêmio que se mostrou ofensivamente pouco inspirado o ano inteiro, ter um grande cruzador e cobrador de faltas foi fundamental para conseguir alguns golzinhos importantíssimos.

MEIO-CAMPISTAS

Nilton (Cruzeiro)

Talvez pelo seu porte físico, Nílton ganhou fama de ser um volante toscão e puramente marcador. Ainda que ele não seja um estilista da bola, ele mostrou ter recursos mesmo na época de Corinthians e Vasco. Mas, nesta temporada, deixou isso mais claro. Continua sendo um primeiro volante, que tem como função primordial marcar, mas ele tem alguns truques debaixo da manga, e mostrou isso em momentos pontuais da campanha cruzeirense no brasileiro.

Elias (Flamengo)

O grande nome do Flamengo na temporada. Mesmo nos piores momentos na temporada (e não foram poucos), o volante era o responsável por lampejos de lucidez. E, quando o Rubro-Negro engrenou na Copa do Brasil, ele assumiu o papel de líder e em torno dele girou a equipe que conquistou o primeiro título de clubes do novo Maracanã.

Everton Ribeiro (Cruzeiro)

Foi o grande nome do Brasileirão, e já se especula que seu nome faz parte da lista de compra de clubes grande da Europa. Rápido, habilidoso e com grande visão de jogo (foi o líder de assistências do Brasileirão), era o ponto de desequilíbrio do ataque arrasador do Cruzeiro.

Seedorf (Botafogo)

O final de temporada do Botafogo foi arrastado, mas o time conquistou uma vaga na Libertadores pela primeira vez em 18 anos e conquistou o estadual com títulos da Taça Guanabara e Taça Rio. Muito dessa consistência se deveu a Seedorf, que dava uma arredondada em todas as jogadas do meio-campo e ainda orientou um elenco que teve vários motivos para se perder durante o ano (jogadores saindo, salários atrasando, público baixo…).

D’Alessandro (Internacional)

O futebol do Internacional em 2013 foi ridículo, com vários erros gerenciais levando o time a jogar sem personalidade, com um futebol feio e arrastado que, no final, até teve um ligeiro susto com briga contra o rebaixamento. O pior disso tudo é que ofuscou a temporada fantástica de D’Alessandro, talvez a melhor do argentino em Porto Alegre (ao lado de 2010). O meia brigou, armou, criou, finalizou, decidiu… Resumindo, carregou o time nas costas.

ATACANTE 

Diego Tardelli (Atlético Mineiro)

Tardelli é atacante de origem, mas atuou nesta temporada no meio do caminho entre o meio-campo e o ataque. Foi o armador central no 4-2-3-1 de Cuca, mas muitas vezes apareceu como segundo atacante. E o atleticano se adaptou bem a essa função. Foi um bom meia e um ótimo segundo atacante o ano todo, tanto que foi figura importante na conquista da Libertadores e um dos melhores jogadores de um Brasileirão em que o Atlético nem se dedicou tanto.

TÉCNICO 

Marcelo Oliveira (Cruzeiro)

Decisão dura entre Cuca e Marcelo Oliveira. O atleticano conquistou o título mais importante, e teve papel fundamental nesse trabalho, mas ficamos com o cruzeirense por pequenos detalhes: 1) Cuca fez um ótimo trabalho em 2013, mas ele foi continuidade de um grande trabalho que ele próprio já havia feito em 2012. No caso de Marcelo Oliveira, tudo o que ele fez para levar o Cruzeiro ao título brasileiro foi nesta temporada; 2) o técnico do Atlético falhou em um momento crucial de sua equipe, não conseguindo transmitir a tranquilidade necessária para o time impor seu maior talento diante de um empolgado Raja Casablanca.