Não é de hoje que o nome de Fred pinta nas páginas de especulações da imprensa inglesa. Durante um tempo, o meio-campista era considerado uma prioridade de Pep Guardiola no mercado, que o via como alternativa ideal para complementar a fortíssima faixa central do Manchester City. Em meio à corrida pelo mineiro, no entanto, o Manchester United entrou forte na concorrência. E, na mesa de negociações, acabou por derrotar os seus maiores rivais. Nesta terça-feira, os Red Devils anunciaram a contratação do atleta de 25 anos junto ao Shakhtar Donetsk. Enquanto a seleção brasileira se concentrava na Inglaterra, o trânsito dos empresários acelerou o acerto, com exames médicos realizados nesta segunda.

Segundo a imprensa inglesa, o Manchester United desembolsará €59 milhões para contar com Fred a partir da próxima temporada. O preço está acima do valor de mercado calculado pelo site Transfermarkt, de €32 milhões, mas há vários fatores que explicam a alta – das várias propostas à convocação ao Mundial, passando também pela boa campanha que o jogador fez com o Shakhtar na última edição da Liga dos Campeões. O montante quase quadruplica o investimento inicial feito pelos ucranianos, que tiraram o jovem do Internacional em 2013 por uma bagatela de €15 milhões.

Durante a janela de transferências de janeiro, Fred esteve próximo de assinar com o Manchester City, em negócio que não se concretizou mais pela relutância do Shakhtar em perder seu protagonista, quando se preparava aos mata-matas da Champions – e, de fato, o brasileiro foi um dos melhores do time contra a Roma. A escolha pelo United significa mais uma vitória dos Red Devils sobre os Citizens no mercado, após terem fechado com Alexis Sánchez. Além de questões contratuais, possivelmente influenciou o espaço que o meio-campista poderá encontrar em Old Trafford, dentro de um time ainda em construção. Enquanto isso, os celestes voltam os seus esforços a Jorginho, um atleta que até parece se casar melhor com o estilo da equipe.

Em cinco anos no Campeonato Ucraniano, Fred fez valer a aposta inicial do Shakhtar. Atravessou momentos difíceis com o clube, em que precisaram deixar Donetsk diante da guerra civil na região. Ainda assim, auxilou na reconstrução, encerrando a sua passagem com três títulos nacionais. Do meia ofensivo que começou causando impacto com gols em suas primeiras partidas, o mineiro passou a atuar de maneira mais recuada e se tornou um jogador mais completo neste sentido. Atualmente, se mostra bastante equilibrado, entre o empenho na defesa e a contribuição ao ataque. Além de trabalhar bem os passes, especialmente os longos, também é arma nos contragolpes, inclusive pelos chutes de fora da área. Pode adicionar bastante ao que pede José Mourinho no United.

Em Old Trafford, Fred potencializará um setor com qualidade, mas que nem sempre correspondeu. Terá a chance de se combinar com um parceiro na cabeça de área, numa dupla de volantes, ou entrar mais à frente, caso Nemanja Matic permaneça mais fixo à frente da zaga. Entra na rotação principalmente com Ander Herrera e Paul Pogba – isso, é claro, se o francês permanecer em Manchester, considerando os persistentes rumores envolvendo o seu nome. Ter opções de qualidade no elenco é algo que por vezes falta no United. Por mais que não seja um jogador de porte físico avantajado, como Mourinho teima, o brasileiro oferece um diferencial por sua agressividade.

Fred será o sexto jogador brasileiro a vestir a camisa do Manchester United. Sucede uma linhagem que já teve Kléberson e Anderson no meio-campo, entre aqueles que muito prometiam ao time de Sir Alex Ferguson e acabaram sem render à altura. Rodrigo Possebon e os gêmeos Fábio e Rafael engrossam a lista, que ainda conta com Andreas Pereira, voltando de empréstimo junto ao Valencia. Pela aposta que se faz no meio-campista do Shakhtar Donetsk, espera-se que ele acabe se tornando o mais importante desta relação – embora, dentro do possível, Anderson e Rafael tenham desfrutado de momentos importantes em Old Trafford.

Antes de iniciar a adaptação à nova casa, entretanto, Fred tem uma Copa do Mundo pela frente. Será reserva do Brasil, mas poderá se transformar em uma peça útil, considerando as possibilidade de rotação no meio-campo. O Mundial será um complemento a quem já vinha atuando bem ao longo dos últimos anos e, sobretudo por seu trabalho no Shakhtar, ganha a oportunidade de alçar patamares mais altos em sua carreira. Os exemplos de Fernandinho, Willian e Douglas Costa, que fizeram a mesma conexão da Ucrânia à Europa Ocidental, são ótimos a se espelhar. Potencial não falta.