Nesta recente quinta-feira, a Fifa divulgou mais uma atualização de seu ranking. E ali havia uma cruel notícia para a Holanda: a sua seleção deixara a lista dos dez primeiros colocados, dando lugar à Bélgica. Ficar fora do top 10 da Fifa não ocorria para a Oranje desde setembro de 2002. Mas já era esperado, tendo em vista a derrota para a França, e o ponto belga conseguido num empate com a Costa do Marfim. Talvez essa informação abale somente o moral da equipe laranja, e mesmo assim em menor escala, já que o ranking da Fifa não é nem nunca foi motivo de dor de cabeça para ninguém.

Mas é um indício de como esta semana foi melancólica para o futebol holandês. E não é só por causa do ranking, mas também pela  informação auspiciosa de que Kevin Strootman, dos principais jogadores da escalação que Louis van Gaal normalmente leva a campo, lesionara seu joelho esquerdo e estaria fora da Copa. Por todo o mundo, houve sério baque nos prognósticos sobre as possibilidades holandesas no torneio. Mas seleção é algo meio à parte do cenário interno no futebol de qualquer país. E como andou o futebol holandês? Tão melancólico quanto sua seleção.

Basta olhar como foi a 27ª rodada do Campeonato Holandês. O Ajax abriu o placar contra o Cambuur com apenas dois minutos de jogo. Esperava-se uma goleada. Só que os Ajacieden começaram a perder gols em profusão durante o primeiro tempo. Ainda assim, a equipe visitante não ameaçava muito. Só que Martijn Barto empatou o jogo, no começo da etapa final. Só então a equipe anfitriã começou a pressionar na Arena. Mas parou na ótima atuação do goleiro Leonard Nienhuis, provavelmente o melhor jogador da rodada.

O empate por 1 a 1 foi frustrante, claro. Mas isso aproximou os concorrentes do Ajax na disputa pela liderança? Nem um pouco. Antes da partida em Amsterdã, o Twente perdera por 1 a 0 para o Go Ahead Eagles (em gol com falha grotesca do arqueiro Nick Marsman). E a segunda posição caiu no colo do Vitesse, que vencera o NAC Breda, de virada, por 2 a 1. Logo, a competitividade na Eredivisie seguiu baixa: mesmo com o tropeço, o Ajax segue confortáveis seis pontos à frente do Vitesse, a sete rodadas do fim.

E a vitória do Vitesse trouxe mais um fato melancólico. No segundo gol dos Arnhemmers, Christian Atsu continuou jogada após cobrança de lateral de Jan-Arie van der Heijden, sem devolver a bola que fora jogada para fora pelo goleiro Jelle ten Rouwelaar, do NAC, após o atacante Rydell Poepon sentir dores. E cruzou para Mike Havenaar marcar, iniciando duros protestos por parte de Ten Rouwelaar, que chegou a levar cartão amarelo, pelas reclamações ostensivas.

E o arqueiro seguiu criticando a falta de desportividade, após o jogo: “Primeiro, preciso começar colocando a culpa em nós mesmos, que merecemos perder do Vitesse. Eles têm um time muito melhor do que o nosso. E aqueles jogadores não precisavam continuar a jogada. Foi falta de respeito. Sei que ninguém aqui é um menino ingênuo, mas acho que deveriam ter devolvido a bola”. De quebra, o arqueiro ainda alfinetou a campanha da federação que pede boa educação nos gramados e fora deles: “Ficam falando a toda hora em respeito, e têm mais é de continuar falando. Só que aí deve-se também mostrar isso na prática”.

Se o meio-campista ganense do Vitesse teve a intenção de prejudicar o adversário ou não, só ele pode responder. Mas a discussão chata sobre isso foi somente mais um dado a tornar a semana recente um ponto baixo na atual temporada do futebol holandês, por sua melancolia. Talvez seja bom que todos na Holanda mirem-se no exemplo do PSV, já há seis rodadas vencendo, dando-se o direito de sonhar até com vaga na Liga dos Campeões. Mas talvez seja só mais um sinal da abulia que toma conta do futebol na Holanda, que sonha crescer há muito tempo, mas sem condições de fazê-lo.