Estamos quase em abril e as seleções que estão na Copa do Mundo fazem seus últimos ajustes para a disputa do Mundial do Brasil. As outras, as que estão fora do maior torneio do futebol, vão aos poucos se acertando. Experimentando. Projetando. Ou ao menos deveriam. Na América do Sul a situação é a seguinte: quem está na Copa tem técnico, quem não está…

Fora do Mundial, Peru, Venezuela, Bolívia e Paraguai poderiam aproveitar o fato para se planejar e começar antes o ciclo para 2018. No entanto, nenhuma federação fez mudanças expressivas após o fracasso nas Eliminatórias.

Pra começar, a seleção boliviana está sem técnico desde o dia 8 de março, quando Xabier Azkargorta, que conduziu a Bolívia à Copa de 1994 e que iria seguir com seu trabalho à frente de La Verde, decidiu deixar o comando para assumir o Bolívar na Libertadores. De lá pra cá nenhuma movimentação foi feita. Há uma pressão de parte da imprensa para que Eduardo Villegas, técnico do The Strongest e melhor comandante do país nas últimas temporadas, assuma o cargo. A má relação entre clubes e Federação e as restrições colocadas ao trabalho dos treinadores da seleção tornam o panorama um pouco mais difícil.

A Venezuela neste momento também não tem treinador. Após as eliminatórias, César Farías deixou o cargo para assumir o Xolos de Tijuana. De lá pra cá, a Vinotinto está sob o comando interino de Manuel Plasencia e não há perspectiva de quem pode assumir o time. Apesar de todos os progressos feitos com Farías, a opinião pública considerou que o trabalho ficou abaixo da expectativa, uma vez que a Venezuela segue sem ir ao Mundial. Noel Sanvincente, experiente treinador, hoje no Zamora, é um dos cotados, mas não há nada oficial.

Os paraguaios têm um treinador, mas procuram outro. Explica-se: depois de não ter mais possibilidades de classificação para a Copa de 2014, Gerardo Pelusso abandonou o selecionado albirojo, dando lugar a Victor Genes, comandante das seleções de base do país. Com ele o Paraguai fez quatro jogos, conquistando uma vitória contra a Bolívia, um empate contra a Venezuela e duas derrotas, para Argentina e Colômbia. Após a virada de ano a Federação entrou em contato com Marcelo Bielsa e desde então uma resposta é aguardada. Ou seja… Se El Loco negar o convite, o Paraguai irá tentar a Copa de 2018 com um treinador inexperiente e de resultados discretos na base e na principal.

A situação peruana é muito semelhante. La Bicolor também tem um treinador, mas não é o nome que o país queria e tampouco alguém com um currículo de respeito. Depois da saída de Sergio Markarián a federação peruana não teve dúvidas: também foi atrás de Marcelo Bielsa. Após um longo período de análise, o argentino negou a proposta. No mesmo dia o presidente da APF anunciou a contratação do uruguaio Pablo Bengoechea, justamente o auxiliar de Markarián. Sem nenhuma experiência como treinador, a aposta será na continuidade de um trabalho que não deu certo com o antigo técnico.

Evidentemente um trabalho de sucesso não depende exclusivamente do técnico, mas em se tratando de seleções, ele tem um papel ainda mais importante, haja vista que os jogadores não se reúnem sempre e também têm funções distintas no selecionado nacional.  No caso de Peru, Bolívia, Venezuela e Paraguai a situação é um pouco pior porque a qualidade dos campeonatos nacionais e dos principais jogadores está longe de ser alta, de forma que montar um time competitivo seria a saída óbvia para ter alguma chance.

Talvez estas seleções se arranjem com o que têm, mas os prognósticos não são buenos.