Pode soar como um clichê, mas o grupo da morte da Libertadores possui várias ‘minifinais’ entre suas rodadas. Como acontece com muitas decisões, há os ótimos jogos. Mas também aqueles duelos amarrados, em que o empate parece um acordo de cavalheiros em meio à tensão. Algo que aconteceu nesta quinta-feira, no encontro entre Grêmio e Newell’s Old Boys, em Porto Alegre. Logicamente, os dois lados queriam a vitória. Mas o empate por 0 a 0 parecia o irremediável destino diante das circunstâncias que se sucederam na Arena.

O primeiro tempo foi extremamente amarrado. Os gremistas não tinham ligação entre o meio-campo e o ataque. Pior, pouco conseguiam contar com a bola em seus pés. O Newell’s cadenciava o jogo como quem queria gastar tempo, achar o momento certo para o bote. Não entregava a redonda aos gaúchos nem em situações de perigo, preferindo a saída arriscada do campo de defesa do que os chutões. Uma inoperância revertida pelo Grêmio na segunda etapa, quando o time passou a pressionar os argentinos. E não alcançou a vitória por detalhes, centímetros que não permitiram que as redes fossem estufadas. Não à toa, o goleiro Nahuel Guzmán fechou o confronto como o melhor em campo.

O lance mais inacreditável aconteceu na metade final da segunda etapa (no vídeo, a partir dos 24 segundos), quando os tricolores incomodavam mais. Foram três chances no mesmo lance, todas desperdiçadas. Barcos, quem mais fez os gaúchos arrancarem os cabelos, forçou a defesa de Guzmán na primeira tentativa. O rebote bateu de supetão em Ramiro na pequena área, sem tempo de reação. E ainda pingou para Pará, que encheu o pé carimbando o travessão.

O empate não é de todo ruim para o Grêmio. A equipe de Enderson Moreira continua como líder isolada da chave e é um dos únicos três times, ao lado do Atlético Mineiro e do Santos Laguna, com sete pontos na Libertadores. Mas poderia ter nove, com 100% de aproveitamento. Detalhes que afastaram os tricolores da perfeição nesta primeira metade da fase de grupos.