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Se Llorente não for para a Copa, a culpa não será dele

A posição mais bem servida de opções na seleção espanhola é a de centroavante – mesmo que Vicente Del Bosque insista em jogar com um falso nove, escalando Cesc Fàbregas na posição. A Roja conta com Fernando Torres e David Villa entre os mais experientes para a posição, Álvaro Negredo e Roberto Soldado valorizados na Inglaterra (ainda que passarem por boa fase) e Diego Costa recém-naturalizado. Tudo indica que o ‘hispano-brasileiro’ é a primeira opção de Del Bosque, tanto por estar iluminado no Atlético de Madrid quanto por ter um estilo aguerrido que pode ser bastante útil ao tiki-taka espanhol. Entretanto, se quiser, o treinador tem margem para levar mais um homem de frente, especialmente se Diego foi titular. E ninguém merece mais essa vaga do que Fernando Llorente.

Com a queda de rendimento de Negredo no Manchester City, dá para cravar: não há nenhum outro centroavante ‘nativo’ melhor do que o camisa 14 da Juventus na atualidade. Não é pouco o que o basco vem jogando em Turim, como bem mostrou nesta segunda-feira, no complemento da rodada da Serie A. Marcou os dois gols na vitória por 2 a 0 sobre o Livorno, mais um passo dos bianconeri rumo ao tricampeonato italiano, ainda oito pontos à frente da Roma. São 13 tentos em 29 partidas, cada vez mais aclimatado depois de uma adaptação difícil na equipe de Antonio Conte.

Llorente é perfeito no funcionamento da Juve porque suas características contribuem para o time como um todo. É o jogador que abre espaços na marcação para que os companheiros que vem de trás se beneficiem, como Arturo Vidal e Paul Pogba. Apesar do tamanho, possui também boa mobilidade para formar uma dupla letal com Carlos Tevez. E ainda tem o diferencial do jogo aéreo, algo que faltava aos bianconeri nas últimas temporadas. Dos dez gols de cabeça que o time marcou na Serie A, sete foram do espanhol.

Essa lógica também pode se aplicar à Espanha, se Del Bosque quiser. O treinador conhece muito bem o jogador, que estava no elenco da Euro 2012 e que, para muitos, poderia até ter sido titular, por tudo que estava jogando no Athletic Bilbao. As rusgas com Marcelo Bielsa e a má fase em San Mamés afastaram o centroavante da seleção por cerca de um ano, só chamado de volta no final do ano passado. Na seleção, Llorente pode ser um nome útil principalmente para os momentos de desespero, quando a Fúria já improvisou Piqué e Javi Martínez como centroavantes.

A questão maior sobre a presença de Llorente na Copa é a limitação da lista de 23 jogadores. Afinal, Del Bosque tem também um excesso de bons nomes para as meias e as pontas, com Iniesta, Fàbregas, Koke, Cazorla, David Silva, Jesús Navas, Pedro, Isco e Mata. Não vai dar para levar todo mundo. Se quiser, o treinador provavelmente sacrificará algum centroavante. E Diego Costa parece ter a preferência no momento. Futebol, ao menos, não podem dizer que faltou a Llorente neste momento decisivo.