Aos poucos, o Lyon dá sinais de que ressurgiu das cinzas na Ligue 1. Após um começo de temporada tenebroso, no qual amargou um longo período no miolo da tabela, os lioneses enfim reagiram. Com a sexta vitória consecutiva, o OL se aproxima da briga pelo pódio e sonha com uma vaguinha na próxima Liga dos Campeões. Com a queda drástica de rendimento do Lille, o que antes era impossível está bem perto de se tornar realidade.

Primeiro, o Saint-Étienne. Depois, o Bordeaux. Agora, quem aparece para animar a disputa pelo terceiro lugar é o Lyon, dado como morto até bem pouco tempo atrás. Com a velocidade de um TGV, o OL fez do Évian sua mais recente vítima, com uma incontestável vitória por 3 a 0 em Gerland. Ninguém tem um desempenho tão perfeito como o dos lioneses em 2014: seis jogos, seis vitórias (levando-se em consideração todos os torneios disputados) e uma distância de sete pontos para o Lille, terceiro colocado e em queda livre.

Em seus últimos seis jogos na Ligue 1, o OL marcou pelo menos dois gols em cada um deles. O time não atingia marca parecida desde março de 2001. Um rendimento que contrasta com o péssimo início de temporada, quando os lioneses foram eliminados nos playoffs da Liga dos Campeões para a Real Sociedad (com duas derrotas) e viveram meses terríveis no campeonato nacional.

Em 24 de agosto, o Lyon perdeu por 1 a 0 para o Stade Reims em pleno Gerland. A partir daí, o OL conquistou apenas seis pontos em nove rodadas, o que o fez cair para um nebuloso 14º lugar na classificação. Sem dinheiro para reforçar o elenco e dependendo quase que exclusivamente de jovens promessas para obter algum bom resultado, os lioneses demoraram para encontrar o equilíbrio necessário para crescer.

A reviravolta do Lyon passa pelo 4G. Gomis voltou a se mostrar decisivo após se livrar das polêmicas em torno de sua permanência no clube. Gourcuff se recuperou dos problemas físicos e tem jogado bem, muito embora não se deva elogiá-lo tanto sob pena de voltar à letargia. Grenier tem se mostrado maduro. Gonalons, mais tranquilo, também tem se mostrado um ponto de equilíbrio do time.

Com um clima mais ameno, o técnico Rémi Garde ainda conta com o oportunismo de Alexandre Lacazette. Com os dois gols marcados no Évian, o jovem atacante chegou aos 12 na Ligue 1 e é o terceiro artilheiro da competição, atrás apenas da dupla Ibrahimovic/Cavani. Gourcuff e Bedimo também dividem a terceira posição nas assistências, com cinco passes decisivos para gol.

Enquanto isso, o Lille vai ficando pelo caminho. Ao contrário do Lyon, o LOSC não dá sinais de vida neste retorno às atividades da Ligue 1. Mesmo jogando em casa, os Dogues ficaram no empate por 1 a 1 com um Rennes mal das pernas. O time somou apenas um ponto dos últimos nove disputados. Ao menos não completou seu terceiro revés consecutivo, mas está cada vez mais acuado diante de concorrentes em melhor forma.

Alguma emoção

Como o Lille está perdendo força em um ritmo avassalador, a briga pelo título se resumiu a Paris Saint-Germain e Monaco. Se houver alguma emoção nesta disputa pela taça, o PSG fez um pequeno favor ao empatar com o Guingamp por 1 a 1 fora de casa. No principado, o ASM cumpriu seu dever de casa e bateu o Olympique de Marselha por 2 a 0, reduzindo a distância para o líder para três pontos.

O OM nem quer mais saber de ver o Monaco pela frente nesta temporada. Afinal, os marselheses se tornaram fregueses do ASM nesta edição da Ligue 1, já que também havia sido derrotado no Vélodrome (2 a 1). Mesmo sem Falcao Garcia, os monegascos dominaram tranquilamente seus rivais. Não foi uma superioridade em termos de posse de bola, mas sim na eficiência de seus avanços.

O Monaco naturalmente criava oportunidades diante de um rival inofensivo nos primeiros 45 minutos, mas demorou muito para abrir o placar (só aos 41 minutos, com Germain). O Olympique de Marselha era o espelho dos donos da casa. Montado exatamente em um 4-4-2 em losango idêntico ao utilizado pelos monegascos, os marselheses se afundaram com seu lado ofensivo. Com Valbuena no apoio da dupla de ataque Thauvin e Gignac, o OM foi facilmente engolido pela defesa anfitriã.

A entrada de Imbula no lugar de Cheyrou teve efeito nulo e o OM continuou subjugado diante de um Monaco que baixou seu ritmo logo após ampliar, aos 12min do segundo tempo. Era a oportunidade para os marselheses tentarem alguma coisa, mas o acúmulo de erros técnicos e uma incrível incapacidade de criação apenas comprovaram que o Olympique de Marselha está apenas de passagem nesta Ligue 1.

O PSG não se recuperou da eliminação da Copa da França, quando perdeu por 2 a 1 para o Montpellier. Sem Lavezzi e Thiago Silva, os líderes do campeonato não davam pinta de que teriam dificuldades diante de um rival que havia vencido apenas uma vez em seus dez últimos jogos. Sem inspiração, os parisienses foram inócuos nas aproximações ao ataque, com problemas para ultrapassar a intermediária do EAG.

Marquinhos, de início bastante promissor com a camisa parisiense, não repete as mesmas atuações que tanto chamaram a atenção. O jovem pareceu sentir demais a responsabilidade de substituir Thiago Silva, quebrando aquele clima de serenidade que tem marcado a zaga do PSG nesta Ligue 1. Alex, por sua vez, tornou-se o salvador da pátria ao marcar o gol que evitou a derrota dos líderes. Em um dia com Ibrahimovic apagado, coube ao brasileiro impedir que as dúvidas se instalassem de vez no Parc des Princes.