Dois anos após o retorno à elite argentina, o River Plate se sagrou campeão do Torneo Final. Uma conquista de grande comemoração para os maiores vencedores do campeonato nacional, com 36 taças, e que não vinha desde 2008. Mas um feito que se trata mais das brechas que os Millonarios aproveitaram do que necessariamente o resultado de uma grandiosa reestruturação desde a volta da segundona, já que neste entretempo o clube lidou com a administração problemática de Daniel Passarela.

Outras equipes tiveram a chance de levar a competição, mas desperdiçaram a oportunidade tropeçando em momentos cruciais. Já que ninguém queria ficar com a taça, os alvirrubros foram lá e, contando com figuras do passado, que retornaram para “resgatar o clube”, garantiram o título. Da 5ª à 11ª rodada, o Colón liderou a competição, apesar do equilíbrio notável na tabela. Depois disso, vários times passaram a flertar com a conquista. Até a rodada final, quando o River Plate chegou no topo, mas ainda era perseguido por Estudiantes e Gimnasia. Para garantir a taça, os portenhos atropelaram o Quilmes no Monumental de Núñez, goleada por 5 a 0. Nem precisava, já que os dois clubes de La Plata perderam neste domingo e, de qualquer forma, dariam o troféu de bandeja.

Com concorrentes tão hesitantes como esses na briga pelo título, bastou ao River, que teve seus pontos altos no campeonato, manter um pouco mais de regularidade para ficar com a taça do Torneo Final. Nas sete rodadas finais, foram cinco vitórias e dois empates para os millonarios, resultados fundamentais para a glória. Levaram às lágrimas o experiente Ramón Díaz, ídolo como jogador e como técnico, que desde o ano passado reassumiu o compromisso de treinar o clube que levou ao título da Libertadores em 1996.

Obviamente, não apenas a incompetência dos outros deu ao River o título. A equipe, embora longe de ser espetacular, conta com atacantes bastante experientes, como Fernando Cavenaghi, que voltou a jogar em bom nível desde o retorno ao time que o revelou, e o encrenqueiro Teófilo Gutiérrez, da seleção colombiana. O ponto forte, no entanto, está na defesa sólida, a terceira mais positiva da competição, com bons nomes como Éder Balanta, Gabriel Mercado e Marcelo Barovero. Além do coletiva, vale ressaltar o destaque individual de Carlos Carbonero, meio-campista fundamental para o equilíbrio do time, assim como o veteraníssimo Cristian Ledesma.

O passeio sobre o Quilmes, com grande atuação de Cavenaghi, autor de dois gols, e uma festa incrível da torcida no Monumental de Núñez, foi a cena perfeita para encerrar a campanha do primeiro título desde a volta à primeira divisão. De quebra, o River garante seu retorno à Libertadores, que não disputava desde 2009.

Foi assim, recorrendo a peças importantes do passado, como Diaz e Cavenaghi, que os millonarios reencontraram parte da glória que os deixou conhecidos como campeões do século. O desafio para prosseguir o restabelecimento do time como uma potência na Argentina continua, sobretudo fora de campo, e a constante alternância entre campeões no país indica que não será nada fácil se manter no topo. No entanto, no que depender dos torcedores, não faltará energia positiva vinda das arquibancadas do Monumental para que o ciclo vencedor se estenda, por tudo o que se viu na comemoração.