O Barcelona de Guayaquil, jogando em casa no mata-mata desta Libertadores, tem uma maneira peculiar de pressionar o adversário: abafa, abafa, abafa, corre, corre, corre, e cria pouco, em proporção ao controle do jogo. Sintoma de um time bem organizado com pouco talento técnico à disposição. Foi assim contra o Palmeiras. Foi assim contra o Santos, na noite desta quarta-feira. A diferença entre os dois jogos é que Bruno Henrique, iluminado, marcou o gol que deixa os paulistas mais bem colocados para avançarem às semifinais, depois do empate por 1 a 1.

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O que os donos da casa fazem muito bem, em seus domínios, é encurralar o adversário. Deixam-no em constante alerta, sempre investindo pelos lados com muita velocidade e cruzando as bolas na área, com muito pouco refinamento ou criatividade. Uma hora, porém, esse volume de jogo acaba levando perigo ao goleiro adversário e, eventualmente, a um gol. Contra o Palmeiras, foi um chute de Jonathan Álvez que desviou e matou Prass. Contra o Santos, um escanteio que Álvez desviou para as redes.

Com 63% de posse de bola e 15 finalizações, apenas cinco certas, o Barcelona teve dois momentos em que levou muito perigo: os primeiros e os últimos 15 minutos. Foram nesses períodos que apareceu o espetacular Vanderlei, duas vezes por semana banalizando o milagre. Executou pelo menos três defesas muito difíceis para segurar o empate com gols, que permite ao Santos empatar por 0 a 0 ou, obviamente, vencer no Brasil para passar de fase.

O mapa da mina para os equatorianos foi o lado direito. Tudo saiu por ali. Zeca sofreu com a velocidade dos adversários. Aos 6 minutos, David Braz vacilou dentro da área, e Álvez bateu para linda defesa de Vanderlei com a mão esquerda. Em seguida, Diáz bateu de primeira da entrada da área, por cima do travessão, com muito perigo. A pressão arrefeceu-se com o decorrer da etapa inicial, e o jogo se equilibrou.

Em uma partida muito faltosa, era uma aposta relativamente segura acreditar que sairiam gols de bola parada. No primeiro minuto depois do intervalo, Lucas Lima cobrou na área, Ricardo Oliveira pegou mal o rebote, mas deu sorte. A bola chegou a David Braz, que ajeitou para Bruno Henrique abrir o placar para o Santos, que conseguiu mais ou menos controlar a pressão do Barcelona até os 30 minutos, quando Kayke exigiu boa defesa de Banguera, também cobrando falta.

Foi quando começou uma pressão letal do Barcelona. Para não carregar o texto com termos repetidos, vamos esclarecer agora que todas as jogadas de bola rolando a seguir saíram pelo lado direito: Diáz cortou para o meio e bateu para defesa de Vanderlei; no escanteio, Álvez apareceu na primeira trave e escorou para trás para empatar; logo na sequência, ele desviou cruzamento, e a bola, com muito perigo, passou mansamente perto da trave; Castillo antecipou-se para desviar o centro, a centímetros de Vanderlei, que executou uma linda defesa; e David Braz descolou um carrinho providencial para bloquear um chute de frente para o goleiro santista.

O Santos passou bem pelo teste de Guayaquil. Conseguiu fazer o gol que lhe deixa em posição mais confortável no jogo de volta e teve Vanderlei em outra noite extraordinária para segurar a pressão do Barcelona, muito grande em aparência e em volume, nem tanto assim em chances concretas de gol. Mas precisa tomar cuidado: os velozes equatorianos já mostraram na fase de grupos que são mais perigosos ainda quando atuam fora de casa.