Camarões, do capitão Eto'o, é adversário do Brasil na Copa, mas segue não assustando (AP Photo/Armando Franca)

Seleções africanas tiveram uma data Fifa para lamentar mais do que comemorar

A quarta-feira de amistosos pelo globo não foi muito proveitosa para as seleções africanas que estarão no Mundial. Apenas a Argélia venceu sua partida. Nigéria e Costa do Marfim empataram seus jogos, e Gana e Camarões perderam, sendo que os Leões Indomáveis levaram uma sacolada de Portugal, em mais uma prova de que o time de Eto’o deve fazer apenas turismo no Brasil.

Sem mais delongas, confira a análise de cada duelo dos africanos que estarão no Mundial e as expectativas para cada seleção, além de uma rapidinha sobre a Liga do Malawi, que ensinou uma coisa aos queridos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol e do STJD:

México 0×0 Nigéria

Foi um jogo sem muita emoção e com um empate justo. No entanto, a partida serviu para as duas seleções promoverem alguns testes. Do lado nigeriano, Stephen Keshi testou um 4-3-3 mais ofensivo, com apenas Mikel como volante, ao lado de Onazi e Moses, dois wingers, no meio-campo. O trio de ataque foi formado por Emenike, Musa e a novidade Uchebo, que deve dar lugar a Mba no time titular da Copa.

As Super Águias mostraram o já conhecido jogo veloz, de ataque forte pelos lados e uma equipe bem armada taticamente, com um bom sistema defensivo organizado por Keshi. No entanto, o problema da falta de criatividade e variação de jogadas persiste na Nigéria. Falta um camisa 10, um maestro, o meia que cria jogadas diferentes. Como a Nigéria não tem esse jogador, mas conta com vários atletas de velocidade e agressividade do meio para frente, o time aposta nesse tipo de jogo, o que torna o estilo dessa equipe nigeriana previsível.

As Super Águias vão bater de frente com os bósnios na briga pelo segundo lugar do grupo da Argentina e podem perder a vaga. A Bósnia, apesar de estreante em Copas, tem um time mais criativo que a Nigéria graças ao seu bom quarteto ofensivo, formado por Misimovic, Pjanic, Dzeko e Ibisevic, e um estilo de jogo que me agrada mais do que o dos nigerianos.

Bélgica 2×2 Costa do Marfim

Foi um jogo interessante, mas que também não dá para levar a sério. A Bélgica abriu 2 a 0, mas cometeu duas falhas defensivas, além de perder boas chances no ataque, e ficou só no empate com a Costa do Marfim.

Os Marfinenses promoveram alguns testes e ficaram um pouco perdidos no primeiro tempo, mas na segunda etapa, com a entrada de Didier Drogba, que é vital no time e inclusive marcou um dos gols dos africanos, os Elefantes melhoraram e cresceram no jogo. No entanto, ambos os times testaram formações – Hazard não foi titular pela Bélgica – e não jogaram o melhor futebol que podem apresentar. A Bélgica merecia a vitória, mas o empate foi justo pelos vacilos dos europeus na defesa e no ataque, e o bom segundo tempo da Costa do Marfim.

Os Elefantes tem um bom time e várias opções no ataque (Gervinho, Bony, Doumbia, Ya Konnan, Kalou e companhia), além de Yaya Touré em fase espetacular no Manchester City e Didier Drogba jogando bem no Galatasaray e sendo vital na seleção. A Costa do Marfim é forte e tem boas chances de avançar ao lado da Colômbia no Grupo C, mas acredito mais na seleção japonesa. Os Samurais Blues tem um estilo de jogo mais bonito, envolvente, de posse de bola, e mais jogadores capazes de definir, além de um meio-campo mais criativo que o marfinense. Acho que o Japão vence o confronto direto contra os Elefantes e avança junto com os Cafeteros, deixando a geração mais talentosa da história de Costa do Marfim na saudade mais uma vez.

Montenegro 1×0 Gana

É o típico amistoso que não dá para levar a sério. Gana jogou com um time totalmente alternativo, muito diferente do titular, testando vários jogadores, enquanto Montenegro, com exceção de Jovetic, lançou seu time titular. O gol da vitória dos montenegrinos foi marcado por Dejan Damjanovic, bom atacante que por muito tempo jogou no FC Seoul, da Coreia do Sul, e atualmente defende o Jiangsu Sainty, da China.

Apesar do resultado, Gana mantém o posto de equipe para complicar a vida de Portugal no Grupo G e, quem sabe, avançar às oitavas de final. As Estrelas Negras são inferiores aos portugueses tecnicamente, mas tem um time experiente e bons jogadores como André Ayew, Asamoah Gyan, Essien, Muntari e Kevin-Prince Boateng. Gana é a seleção mais sólida da África na atualidade, com o estilo de jogo mais definido, e o time mais “pronto” do continente, mas deu o azar de cair no grupo mais difícil da Copa entre os africanos. O favoritismo é de Alemanha e Portugal, mas Gana pode complicar a vida da esquadra liderada por Cristiano Ronaldo.

Portugal 5×1 Camarões

Falando em Portugal, os lusos passearam nesta quarta-feira. Mesmo com alguns desfalques importantes e empurrando o jogo com a barriga no primeiro tempo, Portugal venceu fácil pela boa segunda etapa que fez, quando acelerou só um pouco o ritmo e mostrou as já conhecidas deficiências de Camarões.

Os Leões Indomáveis tem um time desorganizado, que joga um futebol pragmático. A seleção até conta com bons e experientes jogadores como Eto’o e Song, mas é muito pouco. Camarões não tem criatividade em seu meio-campo, a defesa é extremamente fraca e os fatores extracampo – grupo desunido e brigas de seu capitão, Eto’o, com a federação e o técnico – pesam no time. No grupo difícil com Brasil, Croácia e México, os Leões Indomáveis tem boas chances de amargar a lanterna da chave.

Argélia 2×0 Eslovênia

O técnico Vahid Halilhodzic usou o amistoso contra a Eslovênia para testar alguns jogadores e deve ter ficado feliz, já que os testados se saíram bem. Os meio-campistas Lacen, Yebda e Kadir ganharam descanso, assim como o atacante Djebbour, que viu seu substituto, Soudani, do Dinamo Zagreb, marcar um dos gols da vitória argelina. O outro tento foi anotado pelo garoto Taïder, da Inter de Milão, este titular e destaque do time. Outro jovem destaque da equipe, Bentaleb, volante do Tottenham, teve boa atuação. Dos garotos, apenas Ishak Belfodil, principal expoente da nova geração argelina, não atuou. Uma pena, pois merecia ter sido testado neste jogo.

A Argélia fez uma boa partida e mereceu a vitória, no entanto, o triunfo não muda a expectativa para a equipe na Copa do Mundo. O time está muito aquém de Bélgica, Coreia do Sul e Rússia, e deve ser o lanterna do Grupo H do Mundial. Fica, porém, a boa perspectiva para o próximo ciclo. A nova geração argelina tem bons nomes como Taïder, Bentaleb e Belfodil, e o país pode colher os frutos nos próximos anos, mesclando os jovens talentos com alguns nomes experientes do atual ciclo – sendo que os jovens já terão uma experiência de Copa do Mundo.

Liga do Malawi dá exemplo à CBF

A dica é do colega Fernando Almeida, companheiro de Super FC pelo Mundo, em seu blog Destino África:

Assim como o Brasileirão 2013, a Liga do Malawi teve confusão no final de temporada. A partida entre Mighty Wanderers e o campeão Silver Strikers começou em 28 de dezembro do ano passado, mas só terminou em fevereiro deste ano, depois de boicotes ao jogo nos dias 5 e 26 de janeiro – datas remarcadas para a realização do confronto. O Strikers vencia o duelo começado em 2013 por 1 a 0 quando, aos 16 minutos do segundo tempo, uma briga nas arquibancadas interrompeu a peleja. Uma pessoa morreu e 20 ficaram feridas – seis em estado grave – neste episódio lamentável que também teve agressões a jornalistas.

No entanto, ao contrário do que (não) aconteceu no episódio envolvendo Atlético Paranaense e Vasco aqui no Brasil, os clubes foram punidos. As multas não foram altas, é verdade, até pela realidade do futebol e dos clubes locais, mas o Wanderers pagará multa de R$ 2.700, enquanto o Strikers vai tirar R$ 9.200 de seus cofres. Os clubes ainda foram penalizados com a perda de pontos na próxima edição da Liga do Malawi. O Mighty começará o campeonato com – 6 pontos, enquanto o Silver vai iniciar sua trajetória com – 9 pontos.

No Brasil, o Vasco cogitou usar o episódio lamentável para permanecer na elite do futebol brasileiro e 31 torcedores foram denunciados no caso, sendo que 20 já foram soltos. A CBF, como de costume, lavou suas mãos. É triste ver que até no Malawi algo é feito, enquanto no Brasil, nada acontece.


Uma resposta para “Seleções africanas tiveram uma data Fifa para lamentar mais do que comemorar”

  1. Felipe Rodrigues disse:

    A Nigéria precisa dar um jeito de chamar o Okocha para jogar novamente, aí teria criação. rs

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