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Com a morte de Assis, o Casal 20 se torna apenas lembranças e boas histórias

Até parece coincidência, ironia, destino. Em menos de dois meses, uma das duplas mais célebres do futebol brasileiro deixou de bater bola em vida para ficar na memória. Em maio, Washington não resistiu mais aos problemas de saúde degenerativos com os quais já vinha sofrendo. E o seu solitário parceiro faleceu pouco tempo depois, neste domingo. Aos 61 anos, Assis teve falência múltipla nos órgãos, em decorrência de uma doença crônica nos rins. O Casal 20, que marcou época na década de 1980, agora é história e lembranças.

Enquanto Washington começou a carreira na Bahia, Assis deu os primeiros passos no futebol paulista. Natural de São Paulo, o atacante passou pelo Juventus e pela Portuguesa. A falta de sucesso, porém, quase o tirou da carreira profissional. Naqueles primeiros anos, o atacante precisou jogar por times de várzea nos finais de semana em troca de cachê, enquanto também estudava e trabalhava. A sorte mudou quando foi contratado pelo São José, o primeiro clube onde fez seu nome no interior de São Paulo. Foi bem na Internacional de Limeira e apareceu para os grandes defendendo a Francana.

Um gol contra o São Paulo fez com que Assis fosse levado ao Morumbi, onde não teve vida longa. Seu primeiro encontro com o grande companheiro aconteceu no Internacional, para o qual foi repassado no início dos anos 1980. Nenhum dos dois teve passagem tão marcante assim pelo Beira-Rio e, juntos, acabaram trocados pelo lateral Augusto, do Atlético Paranaense. Em Curitiba é que a dupla começou a ser tão emblemática.

Washington era o goleador nato e Assis, o atacante habilidoso que o complementava no apoio. Com a camisa rubro-negra, quebraram o jejum de 12 anos do Furacão no Campeonato Paranaense e pararam apenas nas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1983. Caíram para o Flamengo, depois de dois duelos parelhos. Assis estava suspenso na derrota por 3 a 0, e voltou ao time na vitória por 2 a 0, que, apesar da eliminação atleticana, ainda é considerada uma das maiores da história do clube.

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Depois daquela campanha, Washington acabou chamando atenção do Fluminense. O Atlético, todavia, só aceitava negociar sua dupla. Os tricolores fecharam a compra, mas Assis ficou em uma situação incômoda. Deu a volta por cima dentro de campo, mostrando que a contratação do Casal 20 foi mesmo o maior acerto. Para se tornar um dos jogadores mais queridos pela torcida do Flu, exatamente pelo que faria contra o mesmo Flamengo que lhe negou o sonho na Baixada.

Com o Casal 20, o Fluminense conquistou o Brasileirão de 1984, quebrando justamente a sequência de seus maiores rivais. E foram tricampeões cariocas, com dois títulos sobre os rubro-negros. Quem decidiu ambos foi Assis. Os gols nas duas decisões lhe deram o apelido de Carrasco e até mesmo um grito da torcida tricolor: “Recordar é viver, Assis acabou com você”. Em 1983, em um toque que passou por entre as pernas de Raul, aos 45 do segundo tempo. Em 1984, fuzilando de cabeça. Era o ápice do grande jogador que chegou até mesmo à seleção brasileira, mesmo sem ter sequência com a camisa amarela.

Ao final de sua passagem pelo Fluminense, Assis ainda rodaria pelo futebol dos Estados Unidos, voltaria ao Atlético Paranaense, conquistaria o seu último título com o Paraná. Seu legado no futebol, de qualquer forma, já tinha se completado. A fama lhe rendeu muitas homenagens ao final da carreira, boa parte delas ao lado de Washington. Uma parceira que, ainda mais agora, será eterna.