Ronaldinho comemora gol pelo Atlético: ele é o craque do Galo (AP Photo/Bruno Magalhaes)

Ronaldinho foi mágico no Atlético Mineiro e deixará saudades

O mágico vai deixar saudades. Aquele que colocou o sorriso de volta no rosto de cada torcedor atleticano deixou o Galo. E deixou na hora certa. Justamente por deixar saudades acima de qualquer outra coisa.

Ronaldinho Gaúcho fez história no Atlético Mineiro. Não só pelos títulos inéditos da Libertadores e da Recopa Sul-Americana, ambos conquistados com muita emoção, e também pelo caneco do Campeonato Mineiro. O meia fez história por fazer o Galo ser reconhecido internacionalmente, elevar o patamar do clube e protagonizar lances mágicos, cada vez mais vez mais raros nos gramados brasileiros.

No entanto, era a hora de sair. Depois de brilhar em 2012 e no primeiro semestre de 2013 – além de ser importante em partes do segundo semestre, como nas semifinais e final da Libertadores, com assistências e jogadas vitais -, Ronaldinho caiu de produção entre julho e dezembro do último ano e não fez um grande jogo em 2014. A sensação era de que o meia não tinha feito sua estreia no ano e, nitidamente, o time tinha uma produção e movimentação ofensiva melhor sem ele em campo. Não é à toa que nas últimas semanas o debate no Atlético Mineiro era de se tinha chegado a hora de Ronaldinho ir para o banco. E ela tinha chegado.

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Mas antes que o camisa 10 se tornasse reserva, ele saiu. E fez certo. Por tudo o que representa e já conquistou, e pelos 34 anos, ele não precisa passar por esse tipo de desgaste, muito menos essa cobrança, que também seria prejudicial ao Atlético Mineiro e ao técnico Levir Culpi, principalmente em casos de resultados negativos, mesmo com a nítida visão de que o craque não vive bom momento. E ainda vale destacar que, nesse caso, os boatos de uma má relação entre o meia e o treinador aumentariam. Boatos esses, já desmentidos por Ronaldinho. Também era nítido, inclusive, que o jogador não tinha mais a mesma vontade e o mesmo tesão de 2012 e 2013.

É como dizem: tudo na vida tem começo, meio e fim. E a história de Ronaldinho como jogador do Galo também foi assim. Mas não a história como ídolo e referência do clube. Essa história nunca terá fim. Nem para o meia, nem para aqueles que o idolatram. Não é à toa que o próprio camisa 10, em sua despedida, afirmou que o Atlético Mineiro é a sua segunda casa. Não só porque ele se reencontrou futebolisticamente no clube, mas, também, por todo o apoio extracampo que a massa deu ao craque, como quando sua mãe lutou contra o câncer e quando seu padrasto morreu. Pode-se dizer que a relação entre Ronaldinho e Atlético Mineiro é daquelas cada vez mais raras entre um clube e um jogador hoje em dia, ainda que tenha sido curta perto de tantos outros casos emblemáticos.

No entanto, também vale destacar que o Atlético Mineiro, apesar de aproveitar muito bem o fato de contar com Ronaldinho Gaúcho dentro de campo, pouco aproveitou o craque fora das quatro linhas. A gestão do presidente Alexandre Kalil merece sim vários elogios. Afinal, depois de muito tempo, o Galo voltou a ser grande, brigar por títulos, conquistar glórias, estar onde deve estar. Foi na gestão de Kalil que o time alvinegro conquistou a tão perseguida Libertadores. Foi ele quem apostou em Ronaldinho quando ninguém o queria, e como ele acertou nessa escolha.

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Mas apesar de todos esses e outros acertos, como organizar o clube e sua estrutura também fora de campo, Kalil cometeu seus equívocos. E um deles foi justamente em relação ao camisa 10. Por uma mentalidade atrasada, a gestão de Kalil não tem um departamento de marketing. Afinal, para o mandatário atleticano, marketing é provocar o rival em jornal e bola dentro da casinha. O Atlético Mineiro poderia ter aproveitado infinitamente mais o fato de contar com Ronaldinho Gaúcho em seu elenco. Várias ações poderiam ter sido feitas e o Galo poderia ter arrecado milhões. O clube aproveitou o craque fora de campo, mas não tanto quanto poderia.

De qualquer forma, Ronaldinho escreveu seu nome como um dos grandes jogadores da história do Atlético Mineiro, para muitos, o maior, acima até mesmo de Reinaldo. Que o craque tenha sorte em sua próxima empreitada e leve seu sorriso para os que irão vê-lo jogar de perto. Ao que tudo indica, na Major League Soccer, nos Estados Unidos.

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