No pulsar do Olímpico, Roma faz o milagre para eliminar Barcelona e avançar à semifinal

A história da fundação da Roma é mitológica, com os irmãos Remo e Rômulo sendo alimentados por uma loba. O que aconteceu na cidade eterna na noite desta terça-feira é algo digno de entrar para a mitologia do futebol. Depois de tomar 4 a 1 do Barcelona no Camp Nou, a Roma precisava de um milagre na sua casa para avançar. Era difícil de acreditar, mesmo ao mais fanático torcedor romanista. Mas o milagre veio. E veio com um time que jogou muito futebol, que teve postura, que teve confiança e fez os gols. Fez 3 a 0, em um estádio que vibrava e pulsava desde antes do apito inicial. Um placar incrível e um jogo fantástico da Roma, que leva o time à semifinal pela primeira vez desde 1986.

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O que vimos em campo foi Edin Dzeko fazendo um jogo fabuloso. O camisa 9 foi determinante. Teve uma atuação gigantesca, sendo absolutamente decisivo não só no jogo, mas no confronto, porque foi dele o gol na primeira partida, que foi crucial para este jogo de volta. Daniele De Rossi, o capitão romanista, foi outro a fazer uma partida absolutamente fantástica. Deu o passe do primeiro gol, fez o segundo de pênalti e foi preciso, em todos os aspectos.

Se você se pergunta como a Roma operou esse milagre, nós contamos que começou com algo que já vimos acontecer: o sufoco total na saída de bola. O Barcelona não conseguia jogar. Não conseguia trocar os passes que está acostumado. Sufoco total. A Roma, com uma organização muito grande, marcou muito bem Jordi Alba e tirou completamente o jogo de Busquets. O volante, que é crucial pela inteligência na saída de jogo do Barcelona, esteve afogado em meio ao cerco romanista.

A Roma sabia que a missão era quase impossível. E que para torna-la viável, era preciso um gol cedo. E ele veio. Aos seis minutos, Daniele De Rossi fez um lançamento maravilhoso para Dzeko, nas costas da defesa, dominar e marcar 1 a 0. Um sopro de esperança nos apaixonados torcidos romanistas presentes ao estádio.

Bem posicionada em campo, a Roma pressionou. Em um cruzamento, Dzeko perdeu uma outra chance, de cabeça, e quase ampliou o placar. O Barcelona conseguia ameaçar em saídas rápidas para o ataque. Duas delas resultaram em faltas. Nas duas, Lionel Messi tinha boa posição para cobrar. Bateu as duas com perigo, mas mandou ambas para fora.

Schick, em uma cabeçada após escanteio, também levou perigo. Aliás, o tcheco teve duas outras chances: em outro cruzamento, desta vez com a bola rolando, o camisa 14 tocou perigosamente. Em outra, recebeu lançamento, mas não conseguiu finalizar e foi travado.

O segundo tempo manteve os dois times sem alterações, nem nos jogadores, nem no jogo: a Roma já começou no campo de ataque, pressionando e tentando sufocar um Barcelona que pouco ou nada fazia no ataque.

Aos 22 minutos, em um cruzamento para a área, Nainggolan tocou com algum perigo, mas Ter Stegen fez a defesa. A Roma, então, fez alterações. Primeiro, tirou o tcheco Schick e colocou Cengiz Ünder. O turco entrou correndo muito e dando trabalho. E o técnico Eusebio Di Francesco mudou de novo, colocando El Shaarawy em campo no lugar de Nainggolan, que saiu, aparentemente, cansado.

Logo depois de entrar, El Shaarawy quase empatou o jogo. Depois de boa jogada de Florenzi pela direita, o meia cruzou de pé esquerdo para a segunda trave, onde El Shaarawy tocou para grande defesa de Ter Stegen. A pressão romanista era grande. Até que Dzeko foi derrubado na área por Piqué, que puxou acintosamente o atacante bósnio. De Rossi cobrou a penalidade com precisão: 2 a 0, aos 13 minutos do segundo tempo. Haveria muito tempo para buscar o gol. O milagre.

Iniesta, sem conseguir jogar e já muito cansado, foi substituído. Mas o que chamou a atenção foi quem entrou no seu lugar. Não foi Paulinho, normalmente um jogador muito físico e que parecia adequado para o jogo que a Roma impunha. Foi André Gomes. O português, assim como o resto do time, pouco conseguiu tocar na bola.

Aos 37 minutos, Ünder cobrou escanteio na primeira trave, Manolas cabeceou e marcou o gol que enlouqueceu o estádio Olímpico: Roma 3 a 0, placar que precisava para se classificar. A comemoração do zagueiro grego foi uma loucura, correndo pelo estádio e sendo abraçado pelos companheiros. A Roma era premiada pelo excelente jogo que fazia.

O desespero bateu e o técnico Ernesto Valverde fez suas alterações: colocou Dembélé e Alcácer nos lugares de Semedo e Busquets. No abafa, Piqué virou centroavante e o Barcelona foi para a bola longa, jogou bolas na área, chutou de onde pôde… Mas não foi suficiente. A Roma manteve o jogo físico e, nesses últimos minutos, se colocou bem na defesa.

A Roma sai de campo classificada à semifinal pela primeira vez desde 1984, ano que chegou à única final da competição. Naquela edição, o time passou pelo Dundee United, da Escócia, nas semifinais. Na final, jogando em Roma – uma das raras vezes que o estádio pré-escolhido para a final recebe o time da casa -, acabou derrotado pelo Liverpool nos pênaltis. Liverpool que também avançou às semifinais e os dois times podem se enfrentar já na próxima fase, se assim forem sorteados.

A festa da torcida romanista não terá hora para acabar. O dia 10 de abril será histórico. O torcedor da Roma jamais vai esquecer essa virada histórica. Por outro lado, o Barcelona sente o gosto amargo na boca que provocou, na temporada passada, no PSG, quando reverteu os 4 a 0 da ida com um 6 a 1 na volta – ainda que com uma arbitragem questionável em decisões chave. Se o time está invicto no Espanhol, na Champions foi derrotada com muita justiça por uma Roma que foi muito melhor. No primeiro jogo, os 4 a 1 ficaram pesados demais para o time italiano, que não jogou mal. Desta vez, o placar de 3 a 0 a favor da Roma não foi pesado demais: a Roma criou o suficiente para fazer isso. E avança para manter o sonho vivo.

FICHA TÉCNICA

Roma 3×0 Barcelona

Local: Estádio Olímpico, em Roma (ITA)
Árbitro: Clément Turpin (FRA)
Gols: Dzeko aos 6’/1T,  De Rossi (pênalti) aos 13’/2T, Manolas aos 37’/2T (Roma)
Cartões amarelos: Juan Jesus, Fazio (Roma), Piqué, Luis Suárez, Messi (Barcelona)
Cartões vermelhos: nenhum

Roma

Alisson; Federico Fazio, Kostas Manolas e Juan Jesus; Alessandro Florenzi, Kevin Strootman, Daniele De Rossi, Radja Nainggolan (Stephan El Shaarawy aos 32’/2T) e Aleksandar Kolarov; Patrick Schick (Cengiz Ünder, aos 28’/2T) e Edin Dzeko. Técnico: Eusebio Di Francesco

Barcelona

Marco-André Ter Stegen; Nelson Semedo (Ousmane Dembélé aos 40’/2T), Gerard Piqué, Samuel Umtiti e Jordi Alba; Sergi Roberto, Ivan Rakitic, Sergio Busquets (Paco Alcácer aos 40’/2T) e Andrés Iniesta (André Gomes aos 36’/2T); Lionel Messi e Luis Suárez. Técnico: Ernesto Valverde