Alain Perri foi chamado para ser técnico da China (Foto: AP)

Seleção da China ainda não se beneficia do sucesso dos times locais

Ano passado, o Guangzhou Evergrande venceu a Liga dos Campeões da Ásia e chegou ao Mundial de Clubes. Outras equipes chinesas passam por bons momentos e fazem campanhas interessantes na atual edição do torneio. Esse sucesso, porém, ainda não foi capitalizado pela seleção do país.

No próximo 26 de março, os chineses vão conhecer os três adversários da fase de grupos da Copa da Ásia de 2015, que será realizada na Austrália. A China está no pote 3, ao lado de Austrália, Irã, Japão ou Uzbequistão. Independente dos adversários que enfrentar, os prognósticos não são otimistas e não surpreenderia uma queda já na fase de grupos do time que já foi duas vezes vice-campeão da competição (1984 e 2004).

A China não inspira confiança pelo sofrimento que passou para se classificar. A seleção ficou no Grupo C, ao lado de Arábia Saudita, Iraque e Indonésa. Passou no saldo de gols (-1 contra -2 do Líbano). Foi por muito pouco.

Enquanto a seleção chinesa não vive grande momento, os times locais vêm se dando bem nos torneios internacionais:

Guangzhou Evergrande: sete pontos no Grupo G, à frente de Jeonbuk/Coreia do Sul (quatro pontos), Melbourne Victory/Austrália (quatro) e Yokohama F. Marinos/Japão (um). O destaque é o italiano Alessandro Diamanti, com três dos oito gols da equipe.

Shandong Luneng: cinco pontos no Grupo E, à frente de Pohang Steelers/Coreia do Sul (cinco), Cerezo Osaka/Japão (quatro) e Buriram United/Tailândia (um). O atacante brasileiro Vágner Love é o artilheiro geral da competição até aqui, com quatro gols.

Beijing Guoan: cinco pontos no Grupo F, à frente de Sanfreece Hiroshima/Japão (quatro), FC Seoul/Coreia do Sul (quatro) e Central Coast Mariners/Austrália (três). O atacante nigeriano Peter Utaka marcou duas vezes e já foi artilheiro nas ligas dinamarquesa e segundona belga, além da Copa da China.

Guizhou Renhe: um ponto no Grupo H, atrás de Ulsan Hyundai/Coreia do Sul (sete), Western Sydney/Austrália (seis) e Kawasaki Frontale/Japão (três). O time marcou um gol.

Esse sucesso não se reflete na seleção porque os principais destaques das boas equipes chinesas são estrangeiros. E todos os convocados do time nacional jogam na própria China. Há apenas 23 atletas no exterior – 13 em Hong Kong – apenas um, Wang Sangyuan, do Clube Brugge, da Bélgica, em uma liga de nível razoável.

Não é mais surpresa um time da China levar o troféu da LC da Ásia. Entretanto, a seleção nacional só será beneficiada caso jogadores locais tenham a chance de evoluir ainda mais nos principais torneios da Europa ou até da Ásia, como Japão e Coreia do Sul. Por enquanto, a China terá de se contentar apenas em jogar a Copa da Ásia como azarão

Que sofrimento!

A China começou a campanha com o técnico José Antonio Camacho, nove vezes campeão espanhol pelo Real Madrid, como jogador. O espanhl foi demitido depois de levar 5 a 1 da Tailândia, em casa.

O local Fu Bo, técnico do time sub-23, assumiu a equipe na maior parte dos jogos qualificatórios. O rendimento foi razoável. Dentro de casa, venceu Iraque e Indonésia, por 1 a 0, e empatou sem gols com os sauditas. Longe da China, perdeu para os iraquianos (3 a 1), sauditas (2 a 1) e empatou com os indonésios, o único ponto deles em toda a campanha eliminatória.

Em 28 de fevereiro, faltava uma rodada para a definição e a China resolveu contratar o técnico francês Alain Perrin, que foi campeão no Lyon (2007/08) e estava no Umm Salal, do Catar. Os dias seguintes seriam de muito trabalho, pois Perrin teria de colocar o time em campo em 5 de março, contra o Iraque, nos Emirados Árabes Unidos, por causa da falta de segurança no território iraquiano.

Naquele momento, a China era vice-líder da chave, com oito pontos, cinco a menos que a Arábia Saudita. Em caso de derrota, os chineses teriam de disputar a vaga na Copa da Ásia com outros terceiros colocados, como Líbano e Malásia. Mesmo não sendo uma grande seleção, o Iraque fez três gols até os 13 minutos da etapa final, enquanto o Líbano goleava a Tailândia por 4 a 1.

Desse jeito, os libaneses tinham melhor saldo de gols que a China, o primeiro critério de desempate, e estavam se garantindo na Copa da Ásia. A campanha dos chineses foi salva por volta dos 28 minutos da etapa final, com um pênalti convertido pelo meia-atacante Zhang Xizhe, 23 anos, do Beijing Guoan.

Este gol deixou a China com saldo de gols de -1, contra -2 do Líbano, que acabou vencendo a Tailândia por 5 a 2. Caso o adversário marcasse mais um, ficaria com a vaga, pois o segundo critério de desempate eram os gols anotados (cinco dos chineses contra 12 dos libaneses). Alain Perrin agradeceu aos céus pela classificação emocionante: “Jogamos a partida com duas almas. A primeira estava no campo e a outra fora dele, monitorando os outros resultados”.

Curtas

- A China disputa as eliminatórias da Copa da Ásia desde 1976, sempre conseguindo a classificação. O país nunca teve grandes dificuldades nas eliminatórias, principalmente nas quatro últimas (anteriores a 2015), em que foi 100% por duas vezes e nas outras duas somou mais que o dobro de pontos do terceiro colocado.

- A federação chinesa tentou contratar o homem responsável pela alavancagem do futebol nacional. A entidade ofereceu contrato ao técnico italiano Marcello Lippi, do Guangzhou Evergrande, mas o senhor de 65 anos rejeitou a possibilidade de comandar a seleção. Ele renovou contrato com o clube chinês até o fim de 2017.