Clarence Seedorf pode até ter começado sua trajetória como treinador com uma vitória, mas viu que a casa está bem bagunçada e precisará arrumar muita coisa no Milan. Contra o Verona, a equipe, como era de se esperar, não apresentou nenhuma grande evolução ou diferença para o time de Allegri. Os defeitos foram os mesmos de antes, mas deu para ver coisa boa e ter a certeza de que há  potencial para melhorar. Simbolicamente, o triunfo, mesmo que por 1 a 0, com gol de pênalti, é importante para o início de carreira do holandês.

O principal desafio inicial de Seedorf no comando do Milan será dar um jeito na defesa. Assim como em outras partidas desta Serie A, o setor defensivo rossonero mostrou-se frágil e fácil de ser batido. Cristian Zapata, Daniele Bonera e Matías Silvestre (substituto no jogo de hoje) são nomes muito fracos para quem já teve grandes zagueiros e, com laterais ofensivos como Mattia De Sciglio e Urby Emanuelson, é imprescindível ter uma dupla confiável pelo meio.

Por sorte, o Verona não teve competência de transformar suas chances no segundo tempo em bolas na rede. Foram sete finalizações sem direção e apenas duas que fizeram Christian Abbiati trabalhar na etapa inicial. Se o time recém-promovido à elite italiana tivesse feito uma primeira etapa melhor, poderia até ter marcado um gol. A falta de agressividade ofensiva no primeiro tempo de certa forma custou ao time de Andrea Mandorlini o jogo. Foram apenas duas finalizações antes do intervalo, e só uma a gol.

O setor ofensivo do Milan, por outro lado, foi o que mais agradou na estreia do holandês como técnico. Com um trio de armadores formado por Kaká, Robinho e Keisuke Honda, titular pela primeira vez, o time foi bastante ágil lá na frente e criou chances atrás de chances, contando ainda com Riccardo Montolivo e seus chutes de longa distância. No entanto, faltou contundência e um pouco de capricho nas finalizações. No segundo tempo, o ritmo caiu, e a vitória só veio porque o time encontrou um pênalti, a 10 minutos do final do jogo.

Apesar de não empolgar, o Milan deu mostras de que tem capacidade, sim, de entregar mais do que tem sido visto até agora. Especialmente pela chegada de Honda, o time tem qualidade no ataque, falta apenas um maior entrosamento do japonês com seus novos companheiros e um pouco mais de capricho nas finalizações. Quanto à zaga, Adil Rami, que chegou do Valencia, pode ajudar a dar um jeito logo que tiver ritmo de jogo. De qualquer modo, reforços para o setor serão necessários.

Seedorf sabia o tamanho do desafio e da pressão que teria pela frente. O peso da estreia já passou, e, por mais difícil que seja, salvar a temporada do Milan é menos impossível do que pudesse parecer anteriormente. Falar em buscar a vaga na Liga dos Campeões ainda é muito abstrato, mas dá para esperar que o time alcance um padrão de jogo que pelo menos dê resultados e esperança ao torcedor.