Brede Hangeland não é dos jogadores que mais enchem os olhos. Aos 32 anos de idade, o zagueiro nunca jogou em um clube mais relevante do que o Fulham e capitaneia uma seleção norueguesa que é mera figurante no futebol europeu. Fora de campo, no entanto, o veterano merece um respeito enorme. Sabe aquela velha história de juntar uma grana no casamento vendeu gravata? Pois bem, Hangeland lucrou £45 mil. Mas, ao invés de gastar com o enxoval, ele doou para as criancinhas do Camboja.

O norueguês aproveitou o dinheiro para montar uma escola para 500 crianças no Sudeste Asiático, em parceria com a ONG Save the Children. E não fez questão nenhuma de propagandear isso. Afinal, o casamento e a boa ação aconteceram ainda em 2009 e o jogador só comentou o assunto porque foi perguntado.

“Como você descobriu isso? Não era nada que precisávamos, então era algo legal a se fazer. Eu acredito que são 500 crianças que estão indo à escola e que não iriam de outra maneira. Nunca visitei o lugar, mas certamente está na minha lista de afazeres”, declarou o jogador, em entrevista ao Telegraph.

Além disso, Hangeland fez questão de deixar claro que não é a carreira no futebol que o deixa alheio da realidade: “Eu me vejo apenas como um cara normal que aconteceu de jogar futebol. É importante neste jogo estar aberto para expandir seus horizontes. Você pode ser pego em uma bolha, aonde o futebol parece a coisa mais importante do planeta. Embora isso signifique muito para as pessoas, há definitivamente coisas maiores fora. É útilo lembrar que somos privilegiados e que os problemas são menores em comparação com os outros”.

“As pessoas acham que somos iguais, que todos só jogam golfe e videogame, dirigem carros caros e é isso. Alguns são superestrelas e agem assim, mas não é necessariamente verdadeiro para o resto. É importante manter isso em mente. O fato é que todos são diferentes. Alguns pegam trem para ir ao treino. Alguns leem livros, alguns leem livros. Há muitos tipos diferentes. Os jornais sempre têm grandes histórias quando alguém faz algo errado, mas não têm muito foco na normalidade do futebol. Isso só mostra o que faz uma manchete. O que posso entender, suponho que essa normalidade seja um pouco entendiante”, complementou.

E o veterano também comentou o mercantilismo do futebol: “Eu tenho muita ligação com o Fulham. E isso é importantíssimo, especialmente nos dias modernos. Jogadores vão e vêm, seguem para onde o dinheiro é melhor. Eu penso que é bom ter algo que o conecte com seu clube em um nível mais profundo. Não quero ser um mercenário, apenas trocando de time. Você quer ter mesmo carinho por um lugar. Desde que eu cheguei no Fulham, me senti em casa. Posso me ver encerrando a carreira aqui, não há dúvidas sobre isso”.

Palavras e atitudes difíceis de se ver em um jogador de futebol. E que ajudam a transformar Hangeland, de um atleta bem discreto, em um ser humano que merece muitos aplausos.