O sorteio da Copa de 2014 foi bem mais do que a definição dos grupos. Obviamente, o peso das seleções que caíram nas chaves foi motivo de festa ou lamentação para os envolvidos. Porém, considerando as dimensões do Brasil, a colocação como D2 ou F3 significou bem mais. Variação de climas, de fusos horários, distâncias percorridas. Somando tantos fatores, quais seleções se deram pior com o chaveamento do Mundial? E as que se deram melhor? Montamos um ranking para classificá-las. Confira:

As cinco seleções que se deram pior no sorteio da Copa

Costa Rica US Soccer Wcup

1º – Estados Unidos
(Gana, Natal / Portugal, Manaus / Alemanha, Recife)

Os Estados Unidos encararão a maior distância entre viagens na primeira fase. E, acredite, esse não é o maior dos problemas do US Team. Após a ascensão na reta final das Eliminatórias, a equipe de Jürgen Klinsmann chegou bem cotada ao Brasil. A questão vai ser como honrar essas expectativas, contra: a favorita Alemanha; Portugal, de Cristiano Ronaldo; e Gana, que eliminou os americanos nas duas últimas Copas. Por mais que o time não varie entre climas, existe a questão dos fusos. Isso sem contar que as condições também não serão favoráveis, com uma partida às 14h em Manaus e, quatro dias depois, às 13h em Recife.

2º – Inglaterra
(Itália, Manaus / Uruguai, São Paulo / Costa Rica, Belo Horizonte)

O sorteio foi cruel com a Inglaterra. Bastou que os dirigentes britânicos criticassem Manaus para que a cidade fosse o palco da estreia. A seleção escapou de ser a equipe europeia deslocada de pote? Sim, mas deu o azar de cruzar justamente com este time, a Itália. E os Three Lions ainda enfrentarão dois ex-campeões do mundo dos quais são fregueses históricos na competição internacional. Serão 3,2 mil km em viagens, que pelo menos trazem o alívio de duas partidas seguidas no Sudeste – mas com o jogo decisivo em Belo Horizonte, onde os ingleses viveram um grande pesadelo em 1950.

3º – Chile
(Austrália, Cuiabá / Espanha, Rio de Janeiro / Holanda, São Paulo)

O Chile era um dos maiores candidatos a surpresa da Copa. A bem da verdade, ainda é. Só que terá que demonstrar suas credenciais logo de cara, não nos mata-matas, em uma chave com o campeão e o vice da última Copa. Clima e viagens serão problemas menores do que para a Holanda, que percorrerá 3,1 mil km entre Salvador, Porto Alegre e São Paulo. Pior será fazer dois jogos decisivos contra rivais tão pesados e, ainda por cima, ter a possibilidade de pegar o carrasco Brasil nas oitavas de final outra vez.

Suárez escancara a decepção pelo resultado em Quito

4º – Uruguai
(Costa Rica, Fortaleza / Inglaterra, São Paulo / Uruguai, Natal)

Ser cabeça de chave não foi um bom negócio para o Uruguai. É o único sul-americano que enfrentará duas seleções europeias, com o peso da responsabilidade do ‘Grupo da Morte’. E, tirando a estreia contra a Costa Rica, o caminho da Celeste será duríssimo. Primeiro, é claro, por ter que passar por Inglaterra e Itália. Depois, por variar entre os climas de Fortaleza e São Paulo, depois de Natal, em poucos dias. E ainda terá que viajar 1,5 mil km a mais que seus dois principais adversários na chave.

5º – Equador
(Suíça, Brasília / Honduras, Curitiba / França, Rio de Janeiro)

A chave do Equador não é das mais difíceis, dá até para sonhar em desbancar Suíça ou França. Só que nem de perto La Tri terá as condições climáticas que sonhavam. Ao invés de jogar no Norte ou Nordeste, onde teriam mais vantagens contra os europeus, os equatorianos variarão entre Centro-Oeste, Sul e Sudeste – uma transição entre climas que pode dificultar a maratona que o time encarará. Pelo menos, de todos os times do Grupo E, é o que viaja menos.

E as cinco que se deram melhor

Messi comemora um de seus gols contra o Paraguai

1º – Argentina
(Bósnia, Rio de Janeiro / Irã, Belo Horizonte / Nigéria, Porto Alegre)

O que mais os argentinos poderiam querer? É a quarta menor distância entre os cabeças de chave, mas com diferenças pequenas em relação à segunda e à terceira. Pela frente, três das seleções mais fracas em cada um dos potes. E, para ajudar ainda mais, disputarão suas partidas em lugares significativos: o Maracanã; Belo Horizonte, sua base durante o Mundial; e Porto Alegre, a capital mais próxima de seu território. Se Messi não deslanchar dessa vez na competição, vai ser difícil encontrar desculpas agora.

2º – Bélgica
(Argélia, Belo Horizonte / Rússia, Rio de Janeiro / Coreia do Sul, São Paulo)

Depois do sorteio, restam poucas dúvidas de que a sorte está com a Bélgica. O país da ‘promissora geração’ já tinha sido agraciado com um posto entre os cabeças de chave. E terá as condições mais favoráveis entre todos eles. Os Diabos Vermelhos se fixarão no Sudeste e percorrerão o menor trajeto entre as 32 equipes. Melhor, encararão Argélia, Rússia e Coreia do Sul, em um grupo bastante parecido com o de sua última Copa, em 2002 – um africano, um asiático e a Rússia. Só não fica melhor porque uma pedreira pintará nas oitavas, assim como foi o Brasil há 12 anos.

3º – Colômbia
(Grécia, Belo Horizonte / Costa do Marfim, Brasília / Japão, Cuiabá)

A Colômbia também pôde comemorar o sorteio, feliz diante de suas condições de cabeça de chave. Embora não conte com nenhum figurão, o Grupo C é um dos mais equilibrados, com Japão, Costa do Marfim e Grécia. E por isso mesmo os cafeteros se colocam como favoritos, pela ótima fase recente. A equipe de José Pekerman também não viajará tanto assim, apenas 1,5 mil km. Problema maior será apenas o horário das partidas (às 13h em BH e Brasília), bem como o cruzamento com as potências do Grupo D nas oitavas.

Ribéry puxa a fila na festa pela Copa em Saint-Denis (AP Photo/Michel Euler)

4º – França
(Honduras, Porto Alegre / Suíça, Salvador / Equador, Rio de Janeiro)

A distância não é um fator que ajuda tanto a França. Mas, quem se importa? O cenário dos Bleus era negro, até a Fifa decidir qual a regra que levaria a seleção europeia que estava sobrando para o pote dos africanos e dos sul-americanos. Depois que se safaram disso, os franceses respiraram aliviados. E colheram os frutos com um grupo tranquilo, no qual podem até se sentir como cabeças de chave, mesmo que o posto seja de direito da Suíça. Garantindo a liderança, a equipe de Didier Deschamps ainda pode encarar o segundo do Grupo F, que, excluindo a Argentina, deve ser um adversário bem digerível.

5º – México
(Camarões, Natal / Brasil, Fortaleza / Croácia, Recife)

Dificilmente o México será líder de sua chave. No entanto, diante de sua draga nas Eliminatórias, não pode reclamar do que terá pela frente. Será a segunda seleção que menos viajará na fase de grupos, concentrando-se na costa do Nordeste – relativamente próximo para sua torcida. E, exceção feita ao Brasil, pega equipes contra as quais tem totais chances de avançar – uma das mais fracas da África, assim como da Europa, que terão viajado pelo menos o quádruplo dos mexicanos na fase de grupos. Pior será nos mata-matas, quando talvez tenha Espanha ou Holanda pela frente. Mas, a partir de então, sua eterna meta de chegar às oitavas terá sido cumprida.