Henk Fräser nunca foi um jogador acima de qualquer suspeita no futebol holandês. O zagueiro surinamês (que podia jogar de volante) passou por Sparta Rotterdam, Roda JC e Utrecht antes de chegar ao Feyenoord, onde ficou nove anos, entre 1990 e 1999. Até teve boa e lembrada participação no time, formando a zaga com John de Wolf – ambos pouco técnicos, diga-se de passagem. Suas boas atuações até o levaram à seleção holandesa. Mais: ele até esteve na Copa de 1990, jogando os 21 minutos finais do jogo da Oranje contra a Irlanda. Só que não chegou a ser um jogador de deixar saudades. E andava discreto, como auxiliar técnico do ADO Den Haag, desde 2010.

Mas o reinício do Campeonato Holandês colocou Fräser em destaque. Na 22ª derrota, o time de Haia caiu para o Heerenveen, por 3 a 0. Era demais para Maurice Steijn, que já tivera três derrotas desde o retorno, incluído aí um 3 a 1 para o então lanterna NEC. E o treinador foi o terceiro a cair nesta temporada da Eredivisie, após quase três anos de trabalho no clube alviverde. Desesperado, tendo caído para a última posição, o Den Haag apostou em Fräser. O resultado: seis partidas sem perder, com três empates e três vitórias. E uma ascensão para a 13ª posição. O que já garantiu um contrato definitivo para o técnico, antes interino, até 2017.

E o que Fräser fez para que o Residentieclub melhorasse? Nada de especial quando se trata de um time em perigo: tratou de dar mais cuidados defensivos à equipe. Matthias Gehrt e Danny Bakker estão se alternando como volantes, trazendo mais força à marcação no meio-campo, para que Danny Holla, o principal armador, tenha o trabalho mais facilitado – e ajudando Dion Malone, zagueiro que se tornou o outro volante da equipe.

E se Roland Alberg já andava prestando mais atenção no ataque do que no meio-campo, nada mais lógico do que transferi-lo de vez para o trio de atacantes, ajudando Mitchell Schet e Mike van Duinen (este, dos únicos “intocáveis” dentro do Den Haag). Dá certo, tanto que Alberg já é o vice-artilheiro do clube na temporada, com 5 gols. E também é rápido o suficiente para ajudar o meio-campo, representando mais uma pessoa no setor.

Mas esse 4-3-3, às vezes transformado num 4-4-2, só dá certo principalmente porque a defesa entrou nos eixos. A zaga formada por Beugelsdijk e Wormgoor, de porte físico respeitável, anda um pouco menos irregular. Gianni Zuiverloon deu mais poder defensivo à lateral direita – embora esteja distante do lateral que um dia prometeu ser, titular que foi da Jong Oranje bicampeã europeia sub-21 em 2007. E por incrível que pareça, Gino Coutinho, de biotipo pouco recomendável para um goleiro, junta-se a Van Duinen como o outro intocável no elenco dos Hagenaren.

E a reação já permite até que Henk Fräser se mostre mais destemido. Após assinar o contrato que o efetivou no comando do time, foi calmo: “Vejamos os últimos anos. Foram raras as vezes em que o ADO Den Haag terminou na parte de cima da tabela. Por isso precisamos ser muito cuidadosos. E nem é realista imaginar isso nos próximos anos. Precisamos cuidar para manter o time por volta da 12ª posição”.

Já após vencer o Groningen, por 2 a 1, o treinador liberou as palavras: “Nossa meta era sair da zona de rebaixamento. Daí passou a ser o 12º lugar, o 10º, até que agora estamos a apenas dois pontos do oitavo lugar. Se pudermos conseguir vaga nos play-offs por vaga na Liga Europa, no fim da temporada, por que não? Você precisa almejar o máximo possível”. Quem sabe o ADO Den Haag consiga isso. Na maciota, como veio a reação.

Estragando a ascensão

E eis que o PSV vinha bem, animado, tornou-se vice-líder com os 3 a 1 sobre o Roda JC (Feyenoord e Twente têm uma partida a menos, ainda)… mas Phillip Cocu teve descoberto um tumor na região lombar – felizmente, benigno, segundo informações do clube -, removido nesta quinta. Enquanto Cocu fica em recuperação, o auxiliar técnico Ernest Faber tentará manter a ascensão dos Eindhovenaren no lado de cima da tabela.