Os estaduais seguem firmes e fortes. Para quem pretende brigar pelos maiores títulos do ano, os estaduais não são tão atraentes, mas perdê-los é certamente pior. O técnico Eduardo Baptista teve um início difícil nos primeiros jogos com o Palmeiras. E, a bem da verdade, ainda estamos no começo do trabalho, que foi iniciado em janeiro. Contra o Santos, neste domingo, Eduardo Baptista mexeu no time, que perdia por 1 a 0, e conseguiu uma virada diante de um Santos que criou muitas e muitas chances, mas capitulou nos minutos finais. A participação do técnico foi importante para o desempenho e, consequentemente, o resultado.

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Os 2 a 1 diante do Santos é daquelas vitórias que, pelo campeonato, não é nem tão importante. O jogo vale muito mais por si, pela rivalidade, do que pelo Campeonato Paulista. O jogo foi muito bom, de duas equipes que têm potencial para disputar os grandes títulos no ano. E rivalizarão por eles, ao menos em tese: ambos estão na Libertadores, jogarão o Brasileiro e a Copa do Brasil. Entram em todos eles como fortes candidatos ao título e, portanto, é bem possível que os jogos entre eles valham muitos mais quando acontecerem nestes outros campeonatos.

O estilo de jogo do Palmeiras está em transformação. Isso gera alguns problemas e o time sofreu com eles. Nos clássicos, que são os jogos que mais importam no Paulista porque eles significam algo maior que o torneio, Eduardo Baptista perdeu para o Corinthians e venceu São Paulo e Santos. Não quer dizer que acerte tudo, mas vai dando mais uma cara ao Palmeiras à medida que o tempo de trabalho passa. Uma cara diferente da que tinha com Cuca, até porque são técnicos diferentes. E a adaptação nem sempre é fácil.

A semana foi muito positiva porque são duas vitórias importantes, pela Libertadores e pelo Paulista em dois jogos grandes. O Jorge Wilstermann mostrou que os 6 a 2 no Peñarol não foram acaso na primeira rodada. A vitória palmeirense veio mesmo com os problemas que o time apresentou e que o técnico, espera-se, tenha visto. O gol, porém, saiu sem o desespero tradicional dos times que estão em busca da vitória nos minutos finais. Não foi em um chuveirinho, uma bola alçada, um balão para a área, uma bola fortuita. Foi uma jogada trabalhada, com paciência, que passou por diversos pés para chegar à finalização de Yerry Mina.

A vitória na Libertadores trouxe conforto, mas o time ainda precisa melhorar. Contra o Santos, o time também teve problemas e demorou a conseguir funcionar. O time com Alejandro Guerra fica mais criativo, mas teve problemas no equilíbrio do time. O Santos buscou muito o ataque e, não por acaso, tanto Vladimir quanto Fernando Prass tiveram que trabalhar bastante para impedir que o zero saísse do placar contra suas equipes.

Guerra fazia boa partida, mas o time sentia os avanços do Santos e o venezuelano, talentoso com a bola, estava ajudando pouco sem ela. E Eduardo Baptista tinha voltado para o segundo tempo com Egídio no lugar de Guerra, levando Zé Roberto para o meio. Não funcionou. O equilíbrio continuava não vindo. Então, o técnico pensou em tirar Dudu, que pouco fazia no jogo, para colocar Roger Guedes. Desistiu. Tirou Keno. Começou a acertar aí. Guedes vinha em má fase enquanto era titular, mas entrou bem fazendo exatamente o que faltava – e o que Keno já estava cansado por tanto fazer -, ajudar na marcação e sair rápido em contra-ataques.

Era o Santos o time que mais buscava o gol, criava chances e pressionava. O gol santista saiu justamente quando o time da Baixada era melhor em campo. Ricardo Oliveira foi quem colocou para dentro uma das muitas oportunidades que o time teve. Eduardo Baptista percebeu o seu erro de avaliação, a alteração que não foi bem ao colocar Egício em campo – o gol saiu justamente ali, do lado esquerdo da defesa palmeirense, que era o mais atacado. Era preciso mudar de novo e foi quando o técnico acertou.

Zé Roberto, cansado, não conseguia dar a força ao meio-campo que o time precisava. Nem ajudava a atacar com a força que o time urgia. Sua saída foi um acerto, assim como o jogador que entraria. Eduardo chamou Willian no banco de reservas e colocou no lugar de Zé Roberto. Mudou muito o time, fazendo Tchê Tchê jogar mais perto de Felipe Melo, protegendo a defesa. À frente, então, ficaram Roger Guedes pela direita, Dudu pelo meio, Willian pela esquerda e Borja na frente. O time partiu para a cima e, claro, deixou espaços. O Santos poderia ter aproveitado, mas não aproveitou.

Aos 40 minutos do segundo tempo, Jean chegou pela direita nas costas do lateral esquerdo Zeca, chutou para o meio e Vladimir falhou, colocando a bola para dentro involuntariamente. Gol de empate do Palmeiras que estava difícil de sair, mas trouxe de volta o Palmeiras ao jogo. E os minutos finais tiveram o Palmeiras muito bem pelos lados do campo, com os dois jogadores que Eduardo Baptista colocou, rápidos, agressivos e que acabaram sendo decisivos. Foi assim que saiu o segundo gol, já aos 42.

Roger Guedes, muito rápido, deu um drible da vaca em Zeca, foi à linha de fundo e tocou para trás. A bola deu uma leve desviada no meio e sobrou, lá na esquerda, para Willian, que teve muito mérito. O atacante acreditou na jogada, se movimentou para ficar perto do gol, caso a bola sobrasse. Renato, seu marcador, olhou o jogador e não acredito que a bola passaria. Quando passou, ele tentou recuperar, mas não deu tempo. Gol do Palmeiras e virada do time da capital na Vila Belmiro.

O técnico Eduardo Baptista, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Santos FC, durante partida válida pela nona rodada, do Campeonato Paulista, Série A1, no Estádio da Vila Belmiro.

O técnico Eduardo Baptista, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Santos FC, durante partida válida pela nona rodada, do Campeonato Paulista, Série A1, no Estádio da Vila Belmiro.

O time do Palmeiras de Eduardo Baptista é diferente de Cuca e isso era esperado que acontecesse. O futebol que o Palmeiras jogou foi bom diante de um time ofensivo e perigoso como o do Santos. Foi uma partida que o time soube aproveitar as oportunidades que teve e que Eduardo soube entender que precisava mexer, que mexeu errado na primeira mudança, e acertou nas duas seguintes. E foi crucial para a vitória.

O Palmeiras ainda tem muito a evoluir e muito mais a jogar. O time com Guerra, mesmo com o venezuelano bem no jogo, sentiu falta de equilíbrio contra o time do Santos, que atacava muito pelo lado esquerdo da defesa palmeirense. São ajustes que o time precisa fazer e conta com muitos jogadores bons para isso. Prass garantiu que o time não sofresse gol, a não ser quando não teve jeito mesmo e ele não teve o que fazer.

O time não se desesperou, trocou passes, usou a velocidade nos espaços que o Santos deu. A escolha de Eduardo Baptista pode não ter agradado muitos palmeirenses e é compreensível. O técnico precisa mostrar o seu valor ali. É preciso que eles tenham tempo para isso. Há bons sinais para o Palmeiras, mesmo com problemas.

Mais do que analisar o resultado, é importante ver o desempenho. Mas, claro, vencer um clássico dá respiro ao técnico. Que ele tenha tempo para desenvolver o que pensa de futebol. O time tem seus problemas, mas é evidente que o Palmeiras é um time organizado e que Eduardo já pareceu saber melhor como usar suas armas. Roger Guedes perdeu lugar no time, mas ontem foi usado para fazer o que sabe. É só um exemplo de como Eduardo Baptista está aprendendo a usar o seu elenco e as características dos jogadores.

Deixem Dorival em paz
Dorival Júnior, técnico do Santos (Foto: Santos FC)

Dorival Júnior, técnico do Santos (Foto: Santos FC)

Do outro lado do clássico, Dorival Júnior disse depois do jogo que o resultado tinha sido injusto. Chamar um resultado de injusto é sempre complicado se não há um erro de arbitragem que mude o resultado. Mas é verdade quando o técnico diz que o time do Santos foi bem em campo, criou muitas chances e poderia, sim, ter saído da Vila Belmiro com uma ótima vitória. Até mais tranquila do que parecia. Mas o time segue sem aproveitar chances.

No meio da semana, contra o Strongest, o Santos criou muitas, muitas chances. Perdeu gols em profusão. A falta de eficácia, no torneio sul-americano, não cobrou um preço alto. Os 2 a 0 no placar deram os três pontos. Contra o Palmeiras, porém, o custo foi bem alto. O time poderia ter feito mais gols e deixado a situação bem mais complicada para o time de Eduardo Baptista. Não conseguiu.

Este é um problema que tem menos a ver com Dorival e mais a ver com a falta de poder de decisão do time no ataque. Isso, é claro, o técnico precisa trabalhar para corrigir. O Santos precisa finalizar melhor, porque nem sempre haverá uma quantidade tão grande de chances. Contra times como o Palmeiras, é inevitável que deixar o jogo aberto, como estava no 1 a 0, tenha um risco.

Com o desempenho que teve contra o Palmeiras, a tendência é que o Santos vença mais jogos. Em termos de classificação para a segunda fase do Paulista, ainda não é uma situação para se desesperar. É bem possível, até provável, que o Santos ganhe a maioria dos jogos até o final do campeonato. Ponte Preta, com 15 pontos, e Mirassol, com 14, estão à frente do Peixe, mas o time tem tudo para ultrapassar um dos dois e conseguir a classificação. Não é uma grande preocupação, até porque o time está na Libertadores, que é um torneio de importância muito maior.

Tudo isso para dizer que as cornetas que soam contra Dorival Júnior devem ser amenizadas. O técnico é o melhor nome para a equipe. Com tudo que o técnico fez com o time do Santos, parece claro que ele pode e fará mais. Alguns jogadores precisam ser mudados, como Vitor Bueno, que não vive uma grande fase e perdeu um dos gols mais feitos do ano – talvez o mais. Há ajustes a fazer no Santos, que tem seus problemas. Mas Dorival continua sendo o técnico mais habilitado a fazer o time voltar a render. É inacreditável que haja quem queira derrubar o treinador.