O Independiente Santa Fe viveu longos anos de ostracismo. Os Cardinales passaram 37 anos sem conquistar o Campeonato Colombiano, um jejum quebrado de 2012. E, desde então, se firmaram como uma potência, não apenas na Colômbia, como também na América do Sul. No ano passado, o clube de Bogotá foi vice-campeão nacional e semifinalista da Libertadores. E, embora tenha precisado passar pelas preliminares, o Santa Fe já se credencia como um adversário a dar trabalho nos mata-matas da competição continental.

A vaga na fase de grupos foi conquistada com muito suor. Depois de perder por 2 a 1 na visita ao México, em uma partida na qual foi claramente inferior, o Santa Fe precisava reverter o resultado contra o Morelia em Bogotá. Para tanto, contou com as arquibancadas do Estádio El Campín lotadas. E fez o suficiente para se classificar. A vitória por 1 a 0 foi alcançada graças à bola parada, uma das armas do time, em tento anotado por José de la Cuesta. Os colombianos até tiveram a chance de ampliar, mas perderam um caminhão de gols. Já do outro lado, os Monarcas apresentaram uma disposição incomum para times mexicanos na Libertadores, mas não conseguiram marcar o gol que tanto precisavam, apesar da pressão no fim.

Como já tínhamos analisado na última semana, o Santa Fe chega ao Grupo 4 como segunda força. Não tem a cancha do Atlético Mineiro, que busca o bicampeonato. Em compensação, é claramente superior a Nacional e Zamora, independentemente de ambos serem campeões nacionais. Além de possuírem uma equipe mais talentosa, os Cardinales somam outros elementos que costumam ser fundamentais no torneio.

O primeiro é o fator casa. El Campín costuma se tornar uma panela de pressão gigante em jogos decisivos, com 36 mil torcedores intimidando os adversários. Bogotá também ajuda o time com uma altitude considerável, 2,6 mil metros, que costuma atrapalhar os menos acostumados. Não à toa, são seis vitórias consecutivas como mandante no torneio. E, pelo menos na última edição, a equipe demonstrou ter peito para encarar rivais de peso. Nas oitavas de final, o Grêmio foi eliminado em um jogo tenso. Já nas semifinais, por pouco os colombianos não reverteram a derrota para o Olimpia.

Logicamente,  um time que quer triunfar não pode depender de elementos psicológicos. E o Santa Fe também possui um time adaptado ao clima de Libertadores. A equipe de Wilson Gutiérrez é ótima nas jogadas pelos flancos e nas bolas paradas. Omar Pérez é um dos melhores maestros do futebol sul-americano na atualidade, enquanto Wilder Medina também é um atacante de predicados, rápido e oportunista. O ponto fraco fica por conta da defesa que, em compensação, possui o goleiro Camilo Vargas em excelente fase.

É difícil apostar que o Independiente Santa Fe repetirá uma campanha tão boa quanto a na Libertadores 2013, quando não foi à final por um triz. Depende do chaveamento, do embalo da equipe. Contudo, os colombianos são quase certos nos mata-matas. E torça para que o seu time não cruze com eles a partir de então. Os Cardinales não costumam vender seus jogos de maneira tão barata assim.