Um time que vai para o intervalo perdendo por 4 a 0 normalmente volta para o segundo tempo para cumprir tabela. É uma vantagem que é difícil ser revertida mesmo em um outro jogo inteiro, que dirá em um só tempo. Só que a lógica nem sempre é um limite que o esporte respeita. O Schalke 04 tomou uma goleada por 4 a 0 no primeiro tempo contra o Borussia Dortmund, no Signal Iduna Park, casa do rival. No segundo tempo, voltou como um trovão para reagir, buscar, gol a gol, e empatar o jogo já nos acréscimos. Na estatística, ficará registrado um empate. Na memória dos torcedores, uma das maiores vitórias do Schalke em tempos recentes.

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O Dortmund começou de modo intenso a partida. Logo aos 12 minutos, saiu o primeiro gol, mas não sem polêmica. Depois de cruzamento da direita de Pulisic, Aubameyang dividiu para marcar o gol. Os jogadores do Schalke reclamaram de um toque de mão. O árbitro pareceu esperar um pouco para reiniciar o jogo, esperando a confirmação do árbitro de vídeo se houve irregularidade, mas não foi detectada. Segue o jogo: 1 a 0 Dortmund.

Aos 18 minutos, depois de um cruzamento, Stambouli se atrapalhou e tocou para dentro do gol, marcando um gol contra. E antes que o Schalke pudesse respirar, o ataque seguinte teve Aubameyang recebendo pelo lado direito e cruzando para Mario Götze, que completou de cabeça: 3 a 0, em 20 minutos.

A situação ficaria ainda pior. Aos 25 minutos, foi a vez de Raphael Guerreiro aproveitar um cruzamento da direita para emendar de primeira e marcar um belo gol: 4 a 0 para o Dortmund, agora em 25 minutos. Depois disso, como é de se esperar, o Dortmund administrou o resultado, diminuindo a intensidade esperando o intervalo. O jogo, aparentemente, estava decidido.

Antes mesmo do intervalo, o técnico Domenico Tedesco fez duas mudanças. Tirou Franco Di Santo e Weston McKennie e colocou em campo Leon Goretzka e Amine Harit. O time melhorou, equilibrou o jogo, mas parecia um pouco tarde para isso.

Aparentemente, porque os dois times voltaram com energia invertida no segundo tempo. O Dortmund entrou devagar, enquanto o Schalke veio disposto a vender caro a derrota. Começou em cima dos mandantes arrancou um gol de escanteio com Naldo, mas a arbitragem anulou depois de consultar o árbitro de vídeo. Havia impedimento, corretamente marcado.

Só que aos 16, o Schalke conseguiu seu gol. Lançamento longo de Stambouli para Guido Burgstaller, que tocou de cabeça, aproveitando o posicionamento ruim de Roman Weidenfeller. Quatro minutos depois, as esperanças aumentaram no lado azul: Yevhen Konoplyanka fez a jogada pelo lado esquerdo, cruzou e Harit dominou dentro da área para marcar o segundo. O placar caiu para 4 a 2.

O Schalke já estava acreditando, porque o Borussia Dortmund não existia em campo. Ainda mais quando Aubameyang foi expulso, após receber o segundo cartão amarelo. Com um a menos, o Borussia Dortmund recuou mais. Peter Bosz já tinha trocado o atacante Yarmolenko para colocar o zagueiro Marc Bartra, com Gonzalo Castro e Zagadou nos lugares de Götze e Guerreiro.

Parecia inacreditável, mas o Schalke conseguiu marcar mais um aproveitando o momento. Caligiuri fez uma grande jogada pela direita, passou pela marcação e soltou um chute forte de pé esquerdo, no ângulo: 4 a 3. O jogo ficou todo para os Azuis Reais, que teriam cinco minutos e mais os acréscimos para buscar um empate que teria gosto de vitória.

Nos acréscimos, a coisa esquentou ainda mais. E em um escanteio cobrado por Konoplyanka, aos 48 minutos do segundo tempo, Naldo subiu muito para marcar: 4 a 4 no placar, para festa e loucura dos torcedores do Schalke presentes ao Signal Iduna Park, estádio do rival.

O sentimento após o empate, claro, era de vitória do Schalke e derrota do Dortmund. O apito final fez os jogadores azuis vibrarem, enquanto os aurinegros baixaram a cabeça. O tempo fechou quando o goleiro Ralf Fähmann vibrou com os braços levantados olhando para a arquibancada. Sahín veio tirar satisfações e rolou um empurra empurra e a turma do deixa disso.

O técnico Domenico Tedesco entrou em campo e comemorou com os seus jogadores e reação incrível, diante de jogadores cabisbaixos do Dortmund. Um resultado que certamente compromete muito o futuro do técnico Peter Bosz, já que as especulações sobre a sua saída – e pedidos da torcida – aumentam. Será que o treinador holandês sequer comerá o peru de Natal no cargo?