Benfica x Sporting, um jogo que é disputado há mais de 100 anos, é o maior clássico de Portugal. Rivais da cidade de Lisboa e separados por apenas quatro quilômetros, os vizinhos protagonizam uma enorme rivalidade. E poucas vezes, na história recente, um jogo entre os dois times foi tão importante quanto será o deste domingo (9), válido pela 18ª rodada (a segunda do returno) do Campeonato Português.

Será apenas a terceira vez nos últimos 20 anos que os times irão para o duelo ocupando a primeira e a segunda colocações da competição nacional – as outras foram em 1993/94 e 2004/05, quando os encarnados saíram vitoriosos. O Benfica é líder com 40 pontos, enquanto o Sporting ocupa a vice-liderança, com 38. Quem vencer na Luz fechará a rodada na ponta da tabela de classificação e dependendo apenas de si para conquistar o título.

Esse é apenas um dos ingredientes que tornam a partida de domingo especial. A rivalidade por si só, é claro, também faz do dérbi um jogo diferente. Mas o duelo que está por vir promete ser ainda mais especial, especialmente se lembrarmos que, antes da temporada começar, dificilmente alguém se atreveria a dizer que o conturbado Sporting chegaria à esta altura do campeonato brigando de igual para igual pelo troféu de campeão.

De pior campanha da história na temporada passada, os leões passaram a ser um time organizado e estruturado taticamente. Boa parte do mérito disso, como a coluna já apontou outras vezes, é do técnico Leonardo Jardim. Mas, para seguir na trilha das vitórias, ele terá de quebrar um tabu no domingo: Jardim nunca conseguiu vencer o Benfica e nem mesmo qualquer equipe dirigida por Jorge Jesus.

Se a estatística não favorece o treinador sportinguista, está ao lado do comandante encarnado. Jorge Jesus irá para o seu 13º dérbi e, até agora, conheceu o amargo gosto da derrota apenas uma vez. Se vencer novamente, chegará ao 10º triunfo sobre o rival. Apenas Janos Biri, com 15 vitórias, venceu mais pelo lado benfiquista – enquanto Joseph Szabo, com 22 triunfos, é o recordista verde e branco.

Outro capítulo à parte da 292ª edição do dérbi eterno poderá estar sob as traves. No time da casa, Oblak irá para seu primeiro clássico sendo lembrado pela falha cometida no dia 1º de fevereiro, quando do empate por 1 a 1 com o Gil Vicente. Já entre os visitantes, a figura imponente de Rui Patrício terá uma sombra à altura de sua importância para o Sporting e o futebol português: o erro que cometeu no dérbi de novembro e que garantiu ao Benfica a classificação na Taça de Portugal.

Este jogo, aliás, foi o último em que os leões saíram de campo derrotados. Desde então, o time acumula sete vitórias e quatro empates. Uma invencibilidade que impressiona, mas que não é maior que a do rival. Desde que perdeu para o Olympiacos pela Liga dos Campeões, também em novembro, o Benfica soma 14 vitórias (sendo que nove delas foram consecutivas, entre novembro e janeiro) e dois empates.

A segurança é um capítulo à parte no enredo que cerca o dérbi. A polícia de Lisboa classificou o jogo como sendo “de risco elevado” e pede para que os torcedores priorizem o transporte público para ir ao estádio. Os 3 mil adeptos do Sporting seguirão juntos desde Alvalade, com escolta policial. A preocupação é tanta que as autoridades afirmam que o jogo será uma espécie de teste para a final da Liga dos Campeões, que será realizada na Luz.

Outro capítulo à parte é protagonizado pela arbitragem. O indicado para comandar o apito foi Marco Ferreira, da Associação de Futebol da Madeira. Aos 36 anos de idade, este será o segundo dérbi de sua carreira (esteve na vitória por 3 a 1 do Benfica, em 2012). A princípio, ele conta com o aval dos dois clubes, mas como no futebol português as reclamações são tradicionais, não é de se espantar que o lado perdedor jogue a culpa para cima do juiz. Antes da sua indicação, por exemplo, o Sporting havia listado quatro árbitros a quem considera benfiquistas e que, por isso, não poderiam apitar o jogo: Bruno Paixão, Duarte Gomes, João Capela e Manuel Mota.

Com tantos ingredientes, temperados por uma rivalidade acentuada há mais de um século, tudo indica que Benfica e Sporting farão um grande jogo no domingo, às 16h (horário de Brasília), no estádio da Luz. Vale a pena ficar de olho.