Depois de permanecer quase sete meses afastado do futebol, Marco Reus retornou com tudo ao Borussia Dortmund. O time não ajuda, mas o camisa 11 tem feito a sua parte com boas atuações. São três gols nas últimas cinco partidas, salvando os aurinegros em diversos momentos, embora não tenha conseguido evitar a derrota para o Red Bull Salzburg no jogo de ida das oitavas de final da Liga Europa. A frustração da torcida, porém, foi parcialmente apaziguada nesta sexta. O Dortmund anunciou a renovação de Reus até junho de 2023. Não há mais o risco de que o atacante saia de mão beijada na próxima temporada – o que, conhecendo o amor do jogador por seu clube de coração, certamente não aconteceria. Fica o desejo de que consiga a dar a volta por cima no Signal Iduna Park.

“O Dortmund é minha casa, é o meu clube! Desde que sou criança, sonhei aparecer em campo vestindo amarelo e preto, jogando por este clube. Então, é com a convicção mais profunda que quero usar esta assinatura como um sinal claro para o futuro”, declarou o camisa 11. Formado nas categorias de base dos aurinegros, o atacante não foi aproveitado e tomou outros rumos, mas voltou após se destacar pelo Borussia Mönchengladbach. Mesmo com seu nome especulado em outros clubes, faz valer sua vontade.

A ambição de Reus, aliás, não se contém ao Borussia Dortmund. Nesta sexta, ele concedeu uma longa entrevista ao site oficial da Bundesliga. Também colocou a Copa do Mundo como objetivo claro em seu horizonte. O craque até parece admitir a ausência no elenco final para o torneio, caso Joachim Löw abra mão de seu talento. Não quer, todavia, que o filme de 2014 se repita – quando uma de suas infindáveis lesões o impediu de se tornar tetracampeão mundial com o Nationalelf.

“Meu desejo pela Copa do Mundo é enorme. Estou ansioso por isso. Minha empolgação crescerá mais e mais, à medida que a competição se aproximar e nós começarmos a jogar amistosos. Veremos as decisões do técnico, mas estou muito relaxado. Não irei perder o Mundial por lesão desta vez”, apontou. “Eu me mantenho em contato com Löw, particularmente por causa da minha lesão. Trocamos mensagens, nos falamos por telefone e discutimos meu progresso. Continuamos próximos”.

A Copa, afinal, seria o norte de uma caminhada traçada por Reus aos próximos meses: “Meu objetivo é alcançar o que buscamos para nós como clube. Queremos a classificação direta à Liga dos Campeões e chegar à final da Liga Europa. Temos qualidade para tanto. Sabemos que precisamos trabalhar ainda mais duro, mas, quanto melhores são os nossos oponentes, melhor jogaremos. E, então, espero estar na Copa do Mundo”.

Sobre seu estado atual, Reus demonstra segurança quanto à sequência: “Estou relaxado. Estou contente que tenho ajudado o time e por estar de volta ao campo. Fico feliz por poder curtir meu futebol novamente. Não me meço por gols, mas pela maneira como jogo, pela forma como faço diferença nas partidas e estou envolvido em boas jogadas. É um fator importante para mim e sei que há espaço para melhorar – particularmente quanto ao tempo em campo, porque é sempre difícil jogar os 90 minutos depois de tantos meses parado. Posso lidar com isso e evolui a cada semana, conforme fico mais em forma”.

“É um ato de equilíbrio. Eu converso regularmente com o técnico sobre como entrar no ritmo certo. Você precisa ser cuidadoso, para que não ocorram outras lesões, porque os músculos se comportam de uma maneira ligeiramente diferente. Joguei diversas partidas nas semanas recentes, então preciso ter certeza de me recuperar bem e treinar bem. Não estou preocupado no momento sobre a maneira como as coisas estão acontecendo. Mas é importante ser cauteloso, claro”, complementa.

Perguntado sobre declaração recente, em que disse que trocaria seu dinheiro para estar saudável, Reus apontou que os reflexo das dificuldades enfrentados são amplos: “Para ser honesto, isso não é totalmente verdadeiro. Quando você tem uma lesão séria, daquelas que deixam meses de fora, é este o caso, não quando você sofre um problema que te afasta por três ou quatro semanas. Você quer jogar como faz há anos e como curte há anos. Pode ser incrivelmente difícil lidar com isso, porque você não pode atuar por seis, sete, oito meses. Mas as contusões são parte do futebol, você precisa se ajustar e aprender com as consequências. Seu corpo muda como resultado desse período. Você vê outras perspectivas e isso certamente me moldou como pessoa. Estou feliz por voltar agora”.

“Sim, as dificuldades moldaram minha personalidade de uma grande maneira. Quando você está machucado há muito tempo, você reflete sobre o que a vida tem para te oferecer como um todo. Eu sei que não é apenas futebol. Existem outras questões importantes além disso. Particularmente porque você só pode jogar até os 35 anos e então entra em novo capítulo da vida. Acho que é muito importante não começar a pensar no futuro após o futebol apenas com 33 ou 34 anos. Há muitas coisas fantásticas no mundo e é importante pensar nisso antes de se aposentar. É difícil para cada jogador porque fica um grande buraco para se preencher. O nível alto da fama não existe mais e as pessoas estão menos interessadas em você. Na verdade, isso é bom, porque permite fazer as coisas que talvez não conseguia antes. Penso que é importante pensar em sua vida pessoal e na família durante todo o tempo. Também fazer as coisas que você quer e pode agora”, finalizou o atacante.