A disputa cabeça a cabeça entre Atlético de Madrid e Barcelona monopoliza os holofotes em La Liga. E com justiça, já que colchoneros e blaugranas sofreram apenas uma derrota em todo o primeiro turno para somarem fantásticos 50 pontos. Enquanto isso, o Real Madrid foi colocado sob desconfiança algumas vezes. Mas, sem tanta badalação, vai crescendo de produção e se aproximando dos rivais para se colocar como candidato ao título, com boa margem para embalar no segundo turno.

A atuação dos merengues neste domingo esteve longe de ser exuberante. A equipe de Carlo Ancelotti não fez mais o suficiente para bater o Espanyol por 1 a 0, com um gol de cabeça de Pepe. Uma noite atípica até mesmo para Cristiano Ronaldo, que finalizou 11 vezes e abusou dos gols perdidos – boa parte deles barrados pelo goleiro Kiko Casilla, mas também outros com a meta escancarada. Independente do azar do craque, o Real somou os pontos que precisava e agora está a apenas uma vitória de Barça e Atleti.

Ao todo, o Real Madrid perdeu apenas dez pontos ao longo do primeiro turno. Empatou contra Villarreal e Osasuna, em dois jogos duros fora de casa. E foi derrotado justamente para Atlético e Barcelona – no Bernabéu para os colchoneros e no Camp Nou para os blaugranas. Uma vitória em qualquer um dos clássicos e quem seria colíder era a equipe de Florentino Pérez, não um de seus rivais. Se o clube não foi tão bem, está aí o primeiro pecado: faltou maior poder de decisão nos confrontos diretos.

No entanto, dá para dizer que o Real cresceu durante a campanha. Ancelotti demorou para encontrar tanto a escalação ideal como a melhor formação tática dos merengues. Além disso, o baque sofrido na derrota para o Barcelona ajudou o time a acordar. Desde então, foram oito vitórias e um empate, conquistando mais pontos que seus dois concorrentes à taça. Gareth Bale passou a justificar os milhões pagos por sua transferência e Cristiano Ronaldo conseguiu aumentar ainda mais sua média de gols.

No turno reverso, o Real Madrid tem a vantagem de fazer a maioria de seus grandes desafios no Santiago Bernabéu, incluindo o clássico do dia 23 de março, contra o Barcelona. Os jogos mais difíceis como visitante são contra o Atlético de Madrid, contra quem não perde no Vicente Calderón desde 1999, além de Athletic Bilbao e Real Sociedad, que também não costumam dar tanta sorte contra os blancos.

Outro trunfo do Real Madrid está no elenco. Mais do que os outros, os merengues parecem ter profundidade suficiente para aguentar a maratona de jogos desta reta final de temporada, especialmente com Jesé Rodríguez e Álvaro Morata se impondo no time principal. A não ser quem alguém saia nesta janela (Karim Benzema e Ángel Di María vêm sendo especulados), a equipe de Carlo Ancelotti é menos vulnerável às lesões do que Atlético e Barcelona.

Só é preciso ponderar o quanto a vontade de conquistar o décimo título da Liga dos Campeões poderá drenar a energia do Real Madrid. Não é segredo para ninguém que reconquistar a Europa é a obsessão de Florentino Pérez. Os confrontos com o Schalke 04 nas oitavas de final não devem exigir tanto, mas cruzamentos com adversários de mais peso poderão fazer com que a Liga não se torne prioridade do clube. Caso isso não aconteça, as chances de título nacional continuam plenas. Por mais que, por mero detalhe, o primeiro turno dos madridistas não tenha sido tão bom quanto o de Atleti ou Barça.