Cristiano Ronaldo possui méritos evidentes na conquista da Bola de Ouro. No entanto, ao contrário do que suas rusgas com Joseph Blatter possam sugerir, o português precisa agradecer à Fifa pela honraria. Afinal, a vitória do atacante não teria acontecido se os critérios antigos da premiação ainda fossem vigentes. Franck Ribéry é quem teria um belo souvenir na prateleira de casa neste momento.

Até 2010, quando Fifa e France Football fundiram suas eleições de melhor jogador do mundo, a Bola de Ouro só considerava os votos da mídia. E, se este raciocínio fosse adotado em 2013 (ou seja, ignorando as indicações de capitães e técnicos), Ribéry ganharia com sobras. O craque do Bayern de Munique foi apontado como o melhor por 80 dos jornalistas, mais do que Ronaldo (48 votos) e Messi (30). Considerando também as segundas e terceiras colocações, o francês somou 524 pontos, contra 399 do português e 365 do argentino.

O resultado é bastante compreensível, considerando o histórico da Bola de Ouro desde 1956. Os votos dos jornalistas costumam avaliar mais os resultados coletivos do que o desempenho individual do jogador em si. Bem diferente da linha de pensamentos dos capitães (63 votos em primeiro para Ronaldo, 45 para Messi e 39 para Ribéry) e dos técnicos (56 para Ronaldo, 44 para Messi e 44 para Ribéry). No fim das contas, os dois terços do eleitorado pesam bem mais. E Ribéry acaba entrando para a história assim como Sneijder, que em 2010 também foi o favorito da mídia, mas sequer ficou entre os três primeiros e viu Messi levar o troféu.

Os votos como primeiro colocado na Bola de Ouro, eleitorado por eleitorado:

Confira outras curiosidades da Bola de Ouro 2013:

- Em porcentagem, o Top 5 da Bola de Ouro foi o seguinte: Cristiano Ronaldo (27,99%), Messi (24,72%), Ribéry (23,36%), Ibrahimovic (5,29%) e Neymar (3,17%). Cristiano Ronaldo somou 1.356 pontos na votação, Messi teve 1.205 e Ribéry, 1.127.

- Cristiano Ronaldo também foi o mais citado pelos votantes. O português ficou entre os três primeiros nas cédulas de 413 eleitores. Ao todo, 127 participantes da escolha não nomearam o camisa 7 – excluindo ele mesmo, que não podia votar em si. Messi foi lembrado 380 vezes e Ribéry, 319.

- Levando em conta apenas os votos para o primeiro colocado, a eleição seria a seguinte: Cristiano Ronaldo (167 votos); Ribéry (163 votos); Messi (119 votos); Ibrahimovic (20 votos); Iniesta (12 votos); Neymar (11 votos); Robben e Bale (6 votos); Yaya Touré e Van Persie (5 votos); Falcao García e Pirlo (4 votos); Xavi, Özil e Lewandowski (3 votos); Thiago Silva, Luis Suárez, Lahm e Schweinsteiger (2 votos); Müller e Cavani (1 voto). Hazard e Neuer foram os únicos que não receberem votos na primeira colocação.

- Único goleiro entre os 23 finalistas, Manuel Neuer só recebeu dois votos e foi o 23º colocado na eleição. Um deles, de um companheiro de posição, Lloris, que só o colocou atrás de Ribéry.

- Messi foi bem blaugrana na escolha de seus três melhores do mundo: Iniesta, Xavi e Neymar compuseram seu pódio. Já Cristiano Ronaldo votou em Falcao García, Bale e Özil.

- Os bons amigos, que escolheram um companheiro como melhor do mundo: Messi (Iniesta), Yepes (Falcao García), Drogba (Yaya Touré), Lloris (Ribéry), Lahm (Ribéry), Buffon (Pirlo), Van Persie (Robben), Pizarro (Ribéry), Skrtel (Luis Suárez), Casillas (Cristiano Ronaldo), Lugano (Luis Suárez) e Ashley Williams (Gareth Bale).