E o que era tranquilo se transformou em um melodrama com a possibilidade de um final dos mais tristes. Franck Ribéry foi confirmado na lista final dos 23 convocados por Didier Deschamps para a Copa do Mundo, mas quais serão as reais condições físicas do meia-atacante, que sofre de dores crônicas nas costas há algumas semanas? O anúncio do treinador apenas prolonga uma novela que, desde já, assusta os torcedores e provoca calafrios nos Bleus.

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Ribéry nem entrou em campo no empate por 1 a 1 com o Paraguai. Seus problemas físicos levantaram uma série de boatos quanto à sua presença no Mundial, mas Deschamps bateu no peito e o manteve na lista. Apesar da confiança demonstrada por DD de que um de seus principais jogadores estará 100% para a Copa, o temor está no ar. Fica difícil acreditar que um atleta sem condições de entrar em campo quinze dias antes de um torneio de alto nível possa se recuperar em um passe de mágica e, em um intervalo de tempo tão curto, esteja 100% para encarar a disputa de um Mundial.

Deschamps mantém aquela esperança típica francesa, de que um milagre pode acontecer no último segundo e tudo se resolva em um estalar de dedos. Basta lembrar de 2002, quando a cura para a coxa de Zidane parecia uma questão de segundos. Zizou não se recuperou completamente, atuou no sacrifício contra a Dinamarca e os franceses foram sumariamente eliminados na fase de grupos.

Os defensores da manutenção de Ribéry podem alegar que o meia-atacante tem totais condições de se recuperar a tempo para a disputa das oitavas de final, quando a Copa “começa para valer”. Ora, esta soberba de achar que a classificação para os mata-matas está nas mãos causa muito medo. Já sabemos de cor o que ocorre quando os Bleus se acham acima do bem e do mal e certamente ninguém quer ver um filme repetido.

Além disso, há outro problema. Mesmo se confirmar sua passagem à próxima fase, a França ainda não tem qualquer garantia de que Ribéry estará completamente livre de seus problemas físicos. O fim de temporada do meia-atacante já não foi dos melhores, e a falta de ritmo de jogo justamente na hora em que o bicho pega custa caro demais. Apostar cegamente na recuperação dele tem cheiro de uma grande besteira.

Para resolver o dilema do vai ou não vai, o amistoso contra a Jamaica será fundamental. Se Ribéry não reunir um mínimo de condições para entrar em campo, de forma alguma ele as terá para a Copa. Será doloroso cortá-lo, mas a prudência deve prevalecer neste momento. Mantê-lo será muito pior, pois haverá uma pressão constante sobre quando (e se) ele jogará. Do ponto de vista emocional, também é um tiro no pé.

Se Ribéry jogar contra a Jamaica e transmitir segurança de que está ok, ótimo. Do contrário, não haverá problema algum em colocar Antoine Griezmann em seu lugar. Melhor contar com um jovem inexperiente, mas em excelente forma, do que com alguém com gabarito, mas se arrastando. Cabe a Deschamps solucionar este dilema com a razão, e manter a coerência que tem permeado todo o seu trabalho até aqui à frente dos Bleus.

Choque de realidade

Golear a Noruega por 4 a 0 deixou a França nas nuvens. O duelo contra o Paraguai, lanterna das eliminatórias sul-americanas, serviria apenas para confirmar o bom momento dos Bleus e tudo mais. Não foi bem assim. Os paraguaios trouxeram os franceses de volta para a terra, como em um sinal de alerta de que ainda há trabalho a fazer. Houve bons momentos, mas ficou uma ponta de irritação por tomar um gol no finalzinho.

Se os noruegueses ofereceram espaços para os avanços dos Bleus, a defesa guarani se mostrou bem mais sólida e quase impenetrável. Um verdadeiro teste de paciência para os franceses, dominadores, mas sem êxito para se aproximar da área paraguaia. Com destaque mais uma vez para a atuação de Pogba, imprescindível no meio-campo, a França até criou oportunidades. Faltou capricho para concluí-las.

Valbuena também merece elogios. Combativo e inspirado, ele esteve na origem de todas as ações ofensivas dos Bleus. Cada vez mais, ele desponta como um líder e se comporta como tal, algo importante em tempos de incertezas quanto à presença de Ribéry na Copa. O contraste ficou com a atuação decepcionante de Rémy, cujos erros de finalização estragaram boas chances dos donos da casa.

O Paraguai mostrou como um verdadeiro sparring deve se comportar: oferecer dificuldades para seu desafiante. Deschamps precisa cobrar mais atenção por parte de seus comandados. Diante de um adversário fechado, não dá para permitir bobeadas como a que originou o gol de empate paraguaio. O erro de marcação na cobrança de falta que originou o gol de Cáceres jamais pode acontecer.

A França também precisa ser mais realista em seus ataques caso queira ir longe no Mundial. Os Bleus tiveram 71% da posse de bola diante dos paraguaios, mas este domínio não significou um número muito alto de finalizações. No total, foram dez – seis delas na direção da meta adversária. Uma proporção baixa, que demonstra a pouca eficiência do ataque azul. O próprio Rémy reconheceu seus erros, ao confundir velocidade com técnica.

Substituto de Rémy durante a partida disputada em Nice, Griezmann ganhou pontos não apenas pelo gol marcado. O jovem atacante se sentiu à vontade em campo, com tranquilidade suficiente para exibir sua qualidade técnica. Desde já, ele aparece como uma excelente opção caso Ribéry não se recupere a tempo.

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