A Crimeia continua dando o que falar na disputa entre Rússia e Ucrânia. E desta vez, a Rússia parece que comprou uma briga que deve render alguns capítulos: três times da Crimeia foram admitidos na segunda divisão da Rússia e irão disputar a liga nacional, mesmo sob protesto da Ucrânia, que ainda considera que os clubes estão em seu território. Os ucranianos prometem recorrer à Uefa, enquanto a Rússia planeja usar sua força na Fifa para validar a decisão.

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Três clubes da região irão disputar a segundona da Rússia: SKChF Sevastopol, Zhemchuzhina Yalta e Tavria Simferopol. O SKChF Sevastopol irá jogar no estádio onde jogava o Sevastopol na última temporada, time ucraniano que acabou fechando as portas. O Tavria deve fazer o mesmo.

Curiosamente, desde que a Rússia anexou a Crimeia ao seu território, cinco novoc clubes foram criados na região. O porta-voz da Federação Ucraniana de Futebol, Pavel Ternovoi, disse à Associated Press que a Rússia não tem direito de administrar o futebol onde a Ucrânia considera seu território e pediu que a Fifa e a Uefa tomem uma atitude.

“Nós não podemos fazer o trabalho da Fifa e a da Uefa. Nós esperamos que em um futuro próximos essas entidades tomem as decisões devidas”, disse Ternovoi. “A federação ucraniana quer justiça e a abstenção da política no futebol, tanto na Rússia quanto na Crimeia”, afirmou.

No lado russo, Sergei Stepashin, ex-primeiro ministro da Rússia e membro do comitê executivo da RFU, a federação russa de futebol, disse que “punições são possíveis” se a Rússia incorporar os clubes da Crimeia, mas que ele e a instituição “não têm dúvidas que é a coisa certa a se fazer”.

A confiança russa tem um motivo para existir. Como a Copa do Mundo de 2018 é no país, a Rússia tem boas relações com a Fifa e espera que isso facilite a questão. A RFU quer que o ministro do esporte russo, Vitaly Mutko, que também é membro do comitê executivo da Fifa, convença o presidente Joseph Blatter sobre a questão.

A Fifa está pressionada, mas segue dizendo que a Copa do Mundo de 2018 será na Rússia, apesar dos problemas. Depois da questão da Crimeia, em fevereiro, um avião caiu em território ucraniano e abriu uma crise entre Ucrânia e Rússia, com a suspeita da aeronave ter sido abatida por rebeldes e que tinha como alvo Vladimir Putin, que voava em aeronave que passou no mesmo local minutos depois.

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