Soccer City, Joanesburgo, 11 de julho de 2010. Às 21h45 daquela noite, os destinos de Arjen Robben e Iker Casillas se cruzaram de maneira decisiva. Um frente ao outro, os únicos em um campo no qual os outros 20 jogadores eram meras sombras. O holandês tinha nos pés a chance de dar à Holanda seu primeiro título mundial. Tentou definir rápido. Chutou em cima do capitão espanhol, que também teve seus méritos na defesa espetacular. O herói, que terminou aquele mata-mata sem sofrer gols. Ganhou o direito de erguer a taça, dar à Espanha sua primeira estrela.

CRÔNICA: A Holanda espremeu a Espanha até tirar todo o seu sangue

Fonte Nova, Salvador, 13 de junho de 2014. Às 17h35 daquela tarde, os destinos de Robben e Casillas voltam a se cruzar. Não de maneira tão decisiva. Porém, para um lance que se tornou tão emblemático quanto. A Holanda já vencia a Espanha por 4 a 1, Casillas havia falhado em dois gols e Robben, por sua vez, anotado uma pintura. De novo, um contra o outro, com 20 sombras ao redor. Pois o camisa 11 preferiu não ser letal de imediato.

Se sofreu por quatro longos anos, Robben preferiu torturar Casillas, tornar aqueles segundos tão longos quanto o intervalo entre duas Copas. Deixou o goleiro no chão uma vez, deixou duas, o fez rastejar na grama. Só quando tinha o gol totalmente aberto é que resolveu fuzilar. Alguns não vão esquecer que o atacante perdeu um Mundial para a Oranje. No entanto, muitos também foi pensar que ele humilhou a Espanha. Foi o carrasco do antigo herói. Lavou a alma de muitos holandeses que o chamaram de vilão em 2010.

Casillas está na história das Copas. Robben, também. Dois gigantes em momentos eternos.