É um pouco maluco que um jogador de futebol que não atua profissionalmente há dois anos e meio tenha que vir a público confirmar que, surpresa!, está mesmo aposentado, como se o recado não estivesse suficientemente claro. Mas foi isso que Assis, o irmão, fez nesta terça-feira, também conhecida como o dia em que Ronaldinho Gaúcho finalmente oficializou que sua brilhante carreira chegou ao fim.

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Brilhante, mas insatisfatória para quem desfrutava da sua habilidade como se fosse uma obra de arte que não devia nada a um grande quadro, um estupendo filme ou uma bela música. Foram anos de espetáculo entre o surgimento no Grêmio e o título europeu com o Barcelona, mas, depois disso, Ronaldinho Gaúcho não conseguiu mais ser o mesmo. Nunca mais teve a mesma regularidade, passando a impressão de que não estava mais afim de passar pelos sacrifícios de uma carreira profissional.

Houve espasmos no Milan, quando jogou o bastante para ser convocado para a Copa do Mundo da África do Sul. Ou no Atlético Mineiro, com um título da Libertadores orquestrado pelos seus passes e abrilhantado pelos seus golaços. Lembranças cruéis do que poderíamos ter visto mais vezes caso Ronaldinho Gaúcho tivesse conseguido alcançar uma longevidade maior.

Maradona beija a mão de Ronaldinho Gaúcho (Foto: Getty Images)

Porque o que víamos era a mais pura expressão do futebol como arte misturado com uma capacidade de decisão impressionante. Elásticos, chapéus, dribles desconcertantes, dribles imprevisíveis, dribles entorpecentes, arrancadas, golaços acrobáticos, golaços de fora da área, golaços de dentro da área, lançamentos, passes de costas, passes de Trivela, passes que apenas ele nos demonstrou que eram possíveis.

Um repertório sem igual para jogadores da sua geração e com pouca equivalência na história do futebol. Quando estava no auge, era colocado por muitos quase no nível de Garrincha e Maradona que, opiniões específicas à parte, são tidos como os que mais se aproximaram de Pelé. Infelizmente, não pudemos saber até onde Ronaldinho Gaúcho poderia chegar. Mas temos lances suficientes para sabermos por que o mundo do futebol o reverencia. Com a aposentadoria do craque, sempre craque, eternamente craque, confirmada, é hora de os lembrarmos. Hora de olhar tudo o que ele fez.

Nota do editor: Meu gol favorito, pelo ineditismo de driblar sem sair do lugar.