A intensificação do conflito entre Israel e Palestina nas últimas semanas tem incentivado ações pacifistas em todo o mundo. E o futebol não passa indiferente à guerra que deixa centenas de mortos na Faixa de Gaza. A principal iniciativa é encabeçada pelo Papa Francisco. O pontífice está organizando um amistoso com grandes craques para pedir a paz na região. Entre os nomes já confirmados estão Zidane, Ronaldinho, Maradona, Messi, Pirlo, Roberto Baggio e Buffon. Contudo, a legião de astros perdeu um nome que poderia ser bastante representativo aos palestinos: o de Mohamed Aboutrika, lenda da seleção egípcia e do Al Ahly.

LEIA MAIS: Cinco momentos que provam que Francisco é o Papa mais boleiro

Aboutrika tem fortíssima influência sobre os palestinos. Muito pela proximidade entre os dois países, com o Egito possuindo grande influência regional na Faixa de Gaza. Mas também pela forma como o veterano, visto como exemplo para árabes e muçulmanos, defendeu o povo vizinho em 2008. Durante partida contra o Sudão, pela Copa Africana de Nações, ele comemorou um gol exibindo a mensagem “Simpatize com Gaza”. Depois, Aboutrika concedeu entrevista à Al Jazeera, afirmando sua preocupação com os bloqueios feitos por Israel e pela situação das crianças palestinas. O craque acabou homenageado na Faixa de Gaza após o título do Egito, com torcedores exibindo sua foto e faixas em sua homenagem nas ruas.

O motivo para a desistência de Aboutrika é puramente político. “Eu rejeitei o convite por causa da participação de uma entidade sionista. Nós estamos dando exemplo para a nova geração”, declarou o egípcio, através de seu twitter. O descontentamento do meia seria quanto à participação de Yossi Benayoun, que, mesmo sendo contra as perdas civis, defendeu em seu twitter os ataques israelenses contra “organizações terroristas” – apesar dos 2 mil palestinos mortos, inclusive crianças. Ex-zagueiro da seleção egípcia, Wael Gomaa também foi convidado, mas a expectativa é de que sua posição seja parecida com a do antigo companheiro.

A posição de Aboutrika pode até ser vista como fechada demais, em um jogo que visa promover justamente o diálogo. Entretanto, não dá para criticar o veterano apenas por defender os seus ideais, especialmente depois das declarações de Benayoun. Para o bacharel em filosofia que ameaçou encerrar a carreira diante dos desdobramentos da Primavera Árabe, nada é surpreendente.

VOCÊ TAMBÉM VAI SE INTERESSAR POR:

– Aboutrika não foi apenas um ídolo, mas uma encarnação da essência do futebol

– De novo, a luta do povo e o futebol se cruzam no Egito

– Cinco momentos em que o futebol uniu palestinos e israelenses