Ronaldo com a camisa do Brasil: estreia em 1994 (Foto: AP)

De Ronaldo Fenômeno a Thomas Müller: conheça quem ganhou vaga na seleção no ano da Copa

Amistosos de seleções em ano de Copa do Mundo geram expectativas grandes. Afinal, faltam poucos meses para o Mundial e jogar bem significa dar um bom passo rumo à lista final. Nas Copas de 1994, 1998 e 2002, o Brasil fez muitos jogos para testar jogadores às vésperas do principal torneio de seleções do mundo.

De 2006 para cá, o número de jogos da agenda internacional, especialmente no ano da Copa, diminuiu. Só um jogo foi disputado antes da convocação final. Em 2014, Fernandinho foi titular e pode ir para a Copa mesmo jogando só o último amistoso sob o comando do técnico. Essa situação não é tão incomum assim e mostramos alguns jogadores que só chegaram à seleção no ano da Copa para então irem ao Mundial.

Ronaldo, Brasil, 1994
Ronaldo contra a Islândia em 1994: com a camisa 7, ele marcou seu primeiro gol pela seleção e garantiu lugar na Copa de 1994

Ronaldo contra a Islândia em 1994: com a camisa 7, ele marcou seu primeiro gol pela seleção e garantiu lugar na Copa de 1994

O maior artilheiro das Copas do Mundo chegou ao seu primeiro Mundial de última hora. Brilhando pelo Cruzeiro desde 1993, Ronaldo foi convocado pela primeira vez no jogo contra a Argentina, no estádio do Arruda, no Recife, no dia 23 de março de 1994. Vestindo a camisa 19, entrou no lugar de Bebeto, quando ainda tinha 17 anos. Seria titular pela primeira vez no dia 4 de maio daquele ano, em amistoso contra a Islândia no estádio da Ressacada, em Florianópolis, quando também marcou um dos seus gols. Viola, que já tinha jogado pela seleção principal em 1993, também se consolidou no grupo na reta final, inclusive marcando gol nesse mesmo jogo contra a Islândia. Ronaldo para a Copa, mas não entrou em nenhum jogo. Viola entrou na final.

David Trezeguet, França, 1998
Trezeguet (dir.) chegou à seleção da França em 1998, ano da Copa. Henry, ao seu lado, estreou nos Bleus em 1997 (AP Photo/Rick Bowmer)

Trezeguet (dir.) chegou à seleção da França em 1998, ano da Copa. Henry, ao seu lado, estreou nos Bleus em 1997 (AP Photo/Rick Bowmer)

Foi só no ano da Copa do Mundo da França que o atacante David Trezeguet estreou pela equipe nacional. Foi no dia 28 de janeiro, no amistoso contra a Espanha que inaugurou o Stade de France. Quem fez o primeiro gol do estádio foi Zinedine Zidane, que seis meses depois faria dois gols no mesmo estádio que dariam o título do primeiro Mundial da França. Trezeguet participou da Copa e já mostrava o seu potencial e só não foi titular por ainda ser muito jovem, porque claramente era bem superior tecnicamente aos titulares Stéphane Guivarc’h e Christophe Dugarry.

Michael Owen, Inglaterra, 1998
Owen se consagrou na Copa de 1998 com o golaço contra a Argentina  (AP Photo/Laurent Rebours)

Owen se consagrou na Copa de 1998 com o golaço contra a Argentina (AP Photo/Laurent Rebours)

O “Golden Boy” vestiu a camisa da seleção inglesa pela primeira vez no ano da Copa. Foi em um amistoso contra o Chile, no dia 11 de fevereiro, e que o Chile venceu por 2 a 0. Ele ainda jogaria mais três partidas, no dia 25 de março, empate com a Suíça por 1 a 1, no dia 22 de abril em vitória por 3 a 0 contra Portugal e no dia 23 de maio, em empate por 0 a 0 com a Arábia Saudita. O atacante acabaria sendo destaque durante a Copa, especialmente pelo gol contra a Argentina.

Kaká, Kléberson e Anderson Polga, Brasil, 2002
Kleberson disputa com Schneider, da ALemanha, na final da Copa de 2002 (AP Photo/Kevork Djansezian)

Kleberson disputa com Schneider, da ALemanha, na final da Copa de 2002 (AP Photo/Kevork Djansezian)

O técnico Luiz Felipe Scolari resolveu fazer amistosos apenas usando jogadores que atuavam no Brasil. Foi assim que o jovem Kléberson, meia do Atlético Paranaense e então com 21 anos, foi chamado pela primeira vez e já foi titular no amistoso com a Bolívia, no dia 31 de janeiro. Teve a honra de vestir a camisa 10, o mesmo número que usava no Atlético, naquele jogo. Anderson Polga, zagueiro do Grêmio, também estreou na seleção naquela partida.

Quem também estreou naquela partida foi Kaká, meia do São Paulo então com 19 anos. Ele substituiu Juninho Paulista. Kléberson jogaroa a partida seguinte, contra a Arábia Saudita, no dia 6 de fevereiro, também contando apenas com jogadores que atuavam no Brasil. No dia 7 de março, a fórmula só com jogadores locais foi repetida e Kaká foi novamente titular. O amistoso com a Islândia acabou 6 a 1 para o Brasil, com direito a gols de Kléberson, Kaká, Anderson Polga e Gilberto Silva. O volante também se consolidou na seleção naqueles amistosos, mas já tinha sido chamado por Scolari para um  jogo das eliminatórias, ainda em 2001. Todos foram à Copa do Mundo, sendo que Gilberto Silva e Kléberson acabariam o torneio como titulares.

Theo Walcott, Inglaterra, 2006
Theo Walcott em sua estreia pela seleção inglesa, em 2006 (AP Photo/Dave Thompson)

Theo Walcott em sua estreia pela seleção inglesa, em 2006 (AP Photo/Dave Thompson)

Contratado junto ao Southampton em janeiro, o atacante ainda nem tinha estreado pelo Arsenal quando foi chamado pelo técnico Sven-Goran Eriksson para a Copa do Mundo de 2006. Isso mesmo: aos 17 anos, Walcott jamais tinha jogado pela seleção antes da Copa. A estreia aconteceu em um amistoso contra a Hungria, vencido pela Inglaterra por 3 a 1, em Old Trafford, já com os convocados para a Copa da Alemanha. Entrou no lugar de Michael Owen no segundo tempo.

Ele só voltaria a jogar pela seleção em 2008, já com Fabio Capello no comando, em amistoso contra Trinidad & Tobago. Tornou-se presença constante na seleção a partir de então, mas ficaria fora do grupo que foi à Copa de 2010, na África do Sul, por opção de Capello. E neste ano de 2014, deve ficar fora novamente da Copa, mas desta vez por lesão.

Franck Ribéry, França, 2006
Ribéry foi destaque da França em 2006. Na foto, comemora gol contra a Espanha, nas oitavas de final (AP Photo/Bernat Armangue)

Ribéry foi destaque da França em 2006. Na foto, comemora gol contra a Espanha, nas oitavas de final (AP Photo/Bernat Armangue)

Destaque do Olympique de Marseille, Ribéry já brilhava pelo time sub-21 da França desde setembro de 2004, mas foi em 2006 que sua vida mudou de vez. Foi convocado para o amistoso contra o México, no dia 27 de maio daquele ano. Seu bom desempenho garantiu a sua presença na lista final de Raymond Domenech. Na Copa, o jogador tornou-se titular do time que acabaria vice-campeão, sendo um dos destaques dos Bleus como um ponta rápido e habilidoso, ao lado de Zidane e Malouda e servindo o atacante Thierry Henry.

Foi para o Bayern de Munique naquele mesmo ano, onde se tornaria um dos melhores jogadores do mundo – concorreu com Cristiano Ronaldo e Messi pelo prêmio em 2013. Na seleção, fez parte da ridícula campanha de 2010, mas continua sendo um jogador fundamental no time que virá ao Brasil em 2014, com boas chances de chegar longe.

Mariano Pernía, Espanha, 2006
Pernía estreou em amistoso contra a Croácia, em 2006, e marcou um gol. Foi titular na Copa (AP Photo/Daniel Maurer)

Pernía estreou em amistoso contra a Croácia, em 2006, e marcou um gol. Foi titular na Copa (AP Photo/Daniel Maurer)

Argentino de nascimento, o lateral esquerdo do Atlético de Madrid fazia uma grande temporada e foi cogitado que ele poderia ser convocado tanto para a Argentina quanto para a Espanha, onde atuava. O jogador só conseguiu a cidadania espanhola em maio e não seria convocado para o Mundial, mas Asier Del Horno se machucou e o técnico Luis Aragonés resolveu chamá-lo. Ele estreou poucos dias antes da Copa, no dia 7 de junho de 2006, contra a Croácia. Marcou inclusive um gol de falta.

Cesc Fàbregas, Espanha, 2006
Fàbregas em amistoso contra a Rússia de Arshavin, em 2006 (AP Photo/Fernando Bustamante)

Fàbregas em amistoso contra a Rússia de Arshavin, em 2006 (AP Photo/Fernando Bustamante)

Na sua segunda temporada pelo Arsenal, Fàbregas já se destacava e foi um dos nomes que chamaram a atenção na campanha do time na Liga dos Campeões, em um ano que os Gunners acabariam sendo vice-campeões, perdendo a final para o Barcelona de Ronaldinho (com gol de Belletti, lembra?).

Fàbregas chamado para um amistoso com a Costa do Marfim, no dia 1º de março de 2006. Antes, o técnico já tinha convocado o jogador, em novembro, mas ele não entrou em campo. O meia entrou durante o jogo e tornou-se o jogador mais jovem a atuar pela seleção principal da Espanha, então com 18 anos. A partir de então, tornou-se figura certa na seleção espanhola, passou a vestir a camisa 10 e é um dos destaques do time que foi campeão europeu em 2008 e 2012 e da Copa de 2010, mesmo quando vinha do banco.

Grafite, Brasil, 2010
Grafite no jogo contra Portugal, na Copa de 2010 (AP Photo/Hussein Malla)

Grafite no jogo contra Portugal, na Copa de 2010 (AP Photo/Hussein Malla)

Destaque do Wolfsburg na temporada 2008/09, quando o time foi campeão alemão, foi preterido da seleção até que Dunga resolveu chamar o jogador em cima da hora, no amistoso contra a Irlanda. Grafite já tinha atuado pela seleção em 2005, mas foi em um amistoso de despedida de Romário, quando só jogadores que atuavam no Brasil foram chamados.

Naquele jogo contra a Irlanda, entrou no lugar de Adriano, então no Flamengo, e foi para a Copa, ao contrário do Imperador, que teve problemas no clube e acabou não sendo chamado por Dunga. Grafite entrou no jogo contra Portugal na Copa do Mundo, ainda na primeira fase. Foi o seu último jogo pela seleção. Nunca mais foi chamado, deixou o Wolfsburg e foi jogar no Oriente Médio.

Thomas Müller, Alemanha, 2010
Thomas Müller foi destaque da Alemanha em 2010 (AP Photo/Schalk van Zuydam)

Thomas Müller foi destaque da Alemanha em 2010 (AP Photo/Schalk van Zuydam)

Com Michael Ballack machucado, Thomas Müller apareceu pela primeira vez na seleção no ano da Copa, no dia 3 de março de 2010, em amistoso contra a Argentina. Aquele era o seu primeiro ano no time profissional do Bayern de Munique e o jovem vinha tendo bastante destaque, tornando-se titular do time que ganharia o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha, sendo derrotado pela Internazionale na final da Liga dos Campeões.

Müller já estreou como titular do time. Entrou na lista final de convocados para a Copa do Mundo, foi titular e acabou como artilheiro do torneio, com cinco gols, ao lado de Forlán, Sneijder e David Villa. É presença constante e titular da seleção alemã até hoje e segue como um dos destaques do Bayern de Munique, campeão de tudo que disputou na temporada 2012/13.

E em 2014…

Gabriel Palletta na Itália?

Convocado pela primeira vez para o amistoso contra a Espanha, no dia 5 de março, o zagueiro argentino de nascimento, de 28 anos, foi bem e agradou o técnico Cesare Prandelli, fazendo boa marcação em Diego Costa. Tem chances de integrar o grupo da Azzurra na Copa do Mundo.

Diego Costa na Espanha?

Convocado por Luiz Felipe Scolari para a seleção brasileira, Diego Costa estreou com a camisa do país no dia 21 de março de 2013, em amistoso contra a Itália que acabou em 2 a 2. Ele entrou no lugar de Fred. O atacante jogaria também alguns minutos contra a Rússia, no dia 25 de março, desta vez substituindo Kaká. Depois de ficar fora da Copa das Confederações e não mais fazer parte dos planos, surgiu a chance de jogar pela Espanha, já que ele passou a ter a cidadania por viver há cinco anos no país.

Felipão chegou a convocar o jogador para a seleção brasileira em novembro de 2013, mas foi inútil. Diego Costa já tinha decidido jogar pela Espanha. Acabou convocado em novembro por Vicente Del Bosque, mas se machucou e foi cortado. Em março de 2014, foi chamado para o último amistoso da Espanha antes da Copa, contra a Itália, e jogou os 90 minutos. Pode aparecer na lista final do técnico espanhol.

Matthias Ginter na Alemanha?

Zagueiro de apenas 20 anos, Ginter jogou pelas seleções sub-18, sub-19 e sub-21 da Alemanha, mas só no dia 5 de março recebeu a primeira chance no time principal, no amistoso contra o Chile. Entrou no segundo tempo, mas é difícil que esteja entre os 23 que virão ao Brasil. De qualquer forma, o jogador do Freiburg é um candidato a surpresa.

Ciro Immobile na Itália?

Immobile se formou nas categorias de base da Juventus e teve o seu momento de maior brilho na carreira no empréstimo para o Pescara, na temporada 2011/12, fazendo parte da campanha que levou o time ao título da Serie B italiana. Depois de passar pela seleção sub-20 e sub-21 da Itália, o atacante, atualmente fazendo boa temporada pelo Torino, foi chamado pela primeira vez para a seleção principal no dia 5 de março, contra a Espanha.

Prandelli o colocou no segundo tempo e ele pouco tocou na bola. Tudo indica que não estará no Brasil, mas considerando que um dos jogadores que concorrem por uma vaga é Alberto Gilardino, pode ser que o técnico italiano tenha um pouco de bom senso e resolva levar um jogador de 24 anos com algum potencial em vez de um veterano de 31 que não consegue fazer tanta diferença.

Fernandinho no Brasil?

O volante já tinha sido convocado para a seleção brasileira pelo técnico Mano Menezes, estreando pela seleção no dia 10 de agosto de 2011. Na época, jogava no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, o que levava a brincadeiras como “Cota Shakhtar”. Jogou pela última vez pela seleção em 28 de fevereiro de 2012, em amistoso que o Brasil venceu a Bósnia por 2 a 1, ainda sob o comando de Mano.

Fernandinho se transferiu para o Manchester City na temporada 2013/14 e tem sido um dos destaques do time inglês. Convocado para o amistoso com a África do Sul, que acabou 5 a 0 para o Brasil, se destacou, marcou um gol e parece estar dentro dos planos de Felipão para a Copa do Mundo.

São muitos os casos de jogadores que entraram de última hora na Copa do Mundo e selecionamos os mais recentes e representativos para nós, brasileiros. Lembra de alguma história legal sobre jogador convocado na última hora para a Copa e quer contar? Use os comentários e vamos lembrar mais nomes!