A contratação de Toni Kroos pelo Real Madrid, há três anos e meio, hoje soa como uma pechincha. Tendo em vista os valores do mercado atual e mesmo a importância do meio-campista aos merengues, os €25 milhões desembolsados por Florentino Pérez após a Copa do Mundo de 2014 parecem irrisórios. Obviamente, o contrato próximo do fim diminuiu a exigência do Bayern de Munique para ceder o seu talento. Mas há quem admita o erro dos bávaros ao perderem Kroos desta forma. Diretor esportivo do clube entre 2012 e 2016, Matthias Sammer não esconde os seus lamentos quanto à venda.

“Algumas vezes, há situações que você precisa analisar honestamente em retrospectiva. Quem pode dizer que a decisão certa foi tomada? Talvez o Bayern de Munique pudesse ter vencido a Liga dos Campeões mais vezes com Toni Kroos, ou ao menos ter chegado à final. Eu posso dizer hoje, diante da minha posição, que foi um erro deixar Toni sair. Eu estava sentado em seu sofá, tentando fazê-lo mudar de ideia. Eu trabalhei com ele por um longo tempo, o conheço desde os 16 ou 17 anos”, avaliou Sammer, ao Sport Bild.

Contratado pelo Bayern quando tinha 16 anos, Kroos passou um período emprestado ao Bayer Leverkusen, antes de se firmar em definitivo na Baviera em 2010. Conhecia Sammer das seleções de base. Enquanto o Bola de Ouro de 1996 trabalhava como dirigente na federação alemã, o prodígio arrebentava nas categorias menores do Nationalelf. E o veterano, afinal, não deixava de ser uma inspiração ao garoto.

Sammer, em compensação, não negou que Kroos escolheu o melhor para a sua carreira e para a sua visibilidade: “Sua saída não abalou o Bayern. Porém, quando você avalia se é bom ou ruim deixar Toni Kroos sair do time, você precisa ser sincero e afirmar que foi ruim, muito ruim. Mas para o desenvolvimento pessoal do Toni e para a sua valorização, a mudança definitivamente foi melhor para ele”.

Kroos disputou 205 partidas pela equipe principal do Bayern, com 24 gols marcados e 49 assistências distribuídas. Esteve presente na decisão da Liga dos Campeões perdida contra o Chelsea em 2012 e, por uma contusão muscular, se ausentou da conquista continental sobre o Borussia Dortmund no ano seguinte. Durante a maior parte de sua passagem pela Allianz Arena, no entanto, o alemão atuou como meia central, e não como volante, como se estabeleceu no Real Madrid. Desde que desembarcou no Santiago Bernabéu, faturou mais duas Champions. O contrato atual do camisa 8 com os merengues vai até 2022.