Prodígio. Ronaldo pode ser descrito assim, ainda um adolescente quando estreou pelo time profissional do Cruzeiro. Foi precoce para a seleção brasileira e foi parte do grupo que foi campeão do mundo na Copa de 1994, nos Estados Unidos. O garoto, de 17 anos, se tornou uma coqueluche: foi vendido depois para o PSV, onde teve duas temporadas espetaculares, e se tornou “o jogador de US$ 20 milhões”, como estampava a capa da Placar em 1996. Ele se tornou o jogador mais caro do mundo quando o Barcelona o contratou, naquele ano de 1996, quando ele fez parte da campanha do Brasil na Olimpíada de Atlanta, quando o time parou na semifinal diante da Nigéria de Kanu.

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No Barcelona, a temporada foi avassaladora. O garoto de 19 anos se tornou rapidamente um ídolo. Mas um ano depois da sua chegada à Barcelona e com a sua ascensão meteórica ao estrelato mundial, ele se transferiria de novo. Se desentendeu com a diretoria do Barcelona e, novamente, quebrou o recorde de transferências: foi para a Internazionale.

Ficou cinco anos no clube, de 1997 a 2002, quando deixou a equipe para ir ao Real Madrid. Ficou outros cinco anos no clube merengue antes de voltar à Itália para defender o Milan, rival da Inter. Ficou pouco tempo e, em 2008, com uma grave lesão, deixou o clube. Terminaria a carreira no Corinthians, de 2009 a 2011.

Em entrevista ao canal de TV da Inter, Ronaldo fala sobre o carinho com a Inter e descreve a sua decisão de ir para o clube, naquele verão europeu de 1997, foi a melhor que tomou. “Futebol é maravilhoso e é toda a minha vida”, afirmou Ronaldo ao receber a nomeação ao Hall da Fama da Inter. “Eu quero agradecer a todos os torcedores da Inter que choraram comigo quando eu chorei e comemoraram comigo quando nós vencemos”.

O grande articulador da transferência de Ronaldo para a Inter foi Massimo Moratti, então presidente da Inter. “Ele teve uma recepção abaixo do esperado na Itália, com a tradicional esnobe italiana. ‘Ele é um bom jogador no exterior, mas isso é porque eles não sabem defender como na Itália’. Porém, ele acabou indo melhor aqui do que ele foi no Barcelona”, conta o dirigente.

Moratti sempre rasgou elogios a Ronaldo e o ex-jogador brasileiro é sempre recebido com honras em Milão, mesmo com a passagem apagada pelo rival Milan – ou talvez também por isso. Em 2014, em uma entrevista ao Corriere dello Sport, Moratti descreveu que a contratação de Ronaldo foi o maior acerto que ele teve no seu tempo como presidente do clube. “Em junho de 1997 contratamos Ronaldo, foi o melhor investimento desses meus 18 anos como presidente da Inter. Ele era forte, inalcançável com sua habilidade e velocidade, e ninguém se quer pensava que poderíamos trazê-lo, afinal, ele era do Barcelona”, afirmou Moratti.

“Acho que só Massimo Moratti podia acreditar que ele podia contratar Ronaldo para a Inter”, disse o jornalista Fabio Monti. “Era uma contratação incrível, porque era difícil acreditar que ela era possível”, continuou. “Milão precisava de um campeão como Ronaldo. Todo mundo percebeu que havia muitos jogadores de alto nível por aí, mas Ronaldo estava em outra categoria”.

“Eu estava em negociação para um novo contrato com o Barcelona, mas não conseguimos chegar a um acordo para a renovação. Imediatamente eu decidi que não ia ficar no Barcelona, porque eu não confiava mais na diretoria. A Inter veio e me ofereceu um desafio incrível. Naquela época, a Serie A era o mais forte do mundo e também o mais difícil”, contou Ronaldo. “Eu acho que foi a melhor decisão que eu tomei”.

“Eu estava muito tenso e havia uma grande expectativa para a minha estreia. Foi maravilhoso. San Siro estava lotado e foi verdadeiramente emocionante. Toda minha passagem pelo clube, não só a estreia, mas aquele dia em particular foi belíssimo”.

Um dos jogos mais marcantes da carreira de Ronaldo na Inter foi um jogo contra o Spartak Moscou pela Copa da Uefa de 1997/98. Nas semifinais daquele torneio, a Inter tinha vencido por 2 a 1 jogando em Milão, com gols de Ivan Zamorano e do brasileiro Zé Elias, com Dmitri Alenichev descontando para os russos.

No jogo de volta, na gelada Moscou, o Spartak saiu em vantagem aos 12 minutos, com Andrey Tikhonov. Mas Ronaldo teve, então, uma atuação sublime. Marcou um gol aos 45 minutos do primeiro tempo e o segundo aos 30 minutos do segundo, decidindo o jogo e a classificação à final. A Inter seria campeã vencendo a então fortíssima Lazio na final, em Paris. Novamente com gol de Ronaldo.

“Estava muito frio, acho que -18 graus. Quando chegamos, o campo estava coberto de neve. O jogo foi adiado em duas horas para poderem tirar toda a neve do campo. Era um ambiente de grande jogo e havia muita pressão dos torcedores rivais”, conta Ronaldo.

“O campo estava impossível, a bola estava pulando por todo lugar, era como se a bola estivesse viva, mas ele foi capaz de controlá-la mesmo assim, passar pelos adversários e ainda fazer o gol. É um desses gols que transcende o esporte”, afirmou o jornalista Bruno Longhi.

“Naquele campo encharcado, na neve de Moscou, campo terrível, ele emergiu da terra. Foi como se ele tivesse nascido naquela terra e fosse parte do futebol. Ele era parte daquele campo, como se sempre tivesse sido. Ele fundamentalmente era o futebol, que é a razão de não parecer difícil para ele”, disse Francesco Repiche, outro jornalista que cobriu o jogo.

“A gente precisava de um resultado e eu marquei um gol estupendo. Todo o time jogou bem. Foi uma grande partida, uma verdadeira batalha e nós aproveitamos”, disse Ronaldo.

“É verdadeiramente uma história de amor com o clube, eu sou verdadeiramente agradecido por tudo que a Inter fez por mim. Foi a Inter que me ajudou a ganhar o apelido de ‘Fenômeno’ e sou eternamente grato ao clube”.