Alessio Romagnoli se expôs de uma maneira pouco usual às vésperas do jogo decisivo contra a Lazio, valendo uma vaga na final da Copa da Itália. Já se sabia que o zagueiro nascido na região metropolitana de Roma era torcedor dos biancocelesti desde a infância, apesar de sua ascensão no futebol como romanista. Ainda assim, antes de uma semifinal tão importante, o jogador do Milan falou do valor pessoal que a partida possuía. “É sempre bom encarar a Lazio. Sou torcedor e minha fé permanece assim. Será uma bela emoção. Jogaremos no estádio onde vi com o meu pai a conquista do Scudetto. Mas temos que vencer. A Copa da Itália é nosso objetivo”, declarou. E ninguém pode duvidar do profissionalismo do laziale que veste a camisa rossonera. Romagnoli fez uma partidaça no Estádio Olímpico, para garantir o empate por 0 a 0, que persistiu na prorrogação e forçou os pênaltis. Pois o destino quis que ele acertasse a cobrança definitiva, garantindo o triunfo por 5 a 4 e a classificação dos milanistas à decisão contra a Juventus. Será a quinta vez que o confronto se repete na final, o primeiro desde 2016.

O embate no Estádio Olímpico foi diferente do 0 a 0 em Milão, no primeiro encontro da semifinal. Desta vez, ambos os times demonstravam muito mais ímpeto em buscar a vitória. Foi um bom duelo, aberto, com várias chances de gol. Durante os primeiros minutos, a Lazio começou melhor. Pressionou e criou bastante. Gianluigi Donnarumma estava em grande forma, salvando com a ponta dos dedos uma cabeçada de Ciro Immobile e desviando também chute rasteiro de Sergej Milinkovic-Savic. O Milan responderia apenas aos 19, em chute de Suso que Thomas Strakosha defendeu, antes que Patrick Cutrone acertasse a trave no rebote. O garoto, entretanto, estava impedido. Os milanistas equilibraram o confronto depois disso, se impondo no campo de ataque. Até o intervalo, ambos os times ameaçariam, mas não superaram os goleiros, sobretudo Donnarumma – que faria boas defesas, mesmo quase entregando um tento em saída errada.

Durante o segundo tempo, o jogo caiu de ritmo. O Milan era superior e arriscava mais no ataque, de novo forçando Strakosha a trabalhar. Na melhor intervenção, o goleiro rebateu com a perna uma bomba de David Calabria. As chances de gol, de qualquer forma, se tornaram mais esparsas. Isso até o desespero tomar conta nos minutos finais, com os dois times acelerando para ver se conseguiam evitar a prorrogação. O apito final, aliás, gerou bastante polêmica, quando o árbitro encerrou a partida no que se desenhava como um contra-ataque promissor da Lazio. Os biancocelesti reclamaram muito e houve um princípio de confusão no gramado, logo apaziguado.

No primeiro tempo extra, o Milan seguia tentando mais. Strakosha buscou uma falta de Çalhanoglu que desviou na barreira e Alessio Romagnoli errou uma cabeçada na pequena área. Ao menos na defesa o zagueiro se redimia. E de que maneira. Primeiro, fez um desarme crucial contra Ciro Immobile. Já o melhor viria nos primeiros instantes do segundo tempo da prorrogação. Milinkovic-Savic invadiu a área e estava a ponto de fuzilar. Com um carrinho cirúrgico, o defensor travou seu adversário e evitou o tento que parecia certo. O ápice da grande atuação.

Defensivamente, aliás, o Milan atravessou uma noite louvável no Estádio Olímpico. A Lazio tentou pressionar, mas os rossoneri permaneciam intransponíveis, muito firmes nas ações e bem posicionados. Do outro lado, em compensação, o seu ataque pecou demais. E isso ficou claro aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando Nikola Kalinic ficou com o gol escancarado para decidir, mas seu chute triscou o travessão antes de sair. Os dois times resolveriam o classificado nos pênaltis.

Nas cobranças, depois que Ciro Immobile converteu o primeiro chute, os goleiros começaram a brilhar. Strakosha e Donnarumma defenderam quatro penais consecutivos, de Ricardo Rodríguez, Milinkovic-Savic, Riccardo Montolivo e Lucas Leiva. Só então os jogadores colocaram o pé na forma. A disputa seguiu às alternadas, diante da precisão dos batedores. Já na segunda série alternada, pior para a Lazio. Luiz Felipe isolou, mandando por cima do travessão. Romagnoli, por sua vez, balançou as redes. Neste momento, o coração falou mais alto e ele sequer comemorou. Mas o dever estava cumprido e ele poderá disputar a decisão com o Milan.

A Lazio perde a chance de disputar a quarta final nas últimas seis edições da Copa da Itália, mas sai com a cabeça erguida. Também jogou de maneira digna no Estádio Olímpico. Mas, ao final, o Milan é merecedor da comemoração. Segue em frente na fase imparável sob o comando de Gattuso e ganha o direito de desafiar a Juventus – que, horas antes, terminou de fazer o serviço contra Atalanta em Turim, em jogo no qual a Dea partiu para cima e criou suas chances, mas acabou derrotada por 1 a 0 após um pênalti discutível. A final terá um valor imenso não apenas por poder coroar a temporada rossoneri com uma taça, mas também por oferecer uma vaga na Liga Europa, caso as coisas na Serie A comecem a desandar. Mas pela consistência recente dos milanistas, dá para apostar que será um verdadeiro desafio ao tetra da Velha Senhora.

O cansaço da prorrogação nesta quarta, de qualquer forma, pode ter seu preço. Tanto Milan quanto Lazio têm compromissos fundamentais na Serie A. Os biancocelesti recebem a própria Juventus no sábado. Já no domingo, os rossoneri disputam o Dérbi della Madonnina contra a Internazionale, tentando exibir suas credenciais para ainda brigar por um lugar na próxima Liga dos Campeões. Pela forma recente, o favoritismo estará do lado vermelho no San Siro, principalmente por aquilo que a zaga vem conseguindo. Na atual série invicta de 13 jogos, os milanistas não foram vazados em nove deles.