Lutando vorazmente contra o rebaixamento, o São Paulo viveu uma manhã de domingo de muita tensão no Morumbi. Diante do maior público do Campeonato Brasileiro até aqui, 56.052 pessoas, o time até teve uma atuação ainda muito irregular. Saiu na frente, tomou a virada e arrancou outra virada, depois de um pênalti bastante controverso. A vitória por 3 a 2 sobre o Cruzeiro tem duas comemorações possíveis: o público presente e Hernanes. Foi o meia o grande nome do time, como tende a ser até o final.

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O primeiro tempo teve o São Paulo completamente perdido em campo. O técnico Dorival Júnior decidiu durante a semana tirar o volante Jucilei e substituí-lo por Militão. Não funcionou. O jogador, ainda jovem, ficou perdido em campo. Dorival até pediu para trocar de posição com Rodrigo Caio. Também não funcionou. O Cruzeiro era melhor, ainda que não criasse tantas chances de gol.

Na melhor chance, Sassá foi bem lançado e passou pelo goleiro Renan Ribeiro, que fez falta clara. Pênalti bem marcado pela arbitragem. O camisa 99 do Cruzeiro foi quem ficou responsável pela cobrança. Apesar de ter conseguido deslocar o goleiro, chutou na trave. Chance desperdiçada. O São Paulo pouco fazia. O jogo, a bem da verdade, era muito ruim.

Quando o empate sem gols parecia inevitável no primeiro tempo, veio uma falta que Hernanes cobrou com uma perfeição rara: golaço do São Paulo e 1 a 0 no placar. O árbitro encerrou o primeiro tempo em seguida. A torcida, que parecia tensa, cantava, feliz. Mal sabia que o início do segundo tempo a situação se inverteria.

Aos seis, Sassá aproveitou um cruzamento para a área e deu um chute acrobático, se redimindo e empatando o jogo no Morumbi. Seis minutos depois, aos 12, Rodrigo Caio falhou de forma inacreditável e Sassá aproveitou para marcar mais um, virando o jogo para 2 a 1. O estádio silenciou. O clima, então, ficou tenso. As mais de 50 mil pessoas viam o time da casa sem saber como reagir. O Cruzeiro tinha chances de ampliar. Perdeu.

Dorival, sabendo que precisava de mais, fez duas alterações. Tirou de campo Petros e Julio Buffarini, colocou em campo Gilberto e Denilson. Este segundo entrou improvisado como lateral, para dar velocidade e ofensividade. Gilberto entrava para aumentar o poder de finalização do time. Uma tentativa desesperada de mudança aos 21 minutos do segundo tempo, com o placar em desvantagem.

Veio, então, mais um toque de Hernanes. Desta vez, o meia cobrou escanteio do lado direito na cabeça do zagueiro Robert Arboleda, que subiu muito bem para tocar de cabeça e empatar o jogo. Um gol achado, mas que rendeu muita vibração no zagueiro equatoriano e acendeu o estádio, que tinha torcedores tensos. Eram 27 minutos da etapa final. Um fio de esperança nos tricolores presentes. Se mantivesse, ao menos, o empate, já seria bom. Mas era difícil.

O estádio sentia murmúrios e lamentações. A atuação, no fim, não era boa. O empate chegou em dois gols achados. Mas viria mais. Aos 37 minutos, o árbitro marcou um pênalti duvidoso do lateral direito Ezequiel em Gilberto. O Cruzeiro, claro, reclamou muito. Hernanes pegou a bola, com a faixa de capitão no braço, e cobrou com categoria: 3 a 2 para o São Paulo. Finalmente, vibração no estádio, que explodia de alegria por uma vitória que parecia improvável depois de ter tomado a virada.

No fim do jogo, Pratto, correndo para marcar, fez uma falta e tomou um cartão amarelo um pouco rigoroso do árbitro. Como já tinha, acabou expulso, aos 46 minutos. O árbitro tinha dado seis minutos de acréscimos. A tensão seguia. Já no último minuto da partida, o São Paulo conseguiu sair de trás em uma puxada de contra-ataque e ganhou uma falta, que Digão tomou cartão amarelo. No lance seguinte, Digão fez falta em Hernanes. Tomou outro amarelo e foi expulso. O árbitro acabou o jogo em seguida.

A vitória veio, ainda que não com uma atuação para isso. Com o time na zona do rebaixamento, não há como escolher os pontos: todos eles são bem-vindos e certamente o time comemorou. Não pode, porém, fechar os olhos aos problemas. O time sentiu muita dificuldade, continua sofrendo para criar jogadas. A bola mal chega a Lucas Pratto, que também não vem bem. Hernanes é o ponto de desequilíbrio. É quem tem levado o time nas costas, porque os demais jogadores não vêm bem.

Marcinho, de um lado, foi mais uma vez ineficiente. Marcos Guilherme entrou do outro lado, mas não fez uma boa partida. Rodrigo Caio teve uma partida pavorosa. Parece possível que o jogador, convocado à seleção brasileira, acabe perdendo a posição. Não vem atuando bem nos últimos jogos.

O São Paulo sofre em campo. Teve dificuldade em manter a posse de bola, em criar as chances e se articular em campo. A atuação contra o Cruzeiro não foi grande coisa, mas a vitória foi enorme. Dorival viu que não dá para tirar Jucilei do time. O São Paulo tem dois destaques neste ano: a torcida, que segue comparecendo, e Hernanes. Precisa de mais para não ficar afundado na zona do rebaixamento. A atuação não foi boa, ao contrário da vitória.

Na próxima partida, o São Paulo vai até Santa Catarina enfrentar o Avaí, um concorrente direto contra o rebaixamento. Não terá Lucas Pratto, suspenso depois do terceiro cartão amarelo e da expulsão. Gilberto, então, deve ganhar chance como titular. Marcinho também está suspenso e não joga. Tanto Pratto quanto Marcinho são jogadores que não vêm bem. Talvez a chance de outros jogadores brigarem por suas vagas no time.

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